Após acordo do Flamengo com a Libra, Palmeiras anuncia saída do bloco
Clube cita atitudes egoístas de membros do bloco
Nesta terça-feira (5), o Palmeiras anunciou a saída da Libra. O clube justificou "atitudes egoístas" numa clara insatisfação após o Flamengo fechar acordo com o bloco.
"É inegável que o bloco obteve conquistas, entre elas o acordo pelos direitos de TV. Ao longo desse processo, contudo, atitudes egoístas – quando não predatórias – inviabilizaram a coesão necessária para um modelo compartilhado de gestão e governança", escreveu o clube em nota.
Estopim
Flamengo e Libra chegaram a um acordo nesta terça-feira. O contrato com a Globo renderá cerca de R$ 140 milhões adicionais ao Flamengo até 2029. A parcela relativa a audiência representará, portanto, cerca de R$ 30 milhões a mais por ano em relação ao contrato anterior com a Globo.
O Palmeiras não concorda com a situação. O acordo do Flamengo foi o estopim para a saída do alviverde do bloco.
Veja nota do Palmeiras
O Palmeiras comunica que formalizou a decisão de se retirar da LIBRA, por divergências relacionadas ao papel atual do bloco.
Desde as tratativas iniciais, em 2022, o clube participou das discussões voltadas à construção de uma liga unificada, convicto de que tal iniciativa representaria um avanço do futebol nacional.
É inegável que o bloco obteve conquistas, entre elas o acordo pelos direitos de TV. Ao longo desse processo, contudo, atitudes egoístas – quando não predatórias – inviabilizaram a coesão necessária para um modelo compartilhado de gestão e governança.
Desse modo, a LIBRA acabou por se distanciar de seus propósitos originais, consolidando-se como um grupo heterogêneo dedicado a tratar de interesses individuais.
A saída da LIBRA não implica adesão do Palmeiras a qualquer outra associação representativa. O clube opta, neste momento, por acompanhar os próximos passos da possível estruturação de uma liga, conduzida no âmbito institucional da CBF.
Seguimos abertos ao diálogo e dispostos a contribuir por meio de medidas que possam efetivamente promover a evolução estrutural de que o futebol nacional necessita.
Como começou o conflito
Em 2024, a Libra negociou com a Globo os direitos de transmissão do Brasileirão para o ciclo 2025–2029. O modelo aprovado previa divisão de receitas em três partes: 40% igualitário, 30% por desempenho e 30% por audiência.
A divergência é justamente nessa última parcela. O Flamengo afirma que o anexo que define o cálculo da audiência carece de elementos técnicos que permitam sua execução. Após tentativas de resolver o impasse internamente, o clube obteve liminar no Tribunal de Justiça do Rio que determinou o depósito em juízo de R$ 77,1 milhões — valor referente à sua fatia na primeira parcela do acordo.
A medida, no entanto, suspendeu o fluxo de pagamentos aos demais integrantes da Libra, que hoje reúne Bragantino, São Paulo, Santos, Atlético-MG, Bahia, Grêmio e o próprio Flamengo.
Embates de presidentes
Ano passado, a presidente Leila Pereira fez críticas contundentes à postura do Flamengo e acionou o rival na Justiça por danos decorrentes do bloqueio de repasses. Em tom irônico, ela sugeriu até a criação de uma nova liga sem o Rubro-Negro.
Acho que seria bonito nós criarmos uma nova liga, excluindo o Flamengo, e o Flamengo joga com ele mesmo. Quero ver a audiência que vai ter
À época, o presidente do Flamengo não deixou do responder a provocação e retrucou a ameaça.
Claro que o Flamengo não vai jogar sozinho. Isso são guerras de narrativas absolutamente tolas. Até porque, se o Flamengo jogasse sozinho, o dinheiro que sobraria para os outros seria muito pouco