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    Exclusivo: Bia Haddad Maia mostra que está vencendo o duelo mental contra si mesma

    Semifinalista em Roland Garros, tenista brasileira voltará às quadras em agosto, de olho na disputa do US Open

    Bruno RodriguesLudmila Candalda CNN

    São Paulo

    Em um esporte individual, o jogo nunca é somente o enfrentamento de um atleta contra o outro. Há também um duelo interno, do esportista contra ele mesmo. No tênis, por exemplo, é preciso trabalhar constantemente o aspecto mental para aumentar as chances de superar o adversário que está do outro lado da quadra.

    E nessa batalha com as próprias inseguranças e as alternâncias que uma mesma partida provoca (no placar e nas emoções), Beatriz Haddad Maia está vencendo, como atesta o momento vivido pela atleta. Mas ainda há um caminho a percorrer.

    “[Chegar à semifinal de] Roland Garros foi uma confirmação do que sempre acreditei, do que eu sempre trabalhei, do que eu e minha equipe sempre entregamos todos os dias. Apesar de nunca ter antes desempenhado bem em um Grand Slam, a gente sentia isso nos treinos, no dia a dia, sabíamos do potencial”, diz a atleta em entrevista à CNN.

    A gente sente muita coisa em um jogo só. Tem sensações estranhas, sensações boas. É uma confusão. Tem o placar também, que muda muito rápido, então tem que saber lidar quando está na frente e quando está atrás. Acho que ainda tenho que amadurecer emocionalmente, principalmente para começar os jogos. Mas eu vejo isso sendo trabalhado, temos consciência que já é um passo grande.

    Beatriz Haddad Maia

    Maior exposição

    Bia Haddad acaba de retornar ao Brasil depois de 14 semanas longe do país. Neste período, foi semifinalista de Roland Garros, alcançou pela primeira vez o top 10 no ranking da WTA e chegou às oitavas de final de Wimbledon, além do título do Masters 1000 de Madri nas duplas — jogou ao lado da bielorrussa Victoria Azarenka.

    As conquistas e o desempenho em quadra constatam: trata-se da melhor fase da carreira da tenista, que gera cada vez mais interesse por parte do público em geral. As buscas por “Bia Haddad” em ferramentas de pesquisa aumentaram. O número de seguidores nas redes sociais, também.

    Essa maior exposição, porém, não parece afetar a tenista. A atleta não utiliza redes sociais enquanto está concentrada para as competições, apenas aplicativos de mensagem. Quando retorna ao país, procura passar a maior parte do tempo com a família, especialmente na casa da avó Arlete (“Miminha”, como gosta de ser chamada).

    São coisas que ela pode controlar e, dessa forma, manter-se com os pés no chão.

    Estou mais em contato com a mídia, e com os próprios jogadores eu sinto que tenho o respeito do circuito lá fora. Fui conquistando esse espaço com o meu trabalho. Mas não me sinto responsável (pelo tênis brasileiro). Ninguém tem essa responsabilidade. O Guga na sua época não tinha a responsabilidade de ser o primeiro (do ranking), assim como o (Thomaz) Bellucci não tinha a responsabilidade de ser o Guga.

    Bia Haddad

    “O brasileiro acaba sendo um pouco mais resultadista, então ele cria uma expectativa de resultado em cima daquela pessoa que está no topo, seja no tênis, no surfe, no futebol. Quando você consegue atuar em grandes palcos, contra grandes jogadoras, essa expectativa é natural. Mas, ao mesmo tempo, não me sinto responsável ou pressionada por estar vivendo esse momento. Pelo contrário, sinto que é cada vez mais gostoso, uma energia a mais.”

    Retorno às competições

    Com o mental em dia, Bia Haddad agora volta suas atenções para os cuidados físicos antes de retomar o calendário de competições.

    Em Wimbledon, a brasileira teve que abandonar a partida contra a cazaque Elena Rybakina, nas oitavas de final, por conta de uma contratura muscular nas costas. Antes, a atleta já havia se retirado do confronto com a croata Petra Martic, pelo WTA 500 de Eastbourne. Problemas que não a preocupam para a sequência.

    Bia Haddad se queixou de dores nas costas no duelo pelas oitavas de final de Wimbledon
    Bia Haddad se queixou de dores nas costas no duelo pelas oitavas de final de Wimbledon / John Walton/PA Images via Getty Images

    A tenista tem pela frente, em agosto, o WTA 1000 de Montreal e o WTA 1000 de Cincinnati, antes de entrar em quadra no US Open, último Grand Slam do ano.

    “Ainda não peguei na raquete desde o meu último jogo. No dia seguinte à minha derrota, continuei trabalhando o corpo. Agora, para o Aberto dos Estados Unidos, o objetivo é chegar na segunda semana. E até o fim do ano, a meta é estar brigando pelo Finals e voltar para o Top 10”, completa a tenista.

    Apesar das lesões recentes, Bia Haddad entende que é preciso aproveitar o momento positivo e estar em quadra para manter o ritmo competitivo. É o que sua cabeça — de mais decisões certas do que erradas na quadra e fora dela — determina para a sequência de um ano que já é especial.