
Em noite de apoio a Tiffany, Osasco vence Flamengo por 3 sets a 0
Jogadora teve participação no torneio ameaçada por legislação municipal que coibia inclusão de atletas trans

O Osasco São Cristóvão está nas finais da Copa Brasil Feminina de Vôlei. Em jogo realizado nesta sexta-feira (27), a equipe superou o Sesc Flamengo por 3 sets a 0 em Londrina, no Paraná, mas a classificação ficou em segundo plano diante do que aconteceu nas arquibancadas do ginásio.
Tiffany Abreu, do Osasco, é a primeira atleta trans no vôlei profissional brasileiro e teve sua participação ameaçada por uma movimentação de vereadores da cidade. A Câmara Municipal de Londrina aprovou ontem (26), em caráter de urgência, por 12 votos a 4, um requerimento que visava proibir atletas trans em competições no município.
Após a decisão favorável à atleta tanto na Justiça quanto do Supremo Tribunal Federal (STF), o que se viu em quadra antes da bola rolar foi uma onda de apoio. Tiffany recebeu diversas homenagens dos colegas de trabalho e muito carinho da torcida.
É sobre isso ❤️ #VoleiNoSporTV pic.twitter.com/peQpsKglM6
— Portal Vôlei Brasil 🏐🇧🇷 (@portal_volei) February 27, 2026
Projeto anti-atletas trans
O projeto é de autoria da vereadora Jéssica Ramos Moreno (PP), a Jessicão, e dispõe sobre a proibição “da participação de atleta identificado em contrariedade ao sexo biológico de seu nascimento em equipes e times esportivos e em competições, eventos e disputas de modalidades esportivas no município de Londrina e dá outras providências”.
Segundo a lei, o descumprimento acarretará na “revogação imediata do alvará de realização de evento e pagamento de multa administrativa no valor de R$ 10.000,00”.
A lei, porém, confunde gênero (masculino ou feminino) com orientação sexual. Segundo o texto, “define-se como sexo biológico de seu nascimento ‘Feminino’ ou ‘Masculino’, prevalecendo assim, a proibição da participação de atleta”.
De acordo com o texto, se o gênero for “identificado em contrariedade ao sexo biológico de seu nascimento: Gay, Lésbica, Bissexual, Pansexual, Intersexual, Assexual, Transexual, Agênero, Não binário de gênero, Cisgênero, Transgênero, Travesti, entre outros”, o atleta estará infringindo a lei municipal.
CBV e Osasco vão à Justiça
Para garantir a realização da partida sem intercorrências, a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) e o Osasco São Cristóvão acionaram a Justiça e o STF. Em sua decisão, o juiz Marcus Renato Nogueira Garcia afirmou que a lei municipal "parece afrontar a competência da União, dos Estados e do Distrito Federal de legislar concorrentemente sobre matéria desportiva."
No STF, a decisão coube à Ministra Carmen Lúcia, que em sua decisão, reiterou que a aplicação da lei municipal “geraria grande perplexidade e insegurança jurídica e social por materializar um retrocesso nas políticas de inclusão social, de igualdade de gênero e de promoção da dignidade humana" do país nos últimos anos. Vale frisar, no entanto, que a lei ainda não foi derrubada e deve ser analisada pelo Supremo nos próximos dias.
Tifanny Abreu
Aos 40 anos, Tiffany é atleta do Osasco São Cristóvão Saúde. Ela é a única atleta transgênero na história do vôlei de elite feminino no Brasil a competir.
Após diversas tentativas para regularizar sua participação em campeonatos femininos, a ponteira recebeu uma autorização da Federação Internacional de Voleibol (FIVB) para competir.
Na última temporada, ela se tornou a primeira mulher trans a vencer a Superliga com o Osasco.
Copa Brasil Feminina
As semifinais da Copa Brasil de Vôlei acontecem em Londrina, no ginásio Moringão. Nesta sexta, após Flamengo x Osasco São Cristóvão Saúde, Gerdau Minas x Dentil Praia Clube se enfrentam. Os vencedores se encontram na grande final no sábado (28), às 21h.

