João Vítor Xavier avalia aumento de imposto para SAFs: “Pode desestruturar”

Análise do projeto que trata da segunda etapa da regulamentação da reforma tributária acontece nesta terça-feira (16)

Ana Cristina Schwambach, da CNN Brasil
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A Câmara dos Deputados retoma, nesta terça-feira (16), a análise do projeto que trata da segunda etapa da regulamentação da reforma tributária. Estão em pauta os destaques 9 e 10, que podem alterar as taxas cobradas às Sociedades Anônimas do Futebol, as SAFs.

A Câmara pode reverter uma mudança feita pelo Senado Federal e diminuir a tributação das SAFs. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), defende a manutenção da alíquota de 5%, aprovada anteriormente pelo Senado, em vez dos 8,5% que constam no texto atual da reforma tributária.

João Vítor Xavier, apresentador do CNN Esportes S/A, analisou durante participação no Live CNN desta terça-feira (16) que o aumento seria grave para os projetos, principalmente aqueles que já estão em andamento.

"Os investidores internacionais que vieram para cá, os investidores brasileiros que acreditaram no futebol do Brasil e investiram seus recursos nas SAFs, eles já fizeram como a previsão de um investimento tributário de 5%. E agora entrou uma emenda tentando modificar esse valor de 5% para mais de 8%. O que é muito grave", explicou.

Para o apresentador e jornalista, o aumento pode desestruturar a cadeia do futebol brasileiro.

Quando você começa a olhar um projeto e começa a fazer as contas e descobre da noite pro dia que você entrou num projeto com 5% de taxação e que da noite para o dia esses 5% podem virar 8%, isso é muito grave, isso pode desestruturar toda a cadeia do futebol brasileiro
João Vítor Xavier, apresentador do CNN Esportes S/A

Impacto na cadeia do futebol

João Vítor Xavier frisou que a decisão pelo aumento seria ruim não só para os clubes que já operam no modelo de SAF, mas também para aqueles que podem vir a ser, atrapalhando toda a cadeia do futebol nacional.

"Quando você muda em 3% a alíquota tributária dos clubes de futebol, primeiro que você atrapalha toda a cadeia do futebol, você atrapalha os clubes que já são e você atrapalha os clubes que podem vir a ser, porque 3% de impacto tributário é muito grande. E você ainda impacta na jogabilidade. Por quê? Porque esses 3% talvez sejam dinheiro para você contratar um atacante, para pagar uma conta, para você pagar um investimento de um jogador que pode vir jogar no seu clube, para você investir nas categorias de base. Então é um impacto muito grande e é um desequilíbrio muito grande para a cadeia produtiva do futebol", explicou.

Destaques a serem votados

Os parlamentares analisam, nesta terça-feira (16), destaques da regulamentação da reforma tributária. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), junto aos líderes, firmou entendimento de deixar a apreciação dos destaques para esta terça para dar maior tempo às negociações.

A sessão está marcada para começar às 14h, mas como é de costume a ordem do dia deve ter início às 16h. Além das taxas cobradas às SAFs, também está na pauta projeto que prevê o corte linear de benefícios tributários, visto como crucial para o Executivo equilibrar as contas em 2026.

Outro destaque que deve ser apreciado quer retomar trecho inserido pelo Senado Federal com teto máximo de 2% para bebidas açucaradas. O texto-base não contém a previsão.

O projeto de lei complementar que teve o texto-base aprovado conclui a reforma tributária ao detalhar as regras de funcionamento dos novos tributos: o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

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