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    • Roberto Ardenghy - Presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP)
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    • Roberto Ardenghy - Presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP)

      Roberto Ardenghy é presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP).

      É formado em direito pela Universidade Federal de Santa Maria e fez mestrado em diplomacia e relações internacionais no Instituto Rio Branco. Também possui pós-graduação em Petróleo e Gás Natural pela Universidade Federal do Rio de Janeiro/COPPE.

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    opinião

    Setor de óleo e gás de mãos dadas com a transição energética

    Amostra de petróleo. Imagem ilustrativa
    Amostra de petróleo. Imagem ilustrativa Reuters

    A transição energética em curso é uma oportunidade para o Brasil ampliar a participação das fontes renováveis em sua matriz de energia, já considerada uma das mais limpas do mundo e, também, para aproveitar a última janela de oportunidade para explorar e produzir novas áreas e fronteiras petrolíferas.

    O desejo da sociedade global por uma economia de baixo carbono não conflita com a indústria de óleo e gás, já que o setor é ator essencial na geração de energia e no desenvolvimento de novas tecnologias para a descarbonização. Além disso, a transição é um processo e não ocorrerá do dia para a noite. A demanda mundial por óleo e gás permanecerá elevada nas próximas décadas, com volume acima de 100 milhões de barris/dias, segundo projeções da Agência Internacional de Energia. Isso mesmo em um cenário que leva em conta as metas de descarbonização já anunciadas.

    As projeções mostram a necessidade das empresas de óleo e gás diversificarem seu portfólio e investirem em novas tecnologias de baixo carbono, contribuindo com o compromisso dos países em reduzir as emissões. Neste cenário, o Brasil tem grande vantagem, pois a produção nacional de petróleo possui uma intensidade de carbono por barril mais baixa que a média mundial.

    Outro aspecto que coloca o Brasil em posição privilegiada na transição energética são os mais de 40% das fontes renováveis em sua matriz energética, muito superior à média global que não chega a 20%.

    Além de prover tecnologias que ajudarão na descarbonização, o setor de óleo e gás é estratégico para a economia brasileira. Todos os dias são produzidos no Brasil mais de 3,5 milhões de barris por dia, refinados cerca de 1,8 milhão de barris que são transportados para as mais diversas localidades do país com segurança, eficiência e preocupação ambiental. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, estima que em 2031 produção nacional de petróleo alcançará um volume de 5,2 milhões de barris por dia.

    O setor de óleo e gás representa 15% do PIB industrial do país e possui estimativa de geração de mais de 445 mil postos de trabalho diretos ou indiretos ao ano na próxima década, além de cerca de US$ 180 bilhões em investimentos no mesmo período, apenas nas atividades de exploração e produção. Entre 2022 e 2031, serão recolhidos aos cofres públicos mais de US$ 600 bilhões (royalties, participações especiais, parcelas de óleo lucro, obrigações de investimento em P&D e imposto de renda).

    A exportação de petróleo e derivados vem sendo um dos destaques na balança comercial brasileira. Nos últimos 6 anos, o segmento de petróleo e derivados gerou mais de US$ 63 bilhões em superávit, tendo o petróleo como o terceiro item mais importante em termos de valor.

    O setor de óleo e gás vem evoluindo nas últimas décadas e tem potencial para crescer ainda mais. Atualmente, existem 61 operadores de campos de petróleo e gás, de diferentes portes e perfis de atuação. Desses, 47 são empresas independentes, responsáveis por cerca de 4% da produção nacional. De acordo com relatório da Wood Mackenzie, as operadoras independentes vão investir US$ 10 bilhões até 2027, aumentando em cerca de 1 bilhão de barris de óleo equivalente as reservas remanescentes dos seus ativos.

    Temos inúmeros desafios e oportunidades como o desenvolvimento do mercado de gás natural que vem se transformando nos últimos dois anos com a nova Lei do Gás, que permitiu a entrada de novos agentes, mais competição e novos investimentos, especialmente nos segmentos de transporte e infraestrutura.

    Na área de refino e distribuição de combustíveis, temos alcançado conquistas importantes com novos operadores privados no mercado nacional, o que significa maior competição, novos investimentos em tecnologia, operação e melhoria da eficiência.

    Todo esse crescimento só será sustentado nas próximas décadas se mantivermos um bom ambiente de negócios, com regras claras, segurança jurídica e liberdade na formação e negociação de preços. Dessa forma, atrairemos novos investimentos e mais players para o mercado brasileiro.

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