Djokovic volta aos treinos após vencer recurso para ficar na Austrália

"Apesar de tudo o que aconteceu, quero ficar e tentar competir no Aberto da Austrália", escreveu o tenista no Twitter

Sonali PaulIan RansomIvana SekularacZoran Milosavljevicda Reuters

em Melbourne, na Austrália e em Belgrado, na Sérvia

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Número 1 do tênis masculino no mundo, Novak Djokovic voltou aos treinos horas depois de vencer, nesta segunda-feira (10), uma disputa judicial para permanecer na Austrália, agradecendo ao juiz que o libertou da detenção de imigração e dizendo que continua focado em sua campanha para tentar conquistar sua 21ª vitória de Grand Slam, em Melbourne.

Porém, a briga por sua isenção médica de se vacinar contra a Covid-19 pode não ter chego ao fim, porque o governo australiano disse que ainda estava considerando outro movimento para deportá-lo.

“Estou satisfeito e grato que o juiz anulou o cancelamento do meu visto”, escreveu Djokovic no Twitter, onde postou uma foto de si mesmo na quadra da Rod Laver Arena em Melbourne Park. “Apesar de tudo o que aconteceu, quero ficar e tentar competir no Aberto da Austrália.”

Mais cedo, o juiz Anthony Kelly decidiu que a ação do governo federal, que revogou o visto do tenista sérvio na última semana, era “irracional” e ordenou sua libertação.

“Novak é livre e agora há pouco ele foi para a quadra de tênis para treinar”, disse o irmão mais novo de Djokovic, Djordje, em uma entrevista coletiva da família em Belgrado. “Ele está lá para estabelecer outro recorde.”

Djokovic, que chegou à Austrália na semana passada para defender seu título no Aberto da Austrália, passou o dia na sala de seus advogados.

Houve cenas caóticas nesta segunda-feira (10), como apoiadores se reunindo do lado de fora do escritório dos advogados gritando “Libertem Novak!”. A polícia, em certo momento, usou spray de pimenta para tentar abrir caminho enquanto um carro preto com vidros escuros saía do prédio.

Um porta-voz do ministro da Imigração, Alex Hawke, disse que estava considerando usar seus amplos poderes discricionários que lhe foram dados pelo Ato de Migração da Austrália para revogar novamente o visto de Djokovic. Tal movimento poderia incluir uma proibição de três anos de reentrada na Austrália.

“O ministro está considerando o assunto e o processo continua em andamento”, disse o porta-voz.

A controvérsia foi acompanhada de perto em todo o mundo, criando tensões diplomáticas entre Belgrado e Camberra e gerando um debate acalorado sobre as regras nacionais de vacinação.

Um circo antes do torneio

O Aberto da Austrália começa em 17 de janeiro. Djokovic venceu o torneio, um dos quatro Grand Slams do tênis, nos últimos três anos e nove vezes no total.

O rival espanhol Rafael Nadal chamou o drama em torno da preparação para o torneio de “circo”.

“Concordo ou não com Djokovic em algumas coisas, a justiça falou e disse que ele tem o direito de participar do Aberto da Austrália e acho que é a decisão mais justa”, disse Nadal à rádio espanhola Onda Cero.

O juiz Kelly disse que anulou a decisão de bloquear a entrada de Djokovic na Austrália porque o jogador não teve tempo suficiente para falar com os organizadores do tênis e advogados para responder completamente depois que ele foi notificado sobre a intenção de cancelar seu visto.

Autoridades do aeroporto de Melbourne, onde Djokovic havia sido detido na chegada na noite de quarta-feira, renegaram o acordo de dar a Djokovic até 8h30 para falar com o organizador do torneio do Aberto da Austrális e seus advogados, disse Kelly.

Em vez disso, Djokovic foi acordado por autoridades por volta das 6h e disse que se sentiu pressionado a responder.

O jogador, que há muito tempo se opõe à vacinação obrigatória, disse aos oficiais da fronteira que não foi vacinado e contraiu a Covid-19 duas vezes, de acordo com uma transcrição da entrevista.

Isenção médica

Kelly disse antes ao tribunal que parecia que Djokovic havia buscado e recebido a isenção médica vacinação obrigatória contra Covid-19 com base no fato de que ele havia contraído o vírus no mês passado. Ele havia apresentado evidências disso antes de viajar para Melbourne e quando pousou na noite de quarta-feira.

“O que mais esse homem poderia ter feito?”, disse o juiz.

A decisão de Kelly não abordou diretamente a questão de se a isenção com base em uma infecção nos últimos seis meses era válida, o que o governo contestou.

O CEO do Aberto da Austrália, Craig Tiley, disse anteriormente que sua organização tinha falado com funcionários federais e estaduais durante meses para garantir a passagem segura dos jogadores. O Aberto da Austrália não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

Embora a notícia da decisão tenha sido saudada com tambores e dança por cerca de 50 torcedores fora da quadra de Melbourne, a opinião pública mais ampla na Austrália, onde mais de 90% da população adulta é duplamente vacinada, tem sido amplamente contra o jogador. Melbourne experimentou o período de lockdown mais longo do mundo.

Os casos de Covid-19 do país ultrapassaram 1 milhão na segunda-feira, com mais da metade registrada na semana passada, aumentando o número de hospitalizações, sobrecarregando as cadeias de suprimentos e sobrecarregando as instalações hospitalares.

A saga começou quando Djokovic postou uma foto apoiado em sua bagagem no Instagram na última terça-feira, dizendo ao mundo que estava indo para a Austrália com isenção de vacinação.

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