Partida tem 53 expulsos, ameaça de morte, soco, pontapés e recorde mundial

Briga generalizada já nos acréscimos do segundo tempo causou a maior parte dos cartões vermelhos; 50 pessoas foram expulsas na confusão e outras três durante o jogo

Giovanna Rafaela Castro, da Itatiaia, parceiro da CNN Brasil

O jogo entre Uberlândia e Mamoré, pela semifinal da Segunda Divisão do Campeonato Mineiro sub-20, ficará marcado na história. A partida no Parque do Sabiá, em Uberlândia, teve 53 expulsos, sendo 43 jogadores, oito integrantes das comissões técnicas e dois dirigentes.

Uma briga generalizada já nos acréscimos do segundo tempo causou a maior parte dos cartões vermelhos. 50 pessoas foram expulsas na confusão.

Aos 54 minutos do segundo tempo, o Mamoré fez o terceiro gol e fechou a vitória por 3 a 1. Na comemoração, o atleta Davi fez "gestos provocativos e inflamatórios" em direção ao banco de reservas do Uberlândia e disse: “Aqui é Mamoré, vai tomar no c* por*! Chupa! Vai se f*!”.

A ação ocasionou uma briga generalizada. Na súmula, o árbitro Fernando Patrick detalhou: "Expulso por, durante a briga generalizada, após o término da partida, desferir e atingir com socos e pontapés seus adversários, não sendo possível apresentar o cartão vermelho devido ao tumulto".

No total foram 24 expulsos do Uberlândia e 29 do Mamoré.

O número quebrou o recorde mundial registrado pelo Guiness Book. Antes, a maior quantidade de cartões vermelhos registrada foi de 36, em um jogo da quinta divisão da Argentina, entre Atlético Claypole e Victoriano Arenas, em 27 de fevereiro de 2011.

Dirigentes

Willer Francisco Silva, gerente de futebol profissional do Uberlândia, e André Luiz Nascimento, gerente de futebol de base do Uberlândia, receberam cartões vermelhos por xingarem e ameaçarem Fernando Patrick. O árbitro registrou um boletim de ocorrência.

“Vocês não vão sair daqui hoje, vocês acham que vão conseguir sair da cidade, vamos pegar vocês, vieram aqui pra f... a gente!”, disse um dos dirigentes.

“Vou te socar, você não vai sair daqui. Quero ver se você vai sair escoltado. Vem pra mão, vou pegar você lá fora, vai ser só eu e você, filho da p..., vontade de te matar, seu m...", completou Willer, enquanto fazia gesto de roubo com as mãos.

Outras expulsões

Além dos envolvidos na briga, outros três jogadores receberam cartão vermelho por situações da partida.

Aos sete minutos do segundo tempo, Luike, do Uberlândia, recebeu o segundo cartão amarelo por falta no adversário.

Aos 22 minutos, o goleiro João Henrique, do Mamoré, recebeu o segundo cartão amarelo após reclamar de uma falta. O juiz declarou que o jogador foi em sua direção 'De forma acintosa, proferindo aos gritos os seguintes dizeres: 'Você tá de sacanagem, o cara me deu um soco! Você tem que ver isso!"'.

Aos 23 minutos, Nelzi Neto, do Uberlândia, foi expulso após dar um soco no abdômen do goleiro João Henrique.

Expulsos

Jogadores

Uberlândia: Luike Santos, Neto Cardoso, Santiago Novellino, Pedro Marques, Lucas Caixeta, Pietro Silveira, Alírio Neto, Ítalo Medeiros, Pedro Santos, Micaell Antunes, Vinicyus Silva, Arthur Matias, Francesco Pozzo, Jhonnatan Barbosa, Pedro Souza, Jaaziel Pereira, Arthur Souza, Ítalo Santos, Marcio Guimarães, Paulo Junior, Caio Santos e Luiz Santos.

Mamoré: João Vieira, Davi Bittencourt, Pedro Silva, Arthur Bessa, Daniel Souza, João Araujo, Deivison Carrijo, Vitor França, Luiz Carnaúba, Fabio Camara, Arthur Esmélia, Rafael Silva, Kauã Moreira, Arídio Neto, Matheus Lima, Vitor Gonçalves, Augusto Nunes, Natan Pereira, Ronald Marinho, Kaiki Santos e Gustavo Dias.

Comissão técnica

Uberlândia: Paulo Sérgio (preparador de goleiros), Brian Oliveira (fisioterapeuta), Marcelo Ferreira (técnico) e Gabriell Vieira (preparador físico).

Mamoré: Vinicius Chaves (preparador de goleiros), Francisco Domingues (auxiliar técnico), Gabriel Castro (massagista) e Quintino Filho (técnico).

Dirigentes

Uberlândia: Willer Silva (gerente de futebol profissional) e André Nascimento (gerente de futebol de base).

Outras ocorrências

Na súmula da partida, o árbitro Fernando Patrick relatou outras ocorrências. Veja:

"Aos 8 minutos do segundo tempo, após a expulsão do atleta de número 06 da equipe do Uberlândia, em razão de uma ação caracterizada como braço temerário, iniciou-se uma situação de extrema pressão e hostilidade contra a equipe de arbitragem.

