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    • Carolina Maestri - Diretora de ESG e EHS da ODATA
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    • Carolina Maestri - Diretora de ESG e EHS da ODATA

      Carolina Maestri é formada em engenharia ambiental pela Universidade de São Paulo (USP), conta com dois mestrados – em sustentabilidade e inovação – e um MBA em administração pela Universidade de Michigan.

      Há 15 anos no setor, Carolina foi responsável pela gerência de ESG do grupo O Boticário entre 2019 e 2022. Antes disso, a executiva já havia contribuído para empresas como Bain&Company, Itaú Unibanco e Companhia Siderúrgica Nacional.

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    opinião

    A importância e os benefícios de uma estratégia de governança adequada nas organizações

    Conceito de ESG engloba a sustentabilidade ambiental, social e de governança corporativa
    Conceito de ESG engloba a sustentabilidade ambiental, social e de governança corporativa

    Quando se fala em governança corporativa, logo se pensa nas responsabilidades que as companhias devem ter diante de uma organização, de seus princípios e processos de gestão. Nesse sentido, é cada vez mais evidente que empresas dos mais diversos setores do mercado vêm adotando estratégias de gestão alinhadas com as boas práticas do ESG, isto é, com relação às questões ambientais, sociais e de governança corporativa. Acerca disso, o estudo ESG Radar 2023, da Infosys, constatou que, até 2025, os investimentos em ESG nas organizações devem chegar a US$ 53 trilhões.

    Com base na situação atual do mercado, há dois pontos muito importantes que devem ser sempre ressaltados no planejamento de uma estratégia de governança corporativa: transparência e gestão de stakeholders. A falta desses dois elementos pode acarretar graves danos para uma organização.

    Sobre o primeiro aspecto, essas consequências têm sido bastante observadas no mercado global e até por consumidores. Nessa perspectiva, devo ressaltar o valor de dispor de um quadro independente e diverso de colaboradores, de maneira que haja representantes de todas as partes interessadas da empresa, bem como um grau de expertise diversificado. O grupo poderá discutir diferentes tópicos de interesse, como a resolução de eventuais conflitos e ruídos, ou a satisfação dos funcionários e clientes. Nesses relacionamentos, também é possível que a comunidade aponte questões de responsabilidade social, a fim de facilitar a conquista de melhorias em relação à atuação da empresa no entorno.

    Focando o segundo ponto, dar voz ativa aos stakeholders possibilita uma gestão de risco mais madura e com muito mais conhecimento de quais são os riscos e oportunidades que essas situações adversas podem trazer, já que haverá o posicionamento e o parecer dos mais diversos pontos de vista. Essa abertura pode ocorrer, por exemplo, por meio de canais e comitês de ética, ouvidorias ou assembleias, e permite que seja constituída uma parceria para trabalhar em soluções que sejam as mais adequadas e benéficas para todos.

    Não é à toa que governança é algo diretamente ligado à sustentabilidade. Uma boa gestão corporativa é aquela que abre espaço para todas as partes interessadas da organização contribuírem juntas em prol do meio ambiente na elaboração de técnicas sustentáveis. Esse debate deve ocorrer não só em conjunto com os funcionários, fornecedores e clientes, mas até mesmo entre os competidores do grupo setorial que essa companhia está inserida – podendo evitar casos de corrupção e outras irresponsabilidades ou negligências que resultem em grandes desastres, como em alguns casos já vistos no Brasil.

    Nesse cenário, o setor de tecnologia é um dos que mais demonstram preocupação com essas pautas. No caso dos data centers, por exemplo, o cuidado com o meio ambiente precisa ser redobrado, já que a infraestrutura dos sites interfere no lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera. Em vista disso, nota-se que os grandes provedores de data centers em escala passaram a reestruturar as suas formas de operação de acordo com as melhores práticas sustentáveis para reduzir ou até zerar essas emissões.

    Para se ter ideia, há uma associação profissional sem fins lucrativos chamada iMasons, que reúne praticamente todas as empresas do ecossistema de data centers, isto é, desde fornecedores até grandes clientes. Elas buscam, em conjunto, frear os impactos ambientais e as mudanças climáticas por meio da redução de carbono em materiais, produtos e energia de infraestrutura digital.

    Da mesma forma, há a Science Based Targets Initiative (SBTi), uma colaboração global que define e promove práticas para que as companhias adotem metas com base na ciência para a redução de suas emissões de gases de efeito estufa. Essas alianças são grandes exemplos de iniciativas de governança corporativa para abordar temas de mudanças climáticas e de proteção do meio ambiente.

    A Climate Check 2022, pesquisa realizada pela Deloitte, apontou que 82% dos executivos brasileiros acreditam que investir em práticas ambientalmente sustentáveis agrega benefícios econômicos a longo prazo. Para 74% deles, as suas organizações podem continuar se expandindo conforme reduzem as emissões de carbono.

    Uma estratégia de governança inadequada – ou a falta de uma estratégia e de debates abertos – pode apresentar consequências críticas para uma organização. Riscos como corrupção, danos ambientais, sociais e fiscais são alguns deles. Por essa razão, é primordial que as companhias se esforcem para desenvolver e implementar planos de governança inclusiva e transparente, de modo que promovam integridade e responsabilidade fiscal, social e ambiental.

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