Naming rights impulsionam receitas dos Estaduais no Brasil; entenda
Parcerias comerciais ampliam presença de marcas e fortalecem torneios regionais

Os campeonatos estaduais têm ampliado receitas com acordos de naming rights. Das 27 federações que organizam competições regionais, 18 firmaram contratos para incluir patrocinadores nos nomes dos torneios.
A estratégia ganhou força após a pandemia e movimenta cifras estimadas entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões nas principais entidades.
A temporada trouxe mudanças em relação a 2025.
O Campeonato Paulista passou a contar com as Casas Bahia como parceira, enquanto outros regionais também fecharam novos acordos. O Roraimense se associou à GiroAgro, o Goiano firmou contrato com a varejista Novo Mundo e o Baiano passou a ter a bet Mansão Green como patrocinadora.
Entidades do Acre, Amapá, Distrito Federal, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina e Sergipe também possuem acordos de naming rights para esta temporada.
O Paulistão ainda manteve ativações comerciais paralelas.
O troféu Craque do Jogo 7K segue sendo entregue ao melhor jogador de cada partida, com votação realizada nas redes sociais oficiais do torneio. A premiação é patrocinada pela 7K Bet, do grupo Ana Gaming, que renovou o acordo com a competição.
Plataforma de relacionamento
Para Leonardo Sodré, CEO do Grupo GIROAgro, o investimento faz parte do plano de expansão da companhia.
“Esse projeto vai muito além da visibilidade de marca. Enxergamos o Campeonato Roraimense como uma plataforma de relacionamento, expansão de mercado e construção de novas rotas de trabalho. Estar conectado ao esporte é estar próximo das pessoas, valorizar o agronegócio brasileiro e unir as duas paixões nacionais: o agro e o futebol”, destaca.
Gustavo Afonso Ribeiro e Lacerda, founder e conselheiro da Ana Gaming, avalia que a parceria reforça a presença da empresa no futebol.
“Renovar o patrocínio ao Paulistão reafirma a nossa convicção de que o esporte é uma das plataformas mais fortes de conexão com o público brasileiro. Já o Craque do Jogo 7K é uma forma de valorizar o desempenho dentro de campo e de garantir a presença da marca ao lado do destaque de cada uma das partidas”, afirma.
Interesse comercial
Especialistas em marketing esportivo apontam que mudanças no calendário, com a realização simultânea de Estaduais e Brasileirão, não reduziram o interesse comercial.
“Não percebemos perda de força de captação, talvez pela forma que aprendemos a comercializar este tipo de produto com relação ao mercado publicitário. Além disso, existe algo bem forte que são as marcas regionais; elas querem estar presentes no futebol e pagando valores onde o custo benefício é altamente vantajoso. Já as marcas nacionais necessitam ter uma presença assertiva dentro dessas localidades", comparou Renê Salviano, CEO da Heatmap.
"São investimentos totalmente diferentes. O Estadual sempre foi e sempre será uma forma direta de diálogo com uma comunidade direcionada, tudo isso a um custo totalmente viável quando se trata do esporte número um do país”, analisou.
Fábio Wolff, sócio-diretor da Wolff Sports, destaca o valor histórico das competições regionais para clubes e patrocinadores.
“O Brasil possui tamanho de um continente, então é possível afirmar que os campeonatos regionais, além de terem apelo e serem tradicionais, são vitais para muitos clubes Brasil a fora. Sem a presença deles, e consequentemente às marcas que os patrocinam, muitos perderiam o oxigênio, a razão de existir”, diz.



