CGN: China enfrentou mesmo cenário de curtailment que Brasil e achou saídas

Em entrevista ao programa Alta Voltagem, a diretora Silvia Rocha destacou ser preciso resolver problemas do país antes de voltar a investir maciçamente

Fabricio Julião e Robson Rodrigues, da CNN Brasil, em São Paulo
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Os problemas causados pelos cortes de geração de energia no Brasil podem ser encarados como foram em outros países, segundo a diretora jurídica e de compliance da CGN Brasil, Silvia Rocha. Em entrevista ao programa Alta Voltagem exibido nesta segunda-feira (11), a executiva citou a China como exemplo.

"A China enfrentou esse mesmo problema de cuirtaitment há dez anos, quando havia os níveis elevados que a gente está sofrendo hoje. Nós temos ativos no nosso portfólio que estão sofrendo 40%, 50% de curitatiment em um dia. Esse é um cenário que a China enfrentou em meados de 2015, 2016, e eles criaram diversas frentes para que esses problemas fossem mitigados", declarou.

Enquanto o Brasil não resolve os altos índices de curtailment, Silvia Rocha defendeu diluir os impactos financeiros sem pressionar diretamente a conta de luz do consumidor.

A CGN é uma empresa chinesa com forte atuação em geração nuclear ao redor do mundo, mas com foco em eólica e solar no Brasil. Segundo Silvia, os chineses veem o atual cenário de cortes de geração via renováveis pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) com preocupação, mas nada que não estejam acostumados a lidar.

"Eles entendem o que acontece no Brasil [pela experiência que tiveram], mas há uma preocupação da velocidade de como isso será endereçado. O Brasil e a China tem uma parceria há mais de 50 anos, o cenário de negócios de empresas chinesas por aqui não é uma novidade", afirmou.

Os cortes de geração de energia ocorrem por três motivos: a falta de infraestrutura de transmissão, como linhas danificadas ou atrasadas, em que o gerador pode ser ressarcido por não ser responsável pelo problema; quando as linhas de transmissão atingem o limite de capacidade e a energia não pode ser escoada; e o excesso de oferta em relação à demanda. Nos dois últimos casos, não há direito a compensação.

Diante da atual situação, a diretora da CGN declarou que a orientação é investir nos ativos que a empresa já detém no país, antes de ir com apetite ao mercado por mais aquisições.

"Assim que vermos cenário a gente volta [a investir maciçamente]. Precisamos ter o cuirtatiment endereçado, precisamos ter pontos de conexão e acesso. A gente tem um pipeline importante, que não conseguimos dar andamento porque não temos andamento para escoar essa energia", concluiu.