Alupar fecha 1º trimestre com lucro líquido de 148,9 milhões, alta de 6,3%

Resultado da companhia foi impactado por efeito cambial sem impacto em caixa, enquanto entrada de novos ativos impulsionou receita e Ebitda no trimestre

Robson Rodrigues, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

A Alupar, holding que atua nos segmentos de transmissão e geração de energia elétrica, reportou um lucro líquido regulatório que somou R$ 148,9 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 6,3% em relação aos R$ 140,1 milhões registrados no mesmo período do ano anterior. O resultado mais tímido reflete o efeito cambial sem impacto em caixa.

O Ebitda (Lucros antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização) regulatório consolidado chegou a R$ 794,7 milhões no trimestre, crescimento de 15,9%, se comparado com os três primeiros meses de 2025. Enquanto a margem Ebitda fechou em 0,3 p.p.

Já a receita líquida fechou o período em R$ 996,8 milhões. À CNN, Luiz Coimbra, diretor de relações com investidores da Alupar, explica que tanto receita quanto Ebitda refletem a entrada em operação de ativos, com destaque para a Transmissora Colombiana de Energia (TCE), operacional desde outubro de 2025, da Elte, concluída em julho de 2025, além dos efeitos do IPCA e do IGP-M.

“Dentro do resultado financeiro, por termos empresas fora do Brasil, há a variação cambial, ou seja, todas as vezes que há valorização ou desvalorização da moeda do país frente ao dólar isso é contabilizado. Isso puxou o lucro para baixo em R$ 37 milhões”, explica.

Os cortes de geração impostos pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), conhecido pelo jargão "curtailment", por problemas em linhas de transmissão ou falta de demanda continuam castigando os resultados do braço de geração, mas menos em relação ao último trimestre. O impacto é de R$ 15 milhões na receita, montante considerado marginal por Coimbra. Por outro lado, o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) esteve mais alto e acabou compensando parte do impacto.

O próximo leilão de transmissão de energia deve acontecer em outubro. A empresa já confirmou que participará. “Vamos participar (...). Estamos olhando todos os lotes e geralmente ‘bidamos’ em quase todos”, diz.

O conselho de administração da empresa aprovou a distribuição de dividendos intercalares no montante total de R$ 69,2 milhões, equivalentes a R$ 0,07 por ação ON e PN e R$ 0,21 por Unit.

A alavancagem regulatória da companhia, medida pela relação dívida líquida/Ebitda, ficou em 3,2 vezes, queda em relação ao primeiro trimestre de 2025. Por outro lado, a projeção é um pico de alavancagem em 2028 para fazer frente a investimentos em lotes arrematados em leilões.

“A composição da dívida é 30% em CDI (que são os juros mais caros no Brasil), 55% em IPCA e o restante diluído em outras coisas. Com a captação da transmissora TECP R$ 2,45 bilhões em debêntures de infraestrutura, o que tínhamos em IPCA aumentou para 64% e CDI caiu para 21%”, explica.