Olimpíadas dia #16: NBA contra NBA na final do basquete masculino

Dia marcou também a prata de Pedro Barros no skate park, resultado que fez o Brasil igualar as 19 medalhas conquistadas na Rio-2016

Douglas Vieira, Leandro Silveira, Marcelo Tuvuca e Paulo Junior, colaboração para a CNN; Daniel Fernandes e Wellington Ramalhoso, da CNN
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As duas semifinais do basquete masculino realizadas hoje confirmaram o reencontro da França com a sempre poderosa seleção dos Estados Unidos na final do basquete masculino, em Tóquio, marcada para 7 de agosto. Os dois times se encontraram pela primeira vez no Japão logo na primeira rodada da modalidade na competição, e os franceses foram responsáveis por uma noite de pesadelo para o Dream Team, que saiu derrotado por 83 a 76.

Se é impossível não apontar o favoritismo dos norte-americanos sempre que se fala da modalidade, é impossível também não registrar que não foi apenas o acaso de um dia ruim que os derrotou no último dia 25 de julho. Do outro lado, na França, estava um time repleto de jogadores da NBA, a liga de basquete norte-americana, acostumados a jogar contra os astros dos EUA.

Toco de Nicolas Batum garantiu vitória da França no basquete masculino
Toco de Nicolas Batum em lance do esloveno Klemen Prepelic – o último da partida – garantiu vitória da França no basquete masculino
Foto: Charlie Neibergall - 5.ago.2021/AP

Não tem susto para o francês Nicolas Batum, do Los Angeles Clippers, quando ele encontra pela frente Kevin Durant, do Brooklyn Nets, nem quando o pivô da França Rudy Gobert, que joga pelo Utah Jazz, se prepara para marcar Damian Lillard, do Portland Trail Blazers, ou partir para cima de Dreymond Green, do Golden State Warriors. É rotina.

E os franceses têm ainda outros três jogadores vindos da NBA: Frank Ntilikina, armador nos New York Knicks, Evan Fournier, ala-armador do Boston Celtics, e Timothé Luwawu-Cabarrot, ala-armador do Brooklyn Nets.

A dificuldade é a necessidade constante de trocas durante as partidas de basquete. Do outro lado, os EUA tem todo seu elenco formado por astros, incluindo os atuais campeões da NBA, jogando pelo Milwaukee Bucks, Jrue Holiday e Khris Middleton. O banco de reservas não pesou na primeira partida entre as duas seleções, mas final é final, tudo muda.

Kevin Durant
Kevin Durant foi o cestinha do Dream Team no duelo contra a Espanha
Foto: Charlie Neibergall/AP

As semifinais

O Dream Team venceu, na madrugada de hoje (5), a Austrália por 97 a 78. A equipe até tomou algum susto, com uma desvantagem de 15 pontos. Mas, em apenas 10 minutos apertando o ritmo, inverteu para seu lado a mesma de 15 pontos. Em um piscar de olhos, a Austrália, que fazia grande jogo, estava desmontada.

Ao contrário dos norte-americanos, já na manhã desta quinta-feira (5), os franceses precisaram suar até o segundo final para vencer a Eslovênia de Luka Doncic -- outro astro da NBA, jogador do Dallas Mavericks -- por 90 a 89. A partida foi decidida no último segundo, como manda a cartilha dos grandes jogos. No último lance, Klemen Prepelic partia para a sexta que daria a vitória aos eslovenos, mas Nicolas Tatum deu um toco, o relógio zerou e a França manteve a vantagem de um ponto. O lance está imediatamente colocado entre os grandes lances da história do basquete olimpico.

Os ouros olímpicos de hoje

Caio Bonfim fecha marcha atlética 20km em 13º

O forte calor na cidade de Sapporo marcou a disputa da marcha atlética 20 km nesta quinta. O melhor brasileiro foi Caio Bonfim, 13º colocado, que fechou a prova com o tempo de 1h23min21s - pouco mais de dois segundos após o italiano Massimo Stano, medalha de ouro. Quarto colocado em 2016, ele cumpriu boa parte da prova entre os 20 primeiros, mas não conseguiu avançar além do 13º lugar nos últimos quilômetros.