Diversos dirigentes da equipe do Uberlândia, liderados por Fábio Mineiro, proprietário do clube, invadiram o campo de jogo e passaram a nos ofender, ameaçar e contestar insistentemente a decisão de expulsão. Os dirigentes exigiam que a decisão fosse revista e que a partida não fosse reiniciada enquanto não houvesse a sua reversão. Além disso, alegavam que eu deveria ter aplicado um cartão ao atleta da equipe do E.C. Mamoré em um lance ocorrido anteriormente.

Ressalto, ainda, que, antes mesmo do início de toda essa situação, os dirigentes já haviam exercido pressão sobre o Assistente 1, Bernardo de Souza Pádua, buscando induzi-lo a interferir na decisão da expulsão e a fazer com que eu reconsiderasse a marcação. Nesse momento, identificamos que os senhores Wiler Francisco Silva, gerente de futebol profissional do Uberlândia; André Luiz Nascimento, gerente de futebol de base do Uberlândia; e Junior Caetano, coordenador de base do Uberlândia, invadiram o campo de jogo e partiram em direção à equipe de arbitragem, com os dedos em riste, de forma extremamente agressiva e intimidadória, proferindo os seguintes dizeres: "Vocês não vão sair daqui hoje, vocês acham que vão conseguir sair da cidade, vamos pegar vocês, vieram aqui pra f... a gente!" Informo que nesse momento apresentei o cartão vermelho para o senhor Wiler Silva e André Luiz, pois os referidos estavam usando camisas com identificação da equipe do Uberlândia, porém os dois senhores não se encontravam relacionados na pré súmula.

Durante o episódio, Fábio Mineiro dirigiu-se a mim de maneira extremamente agressiva e intimidadória, proferindo as seguintes declarações: "Você nunca mais vai apitar. Eu vou fazer de tudo para que você não trabalhe mais. Eu posso parar, mas vocês também irão parar. Eu vou tirar o Uberlândia de campo, toda vez vocês vêm armados para o jogo do Uberlândia! Eles não têm nada a ver com o que você fez, a culpa é toda sua. Já liguei pra todo mundo, Santiago, Castellar e você vai ver comigo. Eu já levantei vários times, eu faço bem para o futebol mineiro e, se for preciso, eu coloco Uberlândia lá em São Paulo. Vergonha, cara, eu luto demais por isso aqui".

Na sequência, o dirigente Wiler Silva, gerente de futebol da equipe do Uberlândia, também passou a dirigir-se a mim de maneira extremamente agressiva e ameaçadora, proferindo as seguintes palavras: "Vou te socar, você não vai sair daqui. Quero ver se você vai sair escoltado. Vem pra mão, vou pegar você lá fora, vai ser só eu e você, filho da p..., vontade de te matar, seu m... Além das ameaças verbais, Wiler Silva continuou a se manifestar de forma agressiva, realizando gestos que simulavam roubo com as mãos em direção à equipe de arbitragem.

Enquanto as ameaças e ofensas eram proferidas, os demais dirigentes da equipe também se manifestavam de forma hostil, com diversas pessoas falando simultaneamente, dificultando a condução da partida. A equipe de arbitragem foi impedida de reiniciar o jogo diante da insistência dos dirigentes em exigir a reversão da decisão tomada em campo. Informo que a partida permaneceu paralisada por 40 minutos, até que todos os dirigentes que invadiram o campo de jogo fossem retirados, e após a confirmação da equipe de segurança sobre as garantias das condições necessárias de segurança para a continuidade da partida. Após esse fato a partida foi reiniciada.

Informo que, no momento em que faria a apresentação dos cartões vermelhos ao atleta de número 02 do Mamoré e o preparador de goleiros do Uberlândia, aos 54 minutos do segundo tempo, houve o início à briga generalizada, impossibilitando a apresentação dos cartões vermelhos e a realização do protocolo de encerramento da partida. Sendo assim, em função de todo o tumulto e a falta de segurança, dei a partida como encerrada.

Informo que, durante a briga generalizada, os gandulas Carlos Eduardo de Andrade, Lucas Daniel Pereira Turra, Kauan Moraes Maria, João Arthur Alves de Amorim, Matheus Campos de Freitas e Luís Felipe da Silva desferiram socos, pontapés e arremessaram diversos objetos nos atletas e comissão técnica da equipe do Mamoré.

Após os atletas da equipe do E.C. Mamoré se dirigirem em direção ao vestiário, o Sr. Wiler Francisco Silva correu até o local onde os mesmos se encontravam e passou a desferir chutes contra os atletas da referida equipe. Na sequência, após os atletas entrarem no vestiário, o referido dirigente arremessou o cooler de água, a bolsa do massagista e diversos outros materiais pertencentes à equipe do E.C. Mamoré em uma vala existente no estádio.

Cumpro informar que, após o término da partida e enquanto estávamos no vestiário da arbitragem, o Sr. Bernardo Lage, diretor de futebol do Uberlândia, nos informou que o vestiário que se encontrava a equipe do E.C. Mamoré havia sido depredado pela equipe do Mamoré, e que seria lavrado um boletim de ocorrência apresentando os danos causados pela equipe. Informo que não foi apresentado o boletim de ocorrência até a confecção da súmula.

Informo, ainda, que, em decorrência das ameaças proferidas pelo Sr. Wiler Francisco Silva contra o árbitro principal da partida, foi lavrado Boletim de Ocorrência, sob o nº 2026-051046625-001, para o devido registro dos fatos e das ameaças sofridas."

 

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