COI pede a federações esportivas para que não façam eventos na Rússia

Executiva do Comitê Olímpico Internacional pede que exibições sejam canceladas ou transferidas para outro local; recomendação também atinge Belarus

Símbolo das Olimpíadas em Tóquio.
Símbolo das Olimpíadas em Tóquio. Getty Images

Léo Lopesda CNN

em São Paulo

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O Comitê Olímpico Internacional (COI) emitiu um comunicado, nesta sexta-feira (25), recomendando às federações internacionais que transfiram a sede ou cancelem eventos esportivos que estejam planejados para acontecer na Rússia ou em Belarus.

“Eles devem levar em consideração a violação da Trégua Olímpica pelos governos russo e bielorrusso e dar prioridade absoluta à segurança e proteção dos atletas”, declarou o COI após reunião de seu Conselho Executivo.

“O próprio COI não tem eventos planejados na Rússia ou na Bielorrússia”, completa o comunicado.

Entre as medidas orientadas pela Executiva do COI, está que não seja exibida nenhuma bandeira nacional e não sejam tocados os hinos desses países em qualquer evento.

O Comitê ainda reforça que “fortemente condena o governo russo e de Belarus pela quebra da Trégua Olímpica”.

A Trégua Olímpica é um conceito datado da Grécia Antiga e aderido pelos 193 membros da ONU no qual, durante os Jogos Olímpicos, todos os conflitos do mundo são paralisados.

Essa regra, adotada em resolução da Assembleia da Geral da ONU em dezembro de 2021, determina que o cessar-fogo mundial da Trégua devia ser iniciado sete dias antes da Olimpíada e encerrado sete dias após os Jogos Paralímpicos.

Os Jogos Olímpicos de Inverno, em Pequim, começou em 4 de fevereiro e foi encerrado no último dia 20. Porém, a Paralímpiada de Inverno ainda vai acontecer entre os dias 4 e 13 de março.

“O Conselho do COI expressa seu total apoio ao Comitê Paralímpico Internacional (IPC) para os Jogos Paralímpicos de Inverno de Pequim de 2022”, afirmou o comunicado.

A entidade expressou “profunda preocupação” com a segurança da comunidade olímpica da Ucrânia, e disse que está em contato para coordenar assistência humanitária “sempre que possível”.

Entenda a guerra na Ucrânia

Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer desta quinta-feira (24), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país – acompanhe a repercussão ao vivo na CNN.

Horas mais cedo, o presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).

O que se viu nas horas a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.

De acordo com autoridades ucranianas, dezenas de mortes foram confirmadas nos exércitos dos dois países.

Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira.

Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos.


A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país.

Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito.

A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.

(Com informações de Sarah Marsh e Madeline Chambers, da Reuters, e de Eliza Mackintosh, da CNN)

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