Pan de Indianápolis: relembre o jogo que consagrou Oscar Schmidt
Lenda do basquete brasileiro morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos

Oscar Schmidt, lenda do basquete brasileiro, morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos, após sofrer uma parada cardíaca em casa. O ex-atleta deixa como legado uma das atuações mais marcantes da história do esporte: a final dos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis.
No dia 23 de agosto daquele ano, o basquete brasileiro viveu um de seus momentos mais emblemáticos. Na decisão disputada na Market Square Arena, o Brasil venceu os Estados Unidos por 120 a 115 e conquistou a medalha de ouro em pleno território adversário — um feito inédito até então.
Diante de cerca de 16 mil torcedores, a seleção brasileira protagonizou uma atuação histórica, baseada sobretudo na eficiência nos arremessos de três pontos. Oscar foi o grande nome da decisão.
Após marcar apenas 11 pontos no primeiro tempo, o ala explodiu na etapa final, com 35 pontos, e terminou o jogo com 46, sendo decisivo para encerrar a invencibilidade dos norte-americanos.
Das sete bolas de três que converteu, muitas vieram justamente no momento da virada, silenciando a torcida local, que já comemorava o título de forma antecipada.
Isso porque, no intervalo, os Estados Unidos venciam por 68 a 54 e não davam sinais de que seriam ameaçados. A reação brasileira, no entanto, veio com os arremessos precisos de Oscar, que mudaram o rumo da partida. Foi a primeira derrota dos norte-americanos em casa na história do basquete internacional.
Oscar também ficou marcado por uma decisão incomum. Após ser draftado pelo New Jersey Nets, em 1984, recusou jogar na NBA para seguir defendendo a seleção brasileira. À época, as regras não permitiam que atletas da liga norte-americana atuassem por suas seleções em competições internacionais, o que o obrigaria a abrir mão de representar o Brasil.
O ouro em 1987, nesse sentido, representou mais do que uma conquista esportiva: foi o auge de uma escolha.
A vitória teve impacto além da quadra. Pouco tempo depois, a FIBA passou a permitir a participação de jogadores da NBA em competições internacionais, abrindo caminho para a formação do “Dream Team”, em 1992.
A mudança foi liderada pelo então secretário-geral da entidade, Borislav Stanković, que considerava injusto que atletas de alto nível, como Oscar, precisassem escolher entre atuar na liga norte-americana ou representar seus países.



