Data centers: setor vê gargalos e pressão por mais infraestrutura

Crescimento expôs déficits como falta de energia elétrica, burocracia na importação de equipamento, regulação insuficiente e falta de mão de obra especializada

Rafael Villarroel, da CNN Brasil
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Com o avanço da inteligência artificial e a demanda por data centers em constante crescimento, a indústria busca formas de conseguir aproveitar o potencial deste mercado no Brasil

Durante o Encontro Internacional da Indústria da Construção de 2026, representantes do setor alertaram para a necessidade de avanços regulatórios, antes que os investimentos migrem para o exterior.

Atualmente, o Brasil é principal polo de data centers na América Latina com investimentos em data centers, tendo R$ 30 bilhões em investimentos anunciados, com crescimento anual de 40%, segundo Gustavo Pazelli, diretor da LZA Engenharia e Gerenciamento.

Entretanto, a questão geográfica ainda é um desafio interno.

Segundo Tiago Rossi, superintendente de Desenvolvimento de Negócios da Racional Engenharia, a experiência da implantação dos projetos, que, de pequenas salas, se tornaram complexos com servidores capazes de consumir anualmente energia de uma cidade com mais de 300 mil habitantes.

Apesar de abundante, a energia no país suficiente para atender a um data center só está tecnicamente disponível nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, além de boas oportunidades em regiões do nordeste.

Além disso, a burocracia na importação dos equipamentos necessários é outro entrave enfrentado, que pode atrasar e encarecer projetos, ou até inviabilizá-los.

“Você tem que estar aberto a poder lidar em um ambiente multicultural, com diferentes áreas e diferentes vendors de regiões diferentes do mundo. Então, tem que ter esse profissional que