Azul Conecta diz que aéreas têm dificuldade em atuar na Amazônia Legal

Em entrevista ao Conexão Infra, Vitor Cordeiro, CEO da Conecta afirmou que altos custos operacionais, incluindo o dos combustíveis inibe entrada de empresas estrangeiras no mercado doméstico e mantém baixa competitividade

Rafael Villarroel, da CNN Brasil, São Paulo
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A Azul Conecta avalia que as companhias aéreas têm dificuldade em atuar na região da Amâzonia Legal, o que acaba mantendo a baixa competitividade da aviação no local.

Em entrevista ao Conexão Infra exibido nesta quinta-feira (13), Vitor Cordeiro, CEO da subsidiária regional da Azul, apontou que o cenário é ocasionado especialmente pelos altos custos operacionais, com destaque para o preço do QAV (querosene de aviação).

Cordeiro disse que há uma "assimetria" competitiva no mercado nacional. Segundo o executivo, enquanto não houver uma solução para reduzir os custos das companhias aéreas e, consequentemente, o valor da passagem, o Brasil continuará com dificuldades para ampliar a concorrência e atrair novas empresas.

"Há opções que estão sendo observadas, que já existem na Europa, mas que eu vejo uma assimetria na competição [no Brasil]. Hoje, a gente tem uma carga tributária elevada e um combustível que é caro. Então, no nosso entendimento, a gente não sabe se o nosso mercado vai ser tão atrativo assim pra esse tipo de operação", afirmou.

A Câmara dos Deputados aprovou em abril deste ano um projeto de lei que permite a atuação de empresas aéreas estrangeiras em rotas domésticas da Amazônia Legal. O texto, no entanto, foi recebido com ressalvas por especialistas do setor aéreo.

Na prática, o projeto permite que empresas estrangeiras realizem voos domésticos na região sem necessidade de constituir subsidiária brasileira. A proposta ainda precisa passar pelo Senado.

Embora a proposta tenha como objetivo ampliar a oferta de voos e reduzir custos na região, há avaliações de que a medida pode não resolver o principal problema da aviação amazônica, que seria o fortalecimento da aviação regional brasileira.

Para o professor da UFAM (Universidade Federal do Amazonas) e doutor em engenharia de transportes, Augusto Cesar Barreto Rocha, o projeto “desvia o foco” do verdadeiro desafio da região.

Além das críticas sobre a efetividade da medida, também existem preocupações regulatórias, como regras operacionais e de segurança.

Em junho deste ano, a Conecta anunciou a compra de duas unidades do Cessna SkyCourier à frota, como parte da estratégia de expansão.

Segundo apurou a CNN com fontes da empresa, a companhia irá focar as operações mirando rotas na região amazônica.

O objetivo da empresa com a chegada dos Courier é, a princípio, direcionar as operações da nova aeronave para a região, mirando o desenvolvimento de mais negócios, como a atuação em fretamentos e operações dedicadas, a exemplo do contrato assinado com a Petrobras, além de ampliar a malha no transporte regular de passageiros.

A empresa deve receber a primeira unidade até o final deste ano.

Também é esperado ganhos de eficiência operacional e redução de custos em relação às aeronaves atualmente utilizadas em parte da malha regional.