Por que os jogos do US Open estão terminando tão tarde?

Quartas de final entre Ben Shelton e Carlos Alcaraz terminaram às 3h33 em Nova York, reacendendo debate sobre programação e desgaste dos tenistas

Ben Church, da CNN
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A vitória de Ben Shelton sobre Carlos Alcaraz nas quartas de final do US Open terminou às 3h33 da manhã desta quarta-feira (9), em Nova York. No horário de Brasília, eram 4h33 quando o americano confirmou a classificação para a semifinal.

O duelo durou 4h28 e se tornou o jogo que terminou mais tarde na história do US Open. A partida começou pouco depois das 23h de terça-feira em Nova York, ou 0h05 de quarta no Brasil.

A cena dos dois tenistas ainda em quadra durante a madrugada não é exatamente uma novidade em Flushing Meadows. Sessões noturnas que avançam até altas horas se tornaram parte da identidade do Grand Slam americano.

O problema é que a frequência desses jogos aumentou, e a discussão sobre os limites do modelo voltou a ganhar força. Nos primeiros dias desta edição, três partidas já haviam terminado depois das 2h da manhã no horário local.

Por que os jogos terminam tão tarde?

A programação do US Open é dividida entre sessões diurnas e noturnas. O modelo permite que a organização venda dois lotes de ingressos para uma mesma quadra e aumenta o potencial de receita do torneio.

Os principais jogos também costumam ser reservados para a noite, quando existe maior interesse da televisão e do público. Em Nova York, a sessão noturna começa às 19h, ou 20h no horário de Brasília.

O US Open, porém, não tem um horário-limite para o encerramento das partidas. Em Wimbledon, por exemplo, existe uma restrição para jogos durante a madrugada.

Com partidas que podem durar quatro ou cinco horas, a combinação entre o início da sessão noturna e confrontos longos cria um efeito dominó.

Foi o que aconteceu com Shelton e Alcaraz. Antes das quartas de final, outras partidas na Arthur Ashe Stadium se estenderam por vários sets e empurraram o início do confronto para depois das 23h locais.

O que dizem os jogadores?

As sessões noturnas podem produzir alguns dos momentos mais marcantes do US Open. Mas o custo para os atletas também entrou no debate.

Depois de um calendário extenso durante a temporada, os tenistas chegam ao Grand Slam já acumulando desgaste. Em Nova York, ainda podem ser obrigados a disputar partidas que avançam pela madrugada.

O impacto não fica restrito ao tempo em quadra. Sono, alimentação, aquecimento e recuperação física também precisam ser reorganizados quando uma partida termina tão tarde.

Shelton, por exemplo, ainda precisou cumprir compromissos com a imprensa depois da vitória sobre Alcaraz, além de realizar os procedimentos de recuperação e se alimentar antes de descansar.

A situação também preocupa outras estrelas do circuito. Aryna Sabalenka afirmou durante o torneio que partidas encerradas tarde podem alterar toda a rotina dos atletas.

“Quando você termina tarde, o dia seguinte muda muito”, disse a bielorrussa, que destacou a necessidade de manter as horas de sono mesmo com a mudança de programação.

Venus Williams também classificou como “não ideal” ter disputado uma partida que começou depois da meia-noite durante o torneio.

Shelton pode sentir o desgaste na semifinal?

A questão ganha uma dimensão ainda maior porque Shelton volta à quadra na sexta-feira. O americano enfrentará Frances Tiafoe por uma vaga na final do US Open.

O descanso entre os jogos é importante não apenas para a recuperação muscular, mas também para reorganizar sono e alimentação depois de uma partida que terminou às 3h33 em Nova York.

Por enquanto, Shelton não demonstrou preocupação com o horário. Depois da vitória, o americano classificou o confronto com Alcaraz como uma “guerra” e disse que foi a partida mais prazerosa de sua carreira.

O adversário também chega de uma batalha longa. Tiafoe precisou de cinco sets para eliminar Alex Michelsen e avançar à semifinal, o que diminui a diferença de desgaste entre os dois americanos.

É possível mudar o horário dos jogos?

Antecipar as sessões noturnas parece uma solução simples, mas envolve outros interesses do torneio.

Começar os jogos mais cedo poderia afetar os contratos de televisão e dificultar a chegada de torcedores ao complexo durante o horário de pico do trânsito em Nova York.

O US Open reconheceu, porém, que precisa avaliar alternativas. Brendan McIntyre, responsável pela comunicação do torneio, afirmou que a organização pretende analisar diferentes possibilidades de programação depois dos acontecimentos desta edição.

O diretor do US Open, Eric Butorac, também já comparou a definição dos horários a um “quebra-cabeça”. Segundo ele, começar antes das 19h em Nova York seria um desafio, embora a possibilidade de antecipar a sessão para as 18h seja discutida.

Por enquanto, a organização considera 19h o horário adequado para o início da sessão noturna.

 

 

A madrugada virou parte do US Open?

A tradição das grandes batalhas noturnas é uma das características do US Open. Ao longo dos anos, partidas que avançaram pela madrugada ajudaram a construir a atmosfera particular do torneio.

O desafio para a organização é encontrar um equilíbrio entre esse espetáculo, os interesses comerciais e as condições oferecidas aos jogadores.

O duelo entre Shelton e Alcaraz mostrou o tamanho do problema. O jogo terminou quando já eram 4h33 no Brasil, mas o americano terá de estar novamente preparado para disputar uma semifinal de Grand Slam apenas dois dias depois.

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