Indígenas pedem proteção de parque que será sede da Olimpíada de 2032

Grupo solicita ao governo de Brisbane a preservação do Victoria Park, local que deve receber estádio olímpico

Nick Mulvenney, da Reuters
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Um grupo representante de dois dos povos indígenas de Brisbane protocolou nesta terça-feira (5) um pedido formal ao governo federal australiano para garantir a proteção permanente do Victoria Park, local previsto para abrigar o estádio principal dos Jogos Olímpicos de 2032.

Os povos Yagara e Magandjin solicitaram que o parque, conhecido por eles como Barrambin, seja reconhecido como uma "área aborígine significativa" e protegido de forma perpétua sob a Lei de Proteção do Patrimônio dos Povos Aborígenes e das Ilhas do Estreito de Torres.

“Barrambin é uma terra viva, com vínculos sagrados, antigos e profundamente enraizados em nossos sistemas culturais e espirituais”, afirmou a anciã Gaja Kerry Charlton, em nome da Yagara Magandjin Aboriginal Corporation (YMAC), por meio de nota oficial.

Charlton também expressou surpresa e indignação com os planos do governo estadual: “Foi um choque completo quando o premiê anunciou o estádio... Eu pensei que o parque estivesse protegido. Agora o governo quer destruí-lo. Estamos profundamente preocupados com a existência de árvores antigas, artefatos e ecossistemas essenciais. Pode haver até restos ancestrais enterrados ali.”

“Estamos firmes em nossa responsabilidade de proteger este lugar”, concluiu.

Até o momento, nem o comitê organizador dos Jogos nem o gabinete do vice-premiê de Queensland, Jarrod Bleijie — responsável pelas obras olímpicas — se manifestaram sobre o pedido.

O projeto anunciado em março pelo premiê de Queensland, David Crisafulli, prevê a construção de um estádio com capacidade para 63 mil pessoas, além da reconstrução da piscina Centenary Pool no parque, que se tornará um centro aquático para 25 mil espectadores.

Em junho, o governo de Crisafulli aprovou uma legislação que isenta os projetos olímpicos das normas de planejamento urbano convencionais, o que gerou críticas de ambientalistas e representantes indígenas.

A campanha Save Victoria Park, que divulgou nesta terça-feira uma declaração conjunta com a YMAC, classificou a medida como “sem precedentes”, alegando que ela ignora legislações já existentes sobre proteção ambiental e direitos dos povos originários.

“Estimamos que a maior parte da área verde e centenas de árvores maduras serão sacrificadas”, alertou a porta-voz da campanha, Sue Bremner.

“É uma perda cultural e ambiental profunda e irreversível, enquanto os organizadores continuam promovendo os Jogos de 2032 como os primeiros com um Plano de Ação para a Reconciliação. É simplesmente espantoso.”

Em julho, o presidente do comitê organizador, Andrew Liveris, afirmou à agência Reuters que todas as objeções seriam ouvidas, mas reforçou que a legislação aprovada em junho era essencial para garantir a entrega das instalações a tempo para os Jogos.

 

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