Clássico Harvard-Yale terá vaga nos playoffs após 150 anos de história

Pela primeira vez desde a era Woodrow Wilson, um dos times mais tradicionais do futebol americano universitário disputará uma fase eliminatória

Harry Enten, da CNN
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É uma rivalidade no futebol americano tão antiga que é conhecida simplesmente como "O Jogo".

A tradição já dura 150 anos, período maior do que potências do futebol americano como Alabama, Georgia e Notre Dame têm de existência no esporte.

E, ainda assim, a última (e única) vez que qualquer um desses rivais apareceu em um jogo pós-temporada foi durante o governo de Woodrow Wilson (1913 a 1921).

Tudo isso mudará este ano: o vencedor do jogo de sábado entre Harvard e Yale irá para os playoffs.

Acontece que as oito escolas mais poderosas do país que compõem a Ivy League – incluindo Harvard e Yale – vinham se auto-impondo um veto à participação em jogos pós-temporada desde a Segunda Guerra Mundial.

Uma das principais razões é que essas universidades não queriam participar da crescente comercialização do futebol americano universitário – que agora está em pleno vapor.

O veto auto-imposto chegou ao fim nesta última pré-temporada. O motivo? Os estudantes. Alunos dessas universidades pressionaram e convenceram a liga a permitir sua participação nos playoffs.

Para esclarecer, não estamos falando dos mesmos playoffs que envolvem as já mencionadas Alabama, Georgia, Ohio State e Notre Dame, embora fosse certamente interessante de ver.

O vencedor de Harvard-Yale se juntará aos playoffs da Football Championship Subdivision (FCS), que é uma divisão abaixo da Football Bowl Subdivision, que contém as potências mais reconhecidas do futebol universitário.

Isso pode fazer parecer fácil menosprezar esta partida, mas a história e a força dessas equipes sugerem o contrário.

Devo deixar claro que digo isso como um ex-aluno de Dartmouth que torce pelo time de Columbia.

Rivalidade

Harvard-Yale é a segunda rivalidade mais antiga do futebol americano universitário, superada apenas por Princeton e Yale. Quando se enfrentaram pela primeira vez em 1875, foi uma das primeiras vezes que o futebol americano foi jogado com regras que se assemelham às atuais.

O futebol americano que conhecemos hoje é popular graças a times como estes. Yale ainda mantém mais títulos universitários do que qualquer outra equipe, superando Alabama por dois. Harvard ainda está em oitavo lugar na lista de todos os tempos! Harvard, Yale e o resto da Ivy League foram forçados a sair da primeira divisão do futebol universitário no início dos anos 1980.

A grande história desses programas não deve diminuir o interesse atual. Ele permanece alto.

A média de público dos jogos entre Harvard e Yale no Yale Bowl é de cerca de 50 mil pessoas. Isso é mais do que a média de público de qualquer time da Major League Baseball.

O jogo também tem um prestígio cultural que poucos outros possuem: ele serve como ponto de partida para um dos melhores episódios de "Os Simpsons" de todos os tempos, "Burns, Baby Burns", onde o Sr. Burns descobre que tem um filho chamado Larry – interpretado pelo lendário comediante Rodney Dangerfield.

Mas, falando sério, é provável que seja um grande jogo.

Harvard está em 10º lugar no FCS entre 129 times. Eles não perderam nenhum jogo. Estão em sétimo lugar no ataque e em terceiro na defesa em pontos marcados. Têm vencido seus jogos por uma média superior a 25 pontos.

Yale chega ao jogo na 25ª posição do FCS. Perderam apenas uma partida, graças a uma defesa que está em sexto lugar em pontos sofridos. Têm vencido seus jogos por uma média de dois dígitos.

A história também sugere que será um bom jogo: os últimos cinco confrontos entre as duas equipes foram decididos por uma diferença de um touchdown ou menos.

Este jogo, no entanto, tem mais em jogo do que qualquer um dos anteriores.

O vencedor conquistará a Ivy League e automaticamente se classificará para os playoffs. O perdedor terá que torcer por uma vaga extra.

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