
Casares perde força no São Paulo após rompimento de quatro grupos de apoio
Segundo informações do UOL, membros do "Coalizão" racharam com o presidente do Tricolor

A situação conturbada de Julio Casares na presidência do São Paulo ganhou um novo capítulo.
Nesta quinta-feira (8), quatro grupos da união política "Coalizão", deixaram de apoiar o dirigente do Tricolor. As informações foram divulgadas pelo UOL.
Juntos, o "Vanguarda Tricolor", "Participação São-paulina", "Sempre Tricolor" e "Legião Tricolor", representam 125 dos 255 conselheiros do São Paulo. Com isso, Julio Casares perde força nos bastidores do clube.
Ainda de acordo com informações do UOL, o racha foi encarado como mais uma bomba nos bastidores do clube paulista.
A decisão por deixar de apoiar Julio Casares acabou sendo tomada por consenso entre as lideranças dos quatro grupos políticos.
Agora, o dirigente conta com o apoio de apenas três grupos dentro do clube: o "MSP (Movimento São Paulo FC)", "Força Tricolor" e o "Super".
A saída dos grupos reduz a sustentação de Julio Casares dentro do Conselho Deliberativo do São Paulo.
Votação do impeachment de Casares
O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, Olten Ayres, agendou para a próxima quarta-feira (14) a votação do impeachment do presidente tricolor, Julio Casares. O início está previsto para 18h30.
Para que o impeachment seja aprovado, é preciso haver voto favorável de maioria qualificada, dois terços do Conselho (171 votos dos 255 possíveis). Isso iria impor um afastamento provisório do presidente.
Depois, em até 30 dias após a votação do Conselho, uma Assembleia Geral de sócios do clube deve ser instituída para ratificar a decisão do Conselho Deliberativo. Nesta instância, basta maioria simples.
Se Julio Casares for destituído, quem assume a presidência do São Paulo é o vice-presidente Harry Massis Junior até a eleição deste ano. No clube paulista, a votação para presidente é indireta, são os conselheiros que elegem o novo mandatário.
A decisão de agendar a votação para a semana que acontece logo após o Conselho Consultivo do São Paulo se posicionar contra o impeachment do dirigente por "falta de provas".
Polícia investiga Casares
A situação de Julio Casares se complicou na presidência do São Paulo após um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) apontar que o mandatário recebeu R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro vivo entre janeiro de 2023 e maio de 2025.
O valor corresponde a 47% da renda total do dirigente no período, segundo documentos publicados pelo Uol nesta terça-feira (6).
Os depósitos teriam acontecido de forma fracionada, prática que o Coaf define como uma tentativa de burlar os mecanismos de controle e fiscalização — chamada de "smurfing".
A justificativa de Julio Casares ao banco foi de que os recursos recebidos em espécie são referente à bonificações de campeonatos. O próprio banco alertou ao Coaf, em 2023, que as operações na conta do presidente estavam fora do padrão.
Os relatórios do Coaf embasam investigação da Polícia Civil sobre possíveis desvios de dinheiro no São Paulo. De acordo com as apurações, foram sacados do clube R$ 11 milhões em espécie, entre janeiro de 2021 e novembro de 2025.
Contudo, os saques do clube não tem correlação com os depósitos na conta do dirigente.
Casares se defende
Através de nota oficial, assinada pelos advogados de defesa de Julio Casares, o presidente do São Paulo se posicionou:
"Os advogados Daniel Biaiski e Bruno Borragine, que representam a defesa particular de Julio Casares, afirmam que todas as movimentações financeiras de Julio, contidas nos relatórios do COAF, possuem origem licita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira.
Esclareça-se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração.
Ademais, a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhadas e esclarecidas no curso das investigações - com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais - justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso à integralidade do inquérito policial".


