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Clássico com duas torcidas resiste no Brasil, mas é cada vez mais raro; veja levantamento

Principal clássico de Minas Gerais, Atlético-MG x Cruzeiro já viveu essa realidade, depois contou com torcida visitante em minoria e agora terá torcida única

No Rio de Janeiro, os clássicos com 50% de cada torcida acontecem no Carioca e, em alguns casos, em competições nacionais
No Rio de Janeiro, os clássicos com 50% de cada torcida acontecem no Carioca e, em alguns casos, em competições nacionais Daniel Castelo Branco/Eurasia Sport Images/Getty Images

Brenno Costa, Luis Fabiani, Marcel Rizzo, Matheus Dantas, Matheus Muratori, Mauri Dorneles, Nuno Krauseda Itatiaia

Um acordo entre Atlético-MG e Cruzeiro, divulgado na última segunda-feira (29) pelos clubes, definiu que o principal clássico de Minas Gerais contará somente com torcida única pelo menos até o fim de 2025. Fora em ocasiões pontuais, o fato é novidade no confronto histórico, que já contou com torcida visitante em minoria e, até o início dos anos 2010, geralmente com o estádio meio a meio.

O clássico com 50% do estádio para cada torcida, inclusive, é algo que resiste no Brasil. De acordo com levantamento feito pela Itatiaia, levando em consideração os principais clássicos de 11 estados do Brasil. Somente em três praças o clássico segue nesse estilo: no Pará, no Ceará e no Rio de Janeiro, sendo que neste último isso é uma realidade mais viável para jogos do Campeonato Carioca.

Belém, capital paraense, inclusive se prepara para o clássico entre Paysandu e Remo. Os times vão duelar no RePa pela quinta rodada do Campeonato Paraense, às 17h (de Brasília) de domingo (4), em um Mangueirão dividido com as duas torcidas.

No Ceará, o Clássico-Rei entre Fortaleza e Ceará foi com torcida dividida em 2023 e assim deve seguir para esta temporada. CEO do Fortaleza, Marcelo Paz disse, à Itatiaia, que essa é a oportunidade de uma festa dos torcedores para a partida, geralmente disputada no Castelão.

“Acho que a essência do futebol são as duas torcidas. O clássico aqui no nosso estado é algo muito bonito de se ver, as torcidas vibrando de lado a lado, fazendo duelo de músicas, de mosaico, de quem traz mais gente. Isso é a essência do futebol, é onde a gente foi criado, onde a gente cresceu, e torço e trabalho para que o futebol, os clássicos, sempre possam ter duas torcidas”, afirmou.

“Não estou aqui fazendo qualquer crítica a qualquer realidade de cada estado, aí são questões locais. Bem verdade que a violência hoje no futebol atrapalha um pouco que isso aconteça. Mas enquanto puder trabalhar, ter relação harmônica com diretoria do nosso rival para que a gente possa promover ambiente de paz nos estádios e que sejam ambiente de a torcida estar vibrando, a gente vai trabalhar. Espero que a gente continue assim no nosso estado”, completou.

À reportagem, o presidente do Ceará, João Paulo Silva, ratificou a importância do Castelão meio a meio em clássicos. “Sem dúvida nenhuma que o Clássico-Rei fica ainda mais relevante e empolgante com as duas torcidas no estádio. Juntamente com o poder público, nós, enquanto clubes, temos o dever de conscientizar os nossos torcedores para que os confrontos se limitem ao campo de jogo”, disse.

“Arquibancadas e o entorno dos nossos estádios devem ser locais de total segurança para as nossas famílias. A violência deve ser reprimida com devida punição aos envolvidos. Só assim, teremos um espetáculo condizente com a importância histórica dos Clássicos-Rei”, completou.

Também no domingo, mas às 19h, a bola vai rolar no Maracanã dividido entre flamenguistas e vascaínos para o clássico entre Vasco e Flamengo, pela sexta rodada do Campeonato Carioca. No Rio, há definições relativas a cada situação.

Torcida única: MG, RN, GO, BA e SP

Atlético-MG e Cruzeiro vão se enfrentar no sábado (3), às 19h30, na Arena MRV, estádio atleticano em Belo Horizonte, pela terceira rodada do Campeonato Mineiro, neste novo cenário estabelecido de torcida única. De acordo com o levantamento da Itatiaia, o principal clássico de Minas Gerais se junta a outros estados, como Rio Grande do Norte, Goiás, Bahia e São Paulo.

Em São Paulo, por exemplo, todos os jogos que envolvam dois times de um grupo formado por Corinthians, Guarani, Palmeiras, Ponte Preta, Santos e São Paulo têm torcida única. Uma exceção ocorrerá no domingo, às 16h, quando Palmeiras e São Paulo vão se enfrentar no Mineirão, em BH, com as duas torcidas dividindo igualmente o estádio pela final da Supercopa do Brasil.

O cenário de torcida única é o mesmo para qualquer Bahia x Vitória, o BaVi; o trio Goiás, Atlético-GO e Vila Nova-GO; e também América-RN x ABC.

Torcida 90/10: SC, AL, PR e RJ

A torcida com maioria mandante e minoria visitante, de até 10%, segue como realidade nos principais clássicos de quatro estados. No Paraná, o AthleTiba, duelo entre Athletico-PR e Coritiba, voltou a contar com visitantes depois de anos com torcida única.

Maior clássico de Alagoas, o duelo entre CSA e CRB segue o mesmo modelo, assim como alguns clássicos do Rio em jogos de torneios nacionais, como Flamengo x Botafogo, Vasco x Botafogo, Botafogo x Fluminense e Vasco x Fluminense.

Em Santa Catarina, no clássico de Florianópolis entre Avaí e Figueirense também conta com esse esquema. Contudo, ele pode estar com os dias contados, já que em 2023, após brigas de torcidas, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) recomendou a torcida única nestes duelos.


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Este conteúdo foi criado originalmente em Itatiaia.

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