Bioeconomia: uma oportunidade estratégica possível

A bioeconomia desponta como uma das principais apostas globais para enfrentar as mudanças climáticas e promover a transição para uma economia de carbono neutro. No Brasil, que é um país com abundância de recursos naturais e tradição agrícola, o tema tem ganhado ainda mais relevância, especialmente às vésperas da COP30 – o evento que será realizado em novembro, no Pará. E é papel da bioeconomia, como vetor estratégico para a descarbonização, impulsionar o uso de matérias-primas de origem renovável na produção de químicos, alimentos, energia e materiais.
Tal modelo econômico oferece um verdadeiro caminho para o desenvolvimento sustentável, já que contribui para a redução das emissões de gases de efeito estufa. E o setor de combustíveis já percebeu isso há muito tempo. Hoje, os biocombustíveis fazem parte da rotina dos brasileiros. É preciso agora incentivar o uso de matérias-primas renováveis pela indústria, de modo a permitir a criação de ciclos sustentáveis de carbono, nos quais as matérias-primas de origem renovável substituam os insumos fósseis. E isso é algo que promove a absorção de CO₂ e impulsiona a transição para uma economia de baixo carbono.
O Brasil já possui exemplos industriais concretos que demonstram o seu potencial para a bioeconomia. Um deles é a produção de polietileno a partir de etanol de cana-de-açúcar. A Braskem desenvolveu o portfólio I’m green™ bio-based, com tecnologia que utiliza etanol de cana-de-açúcar para fabricar produtos de origem renovável, e conseguiu reduzir significativamente a pegada de carbono sem comprometer o desempenho técnico nem a reciclabilidade dos materiais. E isso é um diferencial competitivo em um mercado cada vez mais pressionado por consumidores, governos e investidores em busca de soluções de menor impacto ambiental.
Ao incorporar plásticos de origem renovável em seu portfólio, a Braskem absorveu, desde 2010, mais de 4,6 milhões de toneladas de CO₂. Atualmente, a companhia produz 275 mil toneladas por ano de biopolímeros, com planos de ampliar sua capacidade de fabricar produtos de origem renovável para 1 milhão de toneladas até 2030. Além dos biopolímeros, a Braskem também oferece químicos renováveis que contribuem para diversificar e expandir as alternativas sustentáveis na indústria química.
A importância de um ambiente regulatório favorável
Há grande potencial para posicionar o Brasil como líder em soluções renováveis e não apenas em biocombustíveis. Contudo, um ponto importante é que a promoção do crescimento mais sustentável, e da oferta de bioprodutos, é algo que necessita de um ambiente regulatório favorável. E o decreto federal de plástico que define as regras para a logística reversa foi um começo. É essencial existirem políticas públicas consistentes e integradas para estimular as metas de conteúdo de base renovável, reduzir os custos de aquisição de biomassa, conceder aos bioprodutos os mesmos benefícios dos biocombustíveis, fomentar a pesquisa, inovação e o desenvolvimento de materiais com conteúdo de base biológica, além de estimular alternativas para biomassas e incentivar os biocombustíveis.
A COP30 será um palco decisivo para mostrar ao mundo que o Brasil não é apenas o guardião da Amazônia, mas também um protagonista na construção de novos modelos de desenvolvimento sustentável. A bioeconomia, neste contexto, não é apenas uma promessa: é a oportunidade concreta de transformar a matriz produtiva, reduzir as emissões de gases de efeito estufa e projetar o país como referência em sustentabilidade.
Fórum CNN
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