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    Arábia Saudita revela projeto de cidade com edifício único que se estende por 170 km

    Ideia é transformar país em um centro para atrair turistas, assim como Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos

    De acordo com engenheiros, a cidade terá uma fachada espelhada externa
    De acordo com engenheiros, a cidade terá uma fachada espelhada externa Divulgação / Neom

    Jack BantockBenjamin Brownda CNN

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    A Arábia Saudita revelou detalhes para seu ambicioso projeto urbano “The Line”, apresentado como uma cidade de um só edifício no deserto que se estenderá por 170 quilômetros e abrigará 9 milhões de pessoas.

    A cidade futurista proposta é parte do projeto Neom, um plano grandioso que ainda levará anos para ser concluído. Ela ficará localizada no noroeste do país, perto do Mar Vermelho, de acordo com um anúncio do príncipe herdeiro do reino, Mohammed bin Salman.

    O “The Line” é um edifício proposto de 200 metros de largura que atua como uma cidade vertical, projetada para ficar a 500 metros acima do nível do mar. Ele terá 34 quilômetros quadrados, de acordo com um comunicado à imprensa.

    Embora os detalhes sejam escassos, aqueles por trás do projeto afirmam que o “The Line” funcionará inteiramente com energia renovável, sem estradas, carros ou emissões. Um trem de alta velocidade conectará seções do projeto, acrescenta o comunicado.

    Os críticos lançaram dúvidas sobre se o projeto é tecnologicamente viável, enquanto outros descreveram a visão revelada em um vídeo promocional como “distópica”.

    O “The Line” faz parte de um plano de reposicionamento saudita –chamado de Vision 2030– para rivalizar com seu vizinho do Golfo, os Emirados Árabes Unidos, que tem as cidades de Dubai e Abu Dhabi, e remodelar a economia do reino, transformando-o em um centro de viagens. Com o objetivo de atingir 100 milhões de visitantes anuais até o fim da década, espera-se que o aumento impulsione a economia local em bilhões de dólares.

    No entanto, a Arábia Saudita continua a ser atormentada por críticas sobre seu histórico de direitos humanos. Em março, 81 homens foram mortos na maior execução em massa em décadas. Além disso, bin Salman aprovou a operação para capturar e matar o jornalista saudita Jamal Khashoggi, segundo um relatório da inteligência dos EUA.

    O príncipe herdeiro negou ter ordenado o assassinato de Khashoggi, mas disse que assumiu a responsabilidade, em meio a uma ampla condenação internacional. “Este foi um crime hediondo”, disse bin Salman em entrevista à CBS em 2019. “Mas assumo total responsabilidade como líder na Arábia Saudita, especialmente porque foi cometido por indivíduos que trabalham para o governo saudita”.

    Projeto idealizado do “The Line” / Divulgação / Neom

    Embora o governo saudita tenha introduzido reformas trabalhistas periódicas, sua natureza limitada e aplicação negligente fizeram com que práticas exploratórias e perigosas continuassem para a população de trabalhadores imigrantes.

    De acordo com a Human Rights Watch, milhões de trabalhadores imigrantes ocupam principalmente empregos manuais, administrativos e de serviços na Arábia Saudita –o que representa mais de 80% da força de trabalho do setor privado. O grupo tem criticado fortemente o sistema de patrocínio de vistos da Arábia Saudita, conhecido como kafala.

    “Na última década, outros estados do Golfo também embarcaram na reforma de seus notórios sistemas kafala, com a maioria introduzindo reformas mais significativas do que as das autoridades sauditas”, afirmou um relatório da Human Rights Watch sobre as reformas trabalhistas mais recentes do país em março de 2021.

    “Apesar disso, muitas das mesmas violações contra os direitos dos trabalhadores imigrantes persistem em toda a região, mais comumente salários atrasados e não pagos e confisco de passaportes”.

    Projeto Neom já sofreu atrasos / Divulgação / Neom

    Os projetos para o arranha-céu espelhado marcam o mais recente desenvolvimento do projeto Neom da Arábia Saudita, um mega-desenvolvimento que abrange três países e começou a ser construído em 2019.

    A metrópole supostamente será alimentada por energia limpa e funcionará com a ajuda de inteligência artificial. Empregadas robóticas, táxis voadores e uma lua artificial gigante são anunciadas como marcas de um paraíso tecnológico prometido.

    “Os projetos […] desafiarão as tradicionais cidades planas e horizontais e criarão um modelo de preservação da natureza e melhoria da habitação humana. O “The Line” enfrentará os desafios enfrentados pela humanidade na vida urbana hoje e lançará luz sobre formas alternativas de viver”, disse bin Salman disse no comunicado à imprensa.

    O projeto Neom é financiado por US$ 500 bilhões do governo saudita e do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF, na sigla em inglês) –um fundo soberano presidido por bin Salman– e com investidores locais e internacionais.

    Inicialmente programado para 2025, os atrasos jogaram a data de conclusão da Neom para mais cinco anos no futuro, mas o príncipe herdeiro insiste que o projeto ambicioso continua nos trilhos.

    O The Line ficará no noroeste da Arábia Saudita, perto do Mar Vermelho / Dilvulgação / Saudi Press Agency

    ‘Superprojetos’ fracassados

    Na história recente, existem vários ‘superprojetos’ fracassados em todo o mundo.

    Na vizinha Dubai, em 2009, o desenvolvimento estimado de US$ 38 bilhões do Nakheel Harbor and Tower foi cancelado seis anos depois de sua proposta, após a crise econômica global.

    O governo chinês esperava que um dia a cidade de Kangbashi, na Mongólia abrigasse mais de 1 milhão de habitantes, depois de injetar mais de US$ 1 bilhão em financiamento em sua construção, mas em 2016 ela abrigava apenas 10% do número projetado. Destinos semelhantes de cidades fantasmas aconteceram com outros projetos caros no distrito financeiro de Yujiapu, em Tianjin, China, e Naypyidaw, capital de Mianmar.

    A Coreia do Norte desejava que o Ryugyong Hotel, de 330 metros, fosse o hotel mais alto do mundo após sua inauguração planejada na capital de Pyongyang em 1989. Desde que apelidado de “Hotel da Perdição”, a construção nunca foi concluída e, a partir de 2019, foi considerado o mais alto edifício desocupado do mundo.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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