‘Simone Biles é mais que atleta, é porta-voz de questões sociais’, diz psicóloga

Kátia Rúbio, membro da Academia Olímpica Brasileira, avalia pressão que a ginasta americana sofre por resultados

Da CNN, em São Paulo

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A ginasta Simone Biles precisou ser corajosa para desistir de disputar a final de solo nas Olimpíadas de Tóquio para priorizar sua saúde mental, avalia a psicóloga e membro da Academia Olímpica Brasileira Kátia Rúbio em entrevista à CNN neste domingo (1º). Ela avalia a pressão que atletas sofrem por resultados.

“A mesma coragem que a Simone tem para fazer um salto ou manobra na trave, precisou para dizer ‘não’. É colocar a própria carreira em discussão e dá visibilidade a um tema muito presente. Ela não é uma máquina de produzir resultados, é um ser humano excepcional, com habilidades absolutamente fora da média e que não está se permitindo ser usada para continuar produzindo resultados.”, avalia.

 

Kátia diz que a parada forçada no calendário de competições por conta da pandemia fez vários atletas se questionarem e refletirem sobre a pressão que sofrem. “Eles não terem tempo de pensar sobre si mesmos já é um desencadeador de ansiedade que, por conta da pandemia, teve picos ainda maiores. Uma vida absolutamente planejada e desestabilizada por algo que foge completamente ao controle”.

Kátia Rúbio, professora da USP e membro da Academia Olímpica Brasileira (AOB)
Kátia Rúbio, professora da USP e membro da Academia Olímpica Brasileira (AOB) (01.Ago.2021)
Foto: Reprodução/CNN

 

A psicóloga ressalta a pressão sofrida pela ginasta por resultados. “A Simone Biles é mais que uma atleta, é uma porta-voz de questões sociais que invadem sua vida além de simplesmente produzir resultados. Chegar em Tóquio sendo a grande esperança, o grande nome inclusive do ponto de vista comercial, não sei se ela foi preparada para assumir esse lugar. É ser porta-voz de muitos papéis que não necessariamente ela está preparada para ser”.

Competidores de esportes que estão pela primeira vez nas Olimpíadas não sentem esse peso, acredita. “Skate, surf, escalada, BMX foram incluídas este ano, ainda não há uma tradição. Ainda há falta desta cultura olímpica nessas modalidades, que foram incluídas para rejuvenescer os Jogos Olímpicos e se mostraram efetivas na busca desse público. É incomparável a pressão nas skatistas e nas ginastas, que tem uma história muito longa”. 

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