Time feminino de handebol de praia da Noruega é multado por não jogar de biquíni

Federação Europeia de Handebol afirmou que shorts de atletas eram roupas 'inadequadas'

Time feminino de handebol de praia da Noruega
Time feminino de handebol de praia da Noruega Foto: Reprodução/Twitter

Amy Woodyatt, da CNN

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O time feminino de handebol de praia da Noruega foi multado após as jogadoras optarem usar shorts em vez de biquíni durante um jogo do campeonato europeu.

A Federação Europeia de Handebol (EHF) disse na segunda-feira que havia imposto uma multa de 1.500 euros ao time — 150 euros para cada jogadora —  por “roupa imprópria” no jogo da medalha de bronze contra a Espanha no domingo.

A decisão da equipe de vestir shorts não estava de acordo com o regulamento uniforme “definido nas Regras do Jogo de Handebol de Praia da IHF”, disse a EFH em uma declaração.

De acordo com os regulamentos da Federação Internacional de Handebol (IHF), as atletas do sexo feminino devem usar biquíni com uma largura lateral máxima de 10 centímetros, com um “ajuste próximo” e “corte em um ângulo ascendente em direção à parte superior da perna”.

Enquanto isso, os homens devem usar calções “não muito folgados” e 10 centímetros acima dos joelhos.

O treinador da equipe, Eskil Berg Andreassen, disse à CNN na terça-feira (20) que o regulamento do uniforme poderia desencorajar as mulheres a praticarem o esporte. Ele declarou que a equipe sabia que haveria uma multa, pois há “vários anos elas vêm lutando pelo direito de usar alternativas para o biquíni”.

Andreassen disse que o regulamento do uniforme era uma “coisa difícil para muitas jogadoras”, acrescentando: “Talvez elas se afastem do esporte e escolham outra modalidade”.

Andreassen também afirmou que a equipe norueguesa queria que as mulheres pudessem escolher o que vestissem. “Deveria ser possível escolher – não dizer que elas têm que jogar assim”. Se alguém quiser jogar de biquíni, tem o direito de escolher”, disse ele.

Ele também advertiu que as normas de uniformes da IHF poderiam estar desencorajando as mulheres que não querem usar biquíni, inclusive as de países muçulmanos majoritários. “Também temos que tomar uma decisão sobre as meninas árabes – como podemos conseguir que mais meninas árabes se envolvam neste tipo de esporte”.

Andreassen disse que os uniformes que cobrem “a maior parte do corpo” também deveriam ser permitidos para atrair mulheres, não apenas no handebol de praia, mas em outros esportes como o futebol.

A Associação Norueguesa de Handebol (NHF) escreveu no Twitter na terça-feira: “Estamos muito orgulhosos destas meninas que durante o Campeonato Europeu levantaram a voz e anunciaram que é já é o suficiente”, diz a publicação.

“Nós da NHF endossamos esse posicionamento e apoiamos vocês. Juntos continuaremos a lutar para mudar as regras de vestuário, para que os jogadoras possam usar as roupas que lhes são confortáveis”, acrescentou a NHF.

Em uma declaração conjunta emitida na terça-feira, a IHF e a EHF disseram que “estão empenhadas em popularizar o handebol de praia”:  “Todas as contribuições nesse sentido e as medidas que apoiarão as ambições deste esporte atraente são apoiadas”, complementaram.

As federações disseram que o tema dos uniformes femininos já havia sido discutido no Congresso da EHF em abril de 2021, e que o assunto seria tratado pela recém eleita Comissão de Handebol de Praia em agosto.

A CNN entrou em contato com a EHF e a IHF para mais comentários. 

As roupas das atletas de elite femininas foram recentemente alvo de debate.

No domingo (18), por exemplo, a dupla campeã mundial paraolímpica Olivia Breen revelou que ficou “sem palavras” quando uma funcionária do Campeonato Inglês disse à dupla campeã mundial paraolímpica que suas calças eram “muito curtas e inadequadas”.

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