
Curaçao, Haiti e Suriname mantêm vivo sonho de ir à Copa do Mundo de 2026
Pequenas nações disputam vagas históricas no Mundial do ano que vem

Curaçao pode se tornar o menor país a disputar uma Copa do Mundo, o Haiti — em meio a uma grave crise interna — tenta desafiar as probabilidades, e Suriname também tem chance de se classificar pela primeira vez quando as Eliminatórias da Concacaf chegam ao fim nesta terça-feira (18).
Além dos três, outras quatro seleções — Costa Rica, Honduras, Jamaica e Panamá — seguem na disputa pelas três vagas diretas destinadas à região no Mundial de 2026, que terá 48 participantes e será realizado no Canadá, México e Estados Unidos.
Os líderes de cada um dos três grupos garantem classificação direta. Já os dois melhores segundos colocados avançam à repescagem intercontinental, em março, que definirá mais duas vagas.
Curaçao, território autônomo do Reino dos Países Baixos com pouco mais de 150 mil habitantes, pode assumir o posto da menor nação a ir a uma Copa caso não perca para a Jamaica. A equipe, porém, não contará com o técnico Dick Advocaat, de 78 anos, que retornou à Holanda no fim de semana por motivos familiares.
Com um elenco formado majoritariamente por atletas com raízes antilhanas que atuam no futebol holandês, Curaçao assumiu a liderança do Grupo B após golear Bermudas por 7 a 0 na quinta-feira, enquanto a Jamaica ficou no empate contra Trinidad e Tobago.
Assim, os jamaicanos agora precisam vencer em casa para garantir a vaga.
“Queremos trazer um pouco de alegria em meio à adversidade, porque nada é melhor que um sorriso jamaicano”, afirmou o técnico Steve McClaren, esperançoso de que a classificação ajude o país a superar os impactos do furacão Melissa, que devastou regiões da Jamaica no mês passado.
No Grupo A, Suriname encerra sua campanha fora de casa contra a já eliminada Guatemala. Com saldo de cinco gols, contra dois do Panamá, a seleção surinamesa deve se classificar caso vença — a menos que o Panamá aplique uma goleada em El Salvador no mesmo horário.
Assim como Curaçao, Suriname — com cerca de 650 mil habitantes — também se apoiou nos vínculos com os Países Baixos para fortalecer sua equipe. “Estou satisfeito com o nível que alcançamos”, disse o técnico Stanley Menzo, ex-goleiro da seleção holandesa e do Ajax.
Haiti sonha com classificação histórica
Mesmo com os possíveis inéditos de Curaçao e Suriname, nenhum cenário se compara ao possível conto de fadas do Haiti. A única participação haitiana em Copas ocorreu em 1974, quando a equipe sofreu 14 gols em três jogos.
Hoje, o país vive uma crise profunda: guerras de gangues tomaram boa parte do território, e grupos armados controlam regiões de Porto Príncipe, incluindo o estádio nacional. A seleção foi obrigada a mandar seus jogos do Grupo C em Curaçao.
A vitória por 1 a 0 sobre a Costa Rica, na quinta-feira, deu ao Haiti uma chance real de classificação, embora a equipe esteja atrás de Honduras no saldo de gols. Enquanto Honduras viaja para enfrentar os costarriquenhos, o Haiti encara a lanterna Nicarágua em Willemstad, alimentando o sonho de superar a tragédia cotidiana e voltar ao cenário mundial.
As seis partidas derradeiras das Eliminatórias da Concacaf serão disputadas simultaneamente nesta terça-feira.


