Ítalo Ferreira é campeão olímpico no surfe e dá 1º ouro ao Brasil em Tóquio

Brasileiro venceu o japonês Kanoa Igarashi na primeira final da modalidade nas Olimpíadas

Leandro Silveira, colaboração para a CNN

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Ítalo Ferreira é o primeiro campeão olímpico da história do surfe. O brasileiro alcançou o feito na madrugada desta terça-feira e levou a medalha de ouro ao superar o japonês Kanoa Igarashi na final da modalidade nas Olimpíadas de 2020, realizada na praia de Tsurigasaki, por 15,14 a 6,60, concluindo uma participação praticamente perfeita na disputa. Na bateria decisiva, deu um show de manobras, mesmo após ter sua prancha quebrada logo no começo da bateria. 

A conquista faz Ítalo se consolidar como um dos grandes nomes da história do surfe na atualidade. Afinal, além de ser o primeiro medalhista olímpico de ouro da modalidade, também é o último campeão mundial, em conquista assegurada em 2019 – em função da pandemia do coronavírus, o campeonato não foi realizado no ano passado.

Gabriel Medina, outro brasileiro candidato ao pódio, ficou sem medalha depois de perder para Igarashi na semifinal e para o australiano Owen Wright na disputa pelo bronze. 

‘Entrei sem pressão’, diz Ítalo

“Eu vim com uma frase para o Japão: diz amém que o ouro vem. Eu treinei muito nos últimos meses, mas só tenho que agradecer a Deus por tudo isso, realizou o meu sonho e me deu a oportunidade de fazer o que amo. Meu intuito é ajudar as pessoas e a minha família. Entrei sem pressão na água e consegui o que queria”, disse Ítalo Ferreira, após a conquista, à TV Globo.

“Queria que a minha avó estivesse viva para ver isso. Sou muito feliz pelo que me tornei, pelo que fiz pelos meus pais. Sempre pedi para que esse sonho fosse realizado e ele aconteceu. Almejei bastante e sonhei. A frase que falei está ao lado da minha cama. Todos os dias eu orei às 3h da manhã, pedindo a Deus que realizasse meu sonho”, acrescentou emocionado.

A medalha de Ítalo é a quinta do Brasil nesta edição das Olimpíadas, se juntando às pratas de Kelvin Hoefler e Rayssa Leal no skate e aos bronzes de Daniel Cargnin no judô e de Fernando Scheffer na natação.

A final com prancha quebrada

A bateria decisiva começou com um problema inesperado para Ítalo, que viu a sua prancha se quebrar na sua primeira onda na final. Mas nem esse contratempo parece ter atrapalhado o brasileiro. Ele, afinal, logo conseguiu uma nota 7, emplacando uma série de manobras e batendo forte no topo da onda. Na sequência, ainda obteve um 5,5, abrindo uma boa vantagem. 

E ela ainda seria ampliada. Em uma ótima ação, entrou de backside e atacou o topo da onda. Isso rendeu a ele a nota 7,77. Deixou, assim, Ítalo em vantagem de 14,77 a 5,56, ficando muito próximo de ser campeão olímpico. E o brasileiro não parou de melhorar. 

Ele entrou de backside em outra onda, bateu forte no topo da onda e trocou de nota, por um 7,37. Assim, foi campeão com a vitória na bateria por 15,14 a 6,60, derrotando o algoz de Gabriel Medina nas semifinais. 

A campanha de Ítalo Ferreira

Em sua trajetória nas Olimpíadas, Ítalo triunfou na primeira fase em uma bateria com três outros três surfistas, obtendo 13,67 pontos de 20 possíveis, conseguindo o melhor somatório entre todos os participantes dessa etapa. E isso se repetiria nas oitavas de final, quando passou pelo neozelandês Billy Stairmand, e nas quartas, contra o japonês Hiroto Ohhara. Nessa fase, inclusive, conseguiu a melhor onda do campeonato – 9,67. Já nas semifinais, venceu o australiano Owen Wright.  

Em 2021, Ítalo ganhou uma das seis etapas do Circuito Mundial de Surfe, em que ocupa o segundo lugar no ranking. Agora, então, ampliou a sua trajetória vitoriosa no esporte como campeão olímpico, uma caminhada iniciada de modo improvisado, surfando na tampa de isopor que o seu pai usava para conservar o pescado em Baía Formosa, no Rio Grande do Norte. 

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