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Apesar de ataques dos EUA, times da Venezuela mantêm a rotina

Principais clubes retomaram treinos no mesmo dia da prisão de Nicolás Maduro

Jairo Nascimento, da CNN Brasil, São Paulo
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Os ataques em Caracas, na madrugada deste sábado (3) e que culminaram na prisão do presidente Nicolás Maduro, não alteraram a rotina dos principais times de futebol da Venezuela.

No momento, não há competições oficiais no país, porém horas depois das explosões na capital e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira, os times retomaram os treinos após uma pequena pausa entre o final do campeonato nacional e as festividades de Natal e Ano Novo.

Vida normal?

O Caracas FC é o principal clube do país e retomou os trabalhos físicos e táticos neste sábado (3). O Deportivo Táchira e o Zamora também iniciaram as atividades no mesmo dia.

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Já o Deportivo La Guaira anunciou os reforços para a temporada de 2026.

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O campeão venezuelano de 2025, o Universidad Central, ainda não confirmou quando retomará os preparativos após as férias.

A Federação Venezuela de Futebol não se manifestou até o momento sobre a crise com os EUA.

Como está a situação do futebol na Venezuela hoje?

A edição de 2025 da Liga FUTVE teve seu fim no dia 6 de dezembro. A Universidad Central derrotou o Carabobo na final do torneio e se sagrou campeão nacional.

Ainda não há uma definição de datas para o começo do campeonato nacional.

Incerteza na Libertadores

Os venezuelanos contam com quatro participantes na competição continental em 2026: Carabobo, Deportivo Táchira, Deportes La Guaira e Universidad Central de Venezuela.

Dentre eles, Táchira e Carabobo estreiam na fase prévia do torneio. O primeiro enfrenta o The Strongest-BOL, na 1ª fase da pré-Libertadores. As partidas estão definidas para os dias 2 e 9 de fevereiro, com o jogo da volta ocorrendo na Venezuela.

Por sua vez, o Carabobo estreia na segunda fase prévia, diante do Huachipato-CHI. Os jogos estão marcados para 17 e 24 de fevereiro, com o segundo a ser realizado em território venezuelano.

Deportes La Guaira e Universidad Central da Venezuela se classificaram diretamente para a fase de grupos e jogarão na competição apenas em abril.

Em caso de avanço do conflito no território venezuelano, os clubes poderão ser obrigados a mandar os jogos fora do país. Um cenário mais pessimista seria a proibição dos times de deixar a Venezuela, ou até mesmo a exclusão deles da Libertadores desta temporada.

Os ataques

Ao menos 40 pessoas foram mortas no ataque dos Estados Unidos na Venezuela no sábado (3), de acordo com um oficial venezuelano ouvido pelo jornal The New York Times. A ofensiva no país sul-americano permitiu a captura do ditador Nicolás Maduro, que deve ser julgado em solo norte-americano.

A ação dos Estados Unidos que capturou o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, foi uma surpresa, para muitos. Mas, de acordo com fontes da agência de notícias Reuters, o planejamento de uma das operações mais complexas dos EUA recentemente estava em andamento há meses e incluía ensaios detalhados.

As tropas de elite dos EUA, incluindo a Força Delta do Exército, criaram uma réplica exata do esconderijo de Maduro e praticaram como entrariam na residência fortemente fortificada.

A CIA, a agência de inteligência americana, tinha uma pequena equipe na Venezuela desde agosto, que foi capaz de fornecer informações sobre o padrão de vida de Maduro, o que tornou a captura dele mais fácil, de acordo com fontes da CNN e da Reuters.

Duas outras fontes disseram à Reuters que a CIA também tinha um "ativo" próximo a Maduro que monitorava seus movimentos e estava pronto para identificar sua localização exata à medida que a operação se desenrolava.

Com as peças no lugar, Trump aprovou a operação há alguns dias, mas os planejadores militares e de inteligência sugeriram que ele esperasse por condições climáticas melhores e menos nuvens.

Às 22h46 de sexta-feira (2), no horário de Washington, Trump deu o aval final para o que seria conhecido como Operação Resolução Absoluta, segundo o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, general Dan Caine.

Então, Trump assistiu a uma transmissão ao vivo dos eventos cercado por seus assessores na mansão de Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida.

Os detalhes do desenrolar da operação, que durou horas, baseia-se em entrevistas com quatro fontes familiarizadas com o assunto e em detalhes revelados pelo próprio Trump.

Detalhes da operação e extradição de Maduro

A captura de Maduro e Flores foi confirmada pelo presidente Donald Trump, que afirmou que o casal está a bordo do navio USS Iwo Jima rumo a Nova York. A missão militar, descrita como de "velocidade impressionante", contou com o apoio da CIA e da polícia americana para rastrear e deter os alvos em Caracas.

A Procuradora-Geral dos Estados Unidos, Pam Bondi, declarou que Maduro enfrentará a justiça americana por crimes contra o país. Com a chegada em solo americano, Maduro deve ser submetido ao sistema judicial para responder pelos mandados de prisão pendentes.

O governo dos EUA oferecia uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à sua detenção, valor atualizado em agosto de 2025.

Enquanto a Justiça dos EUA prepara o julgamento, a situação política na Venezuela permanece incerta, com o governo local tendo decretado emergência nacional e a oposição monitorando uma possível transição de poder.

 

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