Massimo Stano comemora a vitória na marcha atlética 20 km nas Olimpíadas 2020
Italiano Massimo Stano comemora a vitória na marcha atlética 20 km nas Olimpíadas 2020
Foto: Eugene Hoshiko - 5.ago.2021/AP

O italiano Massimo Stano venceu a disputa contra os japoneses Koki Ikeda e Toshikazu Yamanishi - prata e bronze, respectivamente - para fechar a competição em 1h21min05s. Outros dois brasileiros participaram: Matheus Correa, 46º colocado, e Lucas Mazzo, que não concluiu a prova.

O nível da Olimpíada é altíssimo. Me preparei muito bem e queria cruzar a linha com a sensação de que dei tudo o que podia, na preparação e na prova. Foi o que fiz, mas nem sempre a gente consegue fazer a melhor prova. Cheguei na frente de dois campeões mundiais e medalhista olímpico. O que aconteceu com esses caras? Não é fácil
Caio Bonfim, ao Olimpíada Todo Dia

Quebras de recorde olímpico no atletismo

Foi apenas a semifinal dos 1.500m, mas a prova já tem um novo recordista olímpico: o queniano Abel Kipsang, que completou a bateria em 3min31s65 e derrubou a marca do compatriota Noah Ngeny (3min32s07) registrada em Sydney-2000. Kipsang largará na final, marcada para 8h40 de sábado (7), como favorito ao ouro.

Abel Kipsang nas semifinais dos 1.500m no atletismo das Olimpíadas 2020
Abel Kipsang nas semifinais dos 1.500m no atletismo das Olimpíadas 2020; queniano bateu recorde olímpico
Foto: Petr David Josek - 5.ago.2021/AP

Outro recorde olímpico que caiu foi no decatlo, onde os atletas competem em dez provas do atletismo: 100m rasos, salto em distância, arremesso de peso, 400m rasos, 110m com barreiras, arremesso de disco, salto com vara, lançamento de dardo e 1.500m.

O canadense Damian Warner acumulou 9.018 pontos nas dez provas e conquistou a medalha de ouro, ao mesmo tempo em que bateu o recorde olímpico anterior - 8.893 pontos, alcançados pelo tcheco Roman Sebrle (Atenas-2004) e o norte-americano Ashton Eaton (Rio-2016). A final do decatlo contou com um brasileiro: Felipe dos Santos, 18º colocado com 7.880 pontos.

Felipe dos Santos na prova do arremesso de disco no decatlo das Olimpíadas 2020
Brasileiro Felipe dos Santos disputa a prova do arremesso de disco no decatlo das Olimpíadas 2020
Foto: Matthias Schrader - 5.ago.2021/AP

Terceira medalha brasileira no skate

Na disputa masculina do park, o país faturou a medalha de prata com Pedro Barros. Com três brasileiros na final, a competição desta quinta-feira (5) foi vencida pelo australiano Keegan Palmer, que brilhou ao obter duas notas acima de 94 na final. E o norte-americano Cory Juneau ficou na terceira posição. Luiz Francisco, o Luizinho, o melhor das eliminatórias foi o quarto colocado, com Pedro Quintas na oitava posição.

Com a prata de Pedro Barros, a delegação do Brasil igualou o recorde histórico de 19 medalhas em uma edição das Olimpíadas. É a mesma marca alcançada no Rio-2016.

O Brasil possui quatro ouros, quatro pratas e oito bronzes. Além disso, tem outros três pódios garantidos – um no futebol e dois no boxe.

Essa história do park nas olimpíadas, minha história, é só um exemplo que está na nossa mão. Podemos fazer do nosso país um lugar melhor através do amor e do respeito. A gente pode cair várias vezes no chão, mas a missão é ver um amanhã melhor
Pedro Barros, em entrevista ao canal SporTV, sobre o skate e as Olimpíadas

Duas chances de ouro no boxe

O boxe brasileiro terá duas chances de conquistar medalhas de ouro nas Olimpíadas de Tóquio, um desempenho que já é inédito para a modalidade na história dos Jogos. 

