Os ricos estão comprando mais joias durante a pandemia


Parija Kavilanz, da CNN
20 de outubro de 2020 às 17:16
Milionários americanos têm comprado mais joias na pandemia

Milionários americanos têm comprado mais joias na pandemia

Foto: De Beers Diamond Jewlery/ Divulgação

O mais recente sinal de divisão econômica entre os ricos e os pobres na pandemia é o seguinte: os ricos estão comprando mais joias de alta qualidade, como anéis de diamante e colares de ouro.

De acordo com Edahn Golan, fundador da Edahn Golan Diamond Research & Data, as compras de joias finas nos Estados Unidos se recuperaram dos primeiros meses da pandemia e começaram a ganhar impulso a partir de junho, verão no hemisfério norte. As vendas de joias finas aumentaram quase 10%, para US$ 5,25 bilhões em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado, de acordo com os últimos dados disponíveis.

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Dona e operadora das varejistas Kay Jewelers e Zales, a Signet Jewelers (SIG) contou que as vendas preliminares da empresa em agosto para todas as joias aumentaram 10,9% em comparação com o ano anterior.

Enquanto isso, a Tiffany, uma rede duramente atingida pela queda nas visitas de turistas às lojas, disse na semana passada que as vendas nos Estados Unidos em agosto e setembro caíram em uma baixa porcentagem de dois dígitos, uma melhora desde maio.

A empresa, que atualmente está envolvida em um batalha judicial de alto nível com o conglomerado de marcas francesas de luxo LVMH (LVMHF) a respeito de um acordo de fusão, também destacou o forte desempenho de sua coleção T1, sua mais nova linha de joias de ouro e ouro com diamantes.

A melhora no setor de joias acontece num período em que a recuperação econômica dos EUA deu uma desanimada depois do respiro visto no meio do ano.

Alguns economistas argumentaram que a recuperação econômica parece seguir uma curva em forma de K, na qual os norte-americanos mais ricos se recuperam rapidamente, enquanto as famílias de renda média e baixa não.

Daniel Bachman, analista da economia dos EUA da Deloitte, disse que a pandemia atingiu o mercado de trabalho de maneira desigual.

“A camada inferior foi atingida duramente e, vamos ser honestos, não estão comprando joias. A ponta mais alta está assentada na renda não gasta e a taxa de poupança está muito alta agora”.

Comprar diamantes em vez de viajar

Os vendedores de joias têm uma teoria sobre a razão de volta das vendas.

“Em todos os mercados do mundo, o concorrente número um do nosso setor são as viagens”, explicou Stephen Lussier, vice-presidente executivo da De Beers, a maior empresa de mineração de diamantes do mundo. “Em um casamento, bodas de 10 ou 25 anos, um aniversário importante, o mais romântico a se fazer é viajar”.

No entanto, com o turismo em declínio, as joias com diamantes têm capturado parte do orçamento não gasto para viagens.

Nos Estados Unidos, a Forevermark, marca de joias com diamantes da De Beers, tem visto um crescimento de dois dígitos cada mês desde julho, em comparação com o ano passado.

O CEO da Macy's, Jeffrey Gennette, destacou uma sensação parecida em uma conferência de varejo da Goldman Sachs em setembro, notando como as vendas de itens de luxo estavam “superando as expectativas”.

“Existem muitas teorias para isso. Acho que uma delas é que você tem clientes que não estão viajando. Os orçamentos que costumavam ser gastos em experiências agora estão indo para produtos”, afirmou.

Em um e-mail para a CNN Business, a Macy’s disse que viu clientes durante a pandemia “gravitarem em torno da categoria de joias, em parte porque elas retêm seu valor”.

A Signet Jewelers está vendo essa tendência com os anéis de noivado.

Como os casais não estão fazendo viagens de noivado, “eles estão investindo em um anel [de diamante] ainda mais fabuloso”, contou Jamie Singleton, presidente da joalheria Kay Jewelers and Zales.

Uma loja menor também relatou que as coisas estão melhorando depois de ser duramente atingida no início deste ano. Como acontece com a maioria dos varejistas, o bloqueio causado pela pandemia da Covid-19 forçou a Van Cott Jewelers, uma empresa de 100 anos em Vestal, Nova York, a fechar suas portas em meados de março.

A empresa foi reaberta em 8 de junho. Desde então, a proprietária Birdie Levine, uma avaliadora gemóloga certificada, notou algumas tendências nas compras de joias com diamantes.

“Devido à Covid-19, ficamos fechados por quase três meses e, então, só tínhamos permissão para oferecer vendas na calçada. São condições que tiveram um grande efeito adverso. Apenas em julho tivemos um aumento nas vendas de diamantes de alto padrão. Temos vendido peças de joias com diamantes de US$ 20 mil, 30, 40 mil”, contou.

Levine disse que seus clientes estão atualizando os diamantes em joias existentes que eles possuem, como um anel de noivado ou aliança de

casamento, ou comprando uma peça completamente nova. Como resultado, ela disse que sua venda média desde a reabertura tem sido “muito maior”, embora suas vendas totais não tenham alcançado o que eram há um ano.

Ainda assim, a comerciante e gemóloga espera que as joias com diamantes sejam um sucesso de vendas nas festas de fim de ano. “Estou me preparando para comprar muitos diamantes avulsos para ficarem prontos para as festas”, disse.

(Texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês).