O futuro da Black Friday passa pelas conversas

A Black Friday se tornou um marco para entender o quanto o varejo brasileiro avançou no digital. O sucesso hoje não depende só de descontos agressivos, mas da forma como as marcas conseguem entregar experiências rápidas, consistentes e centradas no consumidor. A inteligência artificial aplicada às interações aparece como protagonista ao mostrar como tecnologia e relacionamento podem caminhar juntos.
O WhatsApp é um bom exemplo dessa transformação. Pesquisa da CNDL revelou que 65% dos brasileiros já preferem receber ofertas pelo aplicativo em vez de e-mail ou SMS, enquanto 45% o apontam como canal mais conveniente para falar com empresas durante a Black Friday. São números que reforçam o que já percebemos no dia a dia: o cliente busca proximidade e conveniência em momentos de grande expectativa.
Responder a essa demanda em grande escala exige soluções capazes de unir personalização e eficiência. É nesse ponto que a IA conversacional se destaca. Grandes varejistas nacionais, como Renner, Swift e Arezzo, reportaram avanços expressivos: até 30% de aumento nas conversões e 40% de redução no tempo médio de atendimento, de acordo com dados da plataforma Connectly. Resultados que combinam escala e proximidade, mostrando como a tecnologia pode potencializar tanto empresas quanto consumidores.
O impacto já é sentido nas receitas. Segundo o Correio Braziliense, companhias que utilizaram soluções de contato inteligente na Black Friday de 2023 alcançaram crescimento de 70% em novas vendas. Em alguns segmentos, a automação auxiliada por IA recuperou milhões de reais que seriam perdidos. A mensagem é direta: quando o diálogo é bem estruturado, a experiência se transforma em resultado concreto.
Dados e desafios
Os dados estão no centro dessa virada. Cada troca de mensagens revela padrões de comportamento, preferências e até o momento certo para oferecer um produto. Com algoritmos de análise, essas informações deixam de ser dispersas e passam a orientar estratégias de forma preditiva. Essa inteligência será cada vez mais determinante para diferenciar quem se limita a participar da Black Friday de quem a transforma em ferramenta de fidelização.
No entanto, o avanço não elimina os desafios. A integração entre robôs de atendimento e equipes humanas ainda é limitada, e muitas vezes o cliente precisa repetir informações ao ser transferido. Essa falta de continuidade mostra que a tecnologia não atingiu todo o seu potencial. Com a evolução das soluções e maior investimento em infraestrutura, a expectativa é que a transição entre máquina e humano se torne cada vez mais fluida, preservando o histórico e garantindo uma jornada contínua.
O protagonismo brasileiro
O Brasil reúne condições ideais para assumir a dianteira na transformação do varejo impulsionada por interações digitais. Somos um dos países que mais utilizam o WhatsApp, com 1,75 milhão de catálogos ativos e 13 milhões de acessos mensais (CNDL). Além disso, contamos com um setor varejista reconhecido pela inovação, o que explica a atenção de investidores internacionais. O país se firma não apenas como usuário avançado, mas também como criador de soluções com potencial de influenciar o mercado global.
Como alguém que acompanha essa evolução de perto, acredito que a Black Friday caminha para ser menos sobre correria por ofertas e mais sobre a habilidade de transformar conversas em valor. O que já vemos é o início de uma mudança estrutural: empresas aprendendo a dialogar melhor com cada pessoa e, com isso, redesenhando a forma de crescer. É esse reordenamento que vai moldar o futuro do varejo brasileiro.
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