Nesta quinta-feira, Beatriz Ferreira (até 60kg) venceu sua luta pelas semifinais, e com facilidade. Ela derrotou por decisão unânime dos árbitros (30 a 27 para 3 deles, 29 a 28 e 30 a 26) a finlandesa Mira Potkonen. Sua adversária na final nas Olimpíadas de Tóquio vai ser a irlandesa Kellie Anne Harrington.

Eu fico feliz desse favoritismo que vocês estão falando. Pego isso como um carinho, como um gás a mais, uma energia positiva. Mas a gente está favorecendo o boxe, a gente quer que o boxe seja o favorito da galera
Bia Ferreira, em entrevista ao SporTV
Bia Ferreira golpeia pugilista do Uzbequistão em luta vencida de forma unanime
Bia Ferreira (D) golpeia Raykhona Kodirova, do Uzbequistão, em luta vencida de forma unânime pela brasileira
Foto: Dan Mullan - 3.ago.2021/Getty Images

Hebert Conceição Sousa  superou Gleb Bakshi, que compete pelo Comitê Olímpico Russo, pelo peso médio (até 75kg). O seu triunfo, nesta quinta-feira, foi por decisão dividida. Ele ganhou por 30 a 27 para dois juízes e 29 a 28 para outros dois, com apenas um apontando derrota, por 29 a 28.  O rival de Hebert na decisão vai ser o ucraniano Oleksandr Khyzhniak, que derrotou o filipino Eumir Marcial por decisão dividida (3 a 2) na outra semifinal. A luta decisiva pelo ouro está marcada para as 2h45 (horário de Brasília) do próximo domingo. 

Agora é hora de abraçar essa oportunidade, fazer meu máximo, deixar toda minha energia dentro do ringue para poder buscar mais uma medalha de ouro para o Brasil
Hebert Conceição, após se classificar à final olímpica
Hebert Conceição acerta Gleb Bakshi  nas Olimpíadas
Hebert Conceição acerta Gleb Bakshi durante vitória nas semifinais das Olimpíadas
Foto: Miriam Jeske / COB

O dia do Brasil em Tóquio

Vôlei masculino fora da final 

A seleção brasileira masculina de vôlei perdeu de virada para o Comitê Olímpico Russo na semifinal olímpica e interrompeu a série de quatro finais consecutivas nos Jogos -- campeão em 2004 e 2016, vice em 2008 e 2012. Na madrugada desta quinta-feira (5), o Brasil ganhou bem o primeiro set, mas acabou caindo por 3 a 1 (18-25, 25-21, 26-24 e 25-23).

A gente lamenta demais, a gente queria demais estar numa final, mas vamos olhar para frente. Dar parabéns para a equipe russa, agressiva o tempo todo. E na metade do jogo em diante não conseguimos mais imprimir um ritmo forte
Renan Dal Zotto, técnico do Brasil
Brasil e Comitê Olímpico Russo pela semifinal do vôlei masculino das Olimpíadas
Brasil e Comitê Olímpico Russo pela semifinal do vôlei masculino das Olimpíadas
Foto: Frank Augstein/AP

Darlan fica em quarto no arremesso de peso

Darlan Romani novamente ficou entre os melhores do mundo na final do arremesso de peso na noite de quarta-feira (4), em Tóquio. Quinto colocado no Rio de Janeiro, ele subiu um degrau e terminou em quarto, mas lamentou por não conseguir chegar ao sonhado pódio olímpico. O brasileiro teve uma reta final de preparação complicada. A medalha de ouro ficou com o recordista mundial Ryan Crouser, dos Estados Unidos, que alcançou a melhor marca da história olímpica, 23.30m. A prata foi também para os EUA, com Joe Kovacs, arremessando 22.65m, e o bronze para a Nova Zelândia, com Tomas Walsh, com 22.47m. Romani marcou 21.88m.

Só quero agradecer a torcida de todos. Tem um novo ciclo, dessa vez mais curto. Se eu dava 200%, agora vou dar 300%
Darlan Romani, projetando o próximo ciclo olímpico
Darlan Romani, do Brasil, na final do arremesso de peso
Darlan Romani, do Brasil, na final do arremesso de peso
Foto: Matthias Schrader/AP

 

 

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