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Fórmula 1: Marko, consultor da Red Bull, deixa a equipe após 20 anos

Após duas décadas e crises internas, escuderia anunciou a saída do austríaco nesta terça-feira (9)

Alan Baldwin, da Reuters
Helmut Marko, anunciou na terça-feira a saída da Red
Helmut Marko, anunciou na terça-feira a saída da Red  • Divulgação/Oracle Red Bull Racing
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A Red Bull anunciou na terça-feira (9) a saída do consultor de automobilismo Helmut Marko, um importante aliado e apoiador do tetracampeão mundial de Fórmula 1, Max Verstappen.

Aos 82 anos, o austríaco — ex-piloto de Fórmula 1 nos anos 1970 e figura de confiança do fundador da equipe, Dietrich Mateschitz — também comandava o programa de jovens talentos da Red Bull.

“É uma notícia muito triste que Helmut esteja nos deixando”, afirmou o chefe da equipe, Laurent Mekies, em comunicado publicado no X. “Ele foi parte fundamental do nosso time e de todo o programa de automobilismo da Red Bull por mais de duas décadas”.

Em outra declaração, Marko sugeriu que o fato de Verstappen não conquistar o quinto título consecutivo influenciou sua decisão de deixar o cargo.

“Perder o campeonato mundial por tão pouco nesta temporada mexeu profundamente comigo e deixou claro que este é o momento certo, para mim, de encerrar este capítulo tão longo, intenso e bem-sucedido”, disse. “Desejo à equipe todo o sucesso e estou convencido de que eles voltarão a disputar os dois títulos mundiais no próximo ano”.

Papel importante em decisões estratégicas

Oliver Mintzlaff, CEO de Projetos Corporativos e Investimentos da Red Bull, afirmou que Marko o procurou manifestando o desejo de deixar o cargo ao fim do ano.

“Lamento profundamente sua decisão, pois ele foi uma figura influente por mais de duas décadas, e sua saída marca o fim de uma era extraordinária”, declarou.

“Ele teve papel decisivo em todas as grandes decisões estratégicas que fizeram da Red Bull Racing o que ela é hoje: multicampeã mundial, referência em inovação e um pilar do automobilismo internacional”.

Mintzlaff afirmou ter respeitado o desejo de Marko após “uma conversa longa e intensa”. “Tive a impressão de que o momento parecia o certo para ele dar esse passo. Embora sua saída deixe uma lacuna significativa, nosso respeito por sua decisão e nossa gratidão por tudo que fez pela Red Bull Racing prevalecem”.

Nos bastidores, porém, a imprensa internacional já relatava um desgaste na relação entre Marko e os dirigentes corporativos da equipe, com divergências internas.

Marko era o último remanescente da antiga cúpula que comandou a Red Bull durante seu período mais dominante. O chefe Christian Horner foi afastado em julho, e o projetista Adrian Newey deixou a equipe no ano passado — hoje trabalha na Aston Martin e assumirá o cargo de chefe da equipe em 2026.

Embora Verstappen tenha contrato até 2028, existem cláusulas de saída, e a Red Bull se prepara para uma nova fase a partir de 2026, quando passará a produzir suas próprias unidades de potência em parceria com a Ford.

Mateschitz, que tinha um estilo de gestão mais distante, morreu no fim de 2022.

Marko carregava a reputação de “falastrão”, frequentemente fazendo comentários controversos que depois precisavam ser retratados. Em 2023, fez declarações depreciativas sobre Sergio Pérez, então piloto da equipe, pelas quais teve de pedir desculpas.

No ano passado, o chefe da McLaren, Zak Brown, acusou Marko de mau gosto e de “levar a Fórmula 1 décadas para trás” por comentários sobre a resiliência mental do então candidato ao título Lando Norris.

Mais recentemente, Marko acusou o estreante da Mercedes, Kimi Antonelli, de abrir passagem para Norris no GP do Catar, na disputa pelo quarto lugar. Norris acabou campeão em Abu Dhabi no último domingo por dois pontos.

Após a acusação, Antonelli foi alvo de ataques e ameaças de morte nas redes sociais, e a Red Bull precisou divulgar um comunicado se distanciando da afirmação feita por Marko.

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