Lionel Messi: o jogador que é maior que o Inter Miami… e o Mundial?
Com gol de falta decisivo, Messi leva mais de 31 mil torcedores ao êxtase em Atlanta
Na recém expandida Copa do Mundo de Clubes, na quinta-feira (19) em Atlanta, com o evento ainda em sua fase inicial, aquele velho ditado foi deixado de lado e substituído por uma pergunta nos lábios dos 31.783 presentes – pode um jogador ser maior que o torneio?
O astro do futebol em questão, é claro, era um certo Lionel Andrés Messi, para quem as massas haviam feito sua peregrinação para adorar, enquanto seu Inter Miami enfrentava o gigante português Porto, na segunda rodada do Grupo A.
Mas até um momento mágico de Messi aos 54 minutos, a partida corria o risco de se tornar um mero espetáculo secundário para torcedores expressarem sua admiração – na verdade, mais como uma paixão desenfreada – pelo jogador de 37 anos que há muito tempo consolidou seu status como um dos grandes do esporte.
E sejamos honestos: vencer praticamente tudo de relevante pelo Barcelona e Paris Saint-Germain – assim como por seu país, a Argentina, atual campeã da Copa do Mundo – não prejudica em nada seu histórico.
Antes do início do jogo, do lado de fora do Mercedes-Benz Stadium, era evidente como a atração de Messi não conhece limites – ou melhor, milhas. Embora houvesse torcedores de Atlanta presentes, a CNN Sports conversou com famílias da Louisiana, Alabama, Charleston, Washington DC e Buffalo, além de Porto Rico e Dublin, Irlanda.
Eles fizeram a viagem por um único motivo, apesar de um torcedor fazer seu melhor para convencer todos ao alcance de sua voz, incluindo ele mesmo, que "estamos aqui pelo futebol!" Dentro do estádio, quando Messi foi apresentado 30 minutos antes do início, o rugido da torcida relativamente escassa se assemelhava a um ambiente mais condizente com um estádio lotado.
O volume aumentou ainda mais quando ele entrou novamente com o estádio mais cheio, enquanto os jogadores faziam suas entradas individuais em campo, aparentemente uma referência à americanização do esporte – como o presidente da Fifa, Gianni Infantino, disse recentemente a Coy Wire da CNN Sports, este torneio entregará "63 Super Bowls em um mês."
Após o início da partida, a cada toque na bola do oito vezes vencedor da Bola de Ouro, os sons das arquibancadas variavam de "ooh"s" a assobios, com o canto "Me-ssi!" sendo o mais popular. Foi quase surpreendente que a torcida não tenha homenageado o argentino com um coro de "Parabéns a você", já que a lenda do Barça completa 38 anos na próxima terça-feira (24).
A partida começou lenta, mas explodiu na segunda etapa. O Inter Miami se viu em desvantagem no intervalo, graças a um pênalti convertido por Samu Aghehowa, do Porto.
Após a cobrança ser convertida, a reação de Messi próximo ao círculo central foi manter a mão firmemente no quadril e não mover um músculo por bons 10 segundos, de uma maneira que sugeria: "Este não era o plano." Talvez, então, tenha sido o Porto que não planejou a rápida resposta do Inter Miami.
Apenas dois minutos após o início do segundo tempo, a finalização inteligente de Telasco Segovia passou pelo goleiro Cláudio Ramos e igualou o placar, e sete minutos depois, Messi entrou em ação. Em todos os sentidos.
Obra de arte de Messi
Uma falta na entrada da área, que o próprio craque argentino sofreu, levou a torcida à beira de seus assentos. Um sentimento de inevitabilidade pairava no ar enquanto o maestro marcava seu território e calculava o ângulo exato para colocar um chute com efeito no canto da rede. Quase dava pena de Ramos, que não conseguiu tocar em nenhum dos chutes.
O gol foi uma obra de arte, como temos sido presenteados com frequência ao longo dos anos, com o defensor português José Fonte elogiando Messi na transmissão da DAZN: "Tocado por Deus, não é? Incrível. Que jogador."
O golaço acabou não sendo apenas o vencedor da partida, mas resultou na primeira vez que uma equipe da região da Concacaf derrotou um time europeu em uma partida competitiva.
Foi também o 50º gol de Messi pelo time. Nada mal para uma quinta-feira à tarde em meados de junho. Um empate no último jogo do grupo contra o Palmeiras na próxima segunda-feira garantirá a vaga do Inter Miami na fase eliminatória.
Analisando além do burburinho, é de se questionar o que os poderosos da Fifa pensam de tudo isso.
O órgão regulador do esporte essencialmente acelerou a entrada do Inter Miami no torneio de 32 equipes, não por ter vencido a MLS Cup, mas sim pelo título da temporada regular Supporters Shield, que pode até ter vindo com um troféu, mas é fundamentalmente apenas um caminho para os playoffs.
Messi e Miami foram surpreendentemente eliminados no ano passado em uma série playoff melhor de três pelo time que normalmente pode ser encontrado jogando neste impressionante estádio de 70 mil lugares, o Atlanta United, com a MLS Cup sendo posteriormente erguida pelo LA Galaxy.
Mas o Seattle Sounders e o LAFC completaram o contingente das três equipes da MLS no Mundial de Clubes, deixando o Galaxy de fora, observando com inveja a maior estrela de todas.

E com o Mundial de Clubes finalmente encontrando seu caminho, graças ao pé esquerdo de Messi resultando em um dos primeiros momentos marcantes do torneio, a realidade é que ele é quem atraiu as multidões aqui na quinta-feira, e no sábado passado também, com o jogo de abertura do torneio atraindo mais de 60 mil torcedores ao Hard Rock Stadium, base americana de Messi em Miami.
O Inter Miami é uma franquia relativamente nova da MLS, com o coproprietário David Beckham – que pode ter sentido uma pequena dose de simpatia por seu ex-clube, o LA Galaxy, não ter recebido um convite para a festa da Fifa – sendo o motivo original para esta franquia ganhar relevância em 2018.
Se o Mundial de Clubes – que está programado para acontecer a cada quatro anos, no mesmo ciclo que o já mais estabelecido Mundial da Fifa, que completará 96 anos no próximo verão – pode crescer em importância, isso ainda está para ser visto.
No momento atual, Messi e apenas Messi está na mente de todos os afortunados que têm a chance de vê-lo em ação. E isso se estende aos jogadores também.
Quando a CNN Sports conversa com o companheiro de equipe de Messi, Fafà Picault, após a partida, as três palavras que o ponta associa ao superastro do futebol são "líder, vencedor e vencedor novamente", antes de observar:
"Às vezes, não é sempre dito com palavras, mas apenas com sinais e ações corporais, então tentamos interpretar isso. Obviamente, temos conversas a portas fechadas, mas há muito mais do que apenas falar que pode mostrar sinais de liderança."



