Baterias podem reduzir cortes de energia, diz Alupar

Solução para cortes de geração passa pelo armazenamento, ainda sem marco regulatório definido

Robson Rodrigues, Fabricio Julião, da CNN Brasil
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O armazenamento de energia por baterias deve ganhar protagonismo no setor elétrico brasileiro como resposta aos crescentes cortes de geração renovável, conhecidos como “curtailment”. A avaliação é de Luiz Coimbra, diretor de relações com investidores da Alupar, que aponta o fenômeno como o principal desafio atual da indústria.

“Baterias vão ser uma das soluções para atender a demanda por potência”, afirmou o executivo em entrevista ao programa Alta Voltagem, da CNN Infra. Segundo ele, a tecnologia pode ajudar a reduzir desperdícios ao permitir o armazenamento da energia gerada em momentos de baixa demanda para uso posterior.

“Se a gente conseguir armazenar parte da energia em momento que não temos demanda e conseguir alocar em outros momentos, certamente teremos uma operação mais tranquila”, acrescentou.

O “curtailment” tem avançado no Brasil diante da rápida expansão das fontes eólica e solar, combinada com limitações na infraestrutura de transmissão. O resultado é o corte compulsório de geração, mesmo quando há capacidade instalada disponível, o que pressiona a eficiência do sistema e a rentabilidade dos projetos.

Nesse contexto, as baterias surgem como alternativa para dar maior flexibilidade à operação elétrica, especialmente em um sistema cada vez mais dependente de fontes intermitentes. Apesar do potencial, o avanço desses projetos ainda esbarra em incertezas regulatórias.

Segundo Coimbra, a Alupar já avalia oportunidades em sistemas de armazenamento, mas aguarda definições mais claras por parte do governo federal. Do lado da regulação, a ausência de regras específicas para o armazenamento de energia é vista pelo setor como o principal entrave para destravar investimentos. O tema vem sendo discutido há anos, mas ainda não há um marco consolidado que dê segurança aos agentes.

Um indicativo recente da necessidade de soluções para potência foi o leilão de reserva de capacidade realizado em março, que contratou 18,97 gigawatts (GW) e deve mobilizar cerca de R$ 64,5 bilhões em investimentos. Apesar disso, o certame não incluiu projetos de baterias, evidenciando o estágio inicial da tecnologia no país.

O Ministério de Minas e Energia promete desde 2024 um leilão específico para o setor de baterias, mas ainda não há uma data marcada. A avaliação de Coimbra reforça a leitura de que, sem armazenamento, o país terá dificuldades para lidar com os picos de geração renovável e minimizar os cortes.