Após universalizar Cuiabá, Iguá quer repetir feito em Sergipe e no Rio
Plano inclui investimentos em obras emergenciais para conter falta d´água histórica no estado nordestino, além da ampliação da segurança hídrica e melhoria do sistema de esgotamento sanitário no Rio
Com a meta de universalização concluída e 93% de esgotamento sanitário em suas operações em Cuiabá (MT), a Iguá Saneamento quer repetir o feito do maior "case" de sucesso da companhia nas operações em Sergipe e no Rio de Janeiro, segundo afirmou o CEO René Silva à CNN.
Desde 2017, quando assumiu as operações na capital mato-grossense, a companhia já investiu mais de R$ 1,5 bilhão de reais na cidade.
Em relação ao tratamento de esgoto, a cidade avançou após a implantação de seis novas estações de tratamento de esgoto compactas, as ETEs.
Além disso, a construção da Estação de Tratamento Sul, iniciada em abril do ano passado, já alcançou 35% de execução.
Na primeira etapa, a unidade poderá atender cerca de 42 mil clientes.
Segundo o Ranking do Saneamento deste ano, do Instituto Trata Brasil, conforme dados registrados no Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), o investimento per capita efetivado em Cuiabá no período foi de R$ 349,98, sendo a única a superar o patamar estimado no Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab) necessário à universalização, que é de R$ R$ 225.
Sancionado em 2020, o marco legal do saneamento já teve metade do prazo percorrido para a universalização dos serviços de água e esgoto, o que espalha dúvidas sobre a capacidade de alcance das metas fixadas até 2033.
No caso da Iguá, não há chance de falhar com esses compromissos, segundo o CEO da empresa.
"Temos plena convicção de que, nas áreas onde atuamos, atingiremos a meta [em 2033]", disse em entrevista exclusiva à CNN.

Além das concessões, a empresa também assumiu recentemente uma PPP (Parceria Público-Privada) no oeste do Paraná, em conjunto com a Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná).
No Rio, onde a Iguá administra um dos blocos de saneamento, a concessão, que está prestes a completar cinco anos, já foram investidos mais de R$ 1 bilhão de reais desde o início das operações, que tem contrato total de 35 anos, e cerca de R$ 2,7 bilhões previstos, beneficiando mais de um milhão de pessoas, tanto na capital quanto nas cidades de Miguel Pereira e Paty dos Alferes.
Entre os projetos em destaque estão a modernização da Estação de Tratamento de Esgoto da Barra da Tijuca, na zona sudoeste, a continuidade das intervenções no Complexo Lagunar, como a dragagem, que promete remanejar mais de mil piscinas olímpicas de sedimentos do fundo das lagoas para melhorar a qualidade das águas.

"Conseguimos melhorar o nível de oxigenação de 5% para 14% em algumas regiões. Várias espécies que haviam desaparecido começaram a voltar", afirmou o CEO da companhia à CNN.
Além disso, também se destaca o avanço do reservatório de Jacarepaguá, além de iniciativas voltadas à ampliação da segurança hídrica e da melhoria do sistema de esgotamento sanitário na região.
Em Sergipe, onde a Iguá atua plenamente desde maio do ano passado, após ganhar a concessão para operar nos 74 municípios do estado, com investimentos de R$ 6 bilhões previstos, a companhia tem como desafio a falta d'água histórica.
Para conter o problema, a empresa iniciou obras emergenciais de adutoras, para levar água a regiões que sofrem com déficit hídrico.
Durante o período de operação, a Iguá também avançou na implantação de uma ETE compacta na cidade de Estância.
"Trouxemos para o começo do contrato investimentos de água que estavam previstos um pouco mais para frente. E lançamos um Plano Verão, no qual investimos mais de R$ 100 milhões para reforçar o abastecimento, aumentar a reservação de água e minimizar os efeitos da intermitência. Fomos bem sucedidos. No Carnaval, inclusive, a resiliência hídrica foi muito positiva. Onde historicamente faltava água, não faltou", disse o executivo.
Em relação aos resultados dos investimentos, a consolidação da operação no estado nordestino impulsionou a receita e o lucro da companhia no último ano, registrando receita líquida de R$ 233,7 milhões de reais no quarto trimestre, sendo R$ 583,4 milhões no acumulado anual.
Receita líquida recorde
A Iguá Saneamento encerrou o quarto trimestre de 2025 com receita líquida de R$ 804,3 milhões de reais, representando um crescimento de 58,8% a mais que o mesmo período do ano anterior.
O lucro líquido fechou em R$ 363,9 milhões no trimestre, representando um crescimento de 73,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Segundo a companhia, o resultado da receita recorde se deve a evolução das operações mais recentes.
No acumulado do ano, a Iguá registrou R$ 2,7 bilhões de reais, sendo 42,5% em relação a 2024.
"O avanço consistente dos resultados reflete a execução disciplinada da operação da Iguá Rio e pela consolidação da operação plena em Sergipe (...) seguimos avançando em obras estruturantes e consolidando as novas operações", disse a companhia em comunicado.
Em volume faturado, a companhia atingiu 106,9 milhões de metros cúbicos, crescendo mais de 50% em relação ao período do ano anterior. No ano, foram 370,2 milhões de m³ (17,2% a mais).
Já em relação aos investimentos feitos pela empresa, os aportes nas redes de água e esgoto somaram mais de meio bilhão de reais (R$ 577,7 milhões) no ano, representando 17,2% em crescimento.
Em termos gerais, a Iguá seguiu com avanços recordes, somando os quase R$ 300 milhões de reais investidos no quarto trimestre do último ano, sendo R$ 299,2 milhões. No ano, foram R$ 828,2 milhões.
Ainda durante apresentação dos resultados, o CFO da companhia, João Lopes, destacou a melhora na inadimplência, representada não só por clientes de pessoa física, mas também jurídicas, registrando -0,4% no último trimestre.
Segundo o executivo, o número representa um dos melhores patamares já registrados pela companhia, sendo resultado de iniciativas em relação à crédito e no aperfeiçoamento da apuração do indicador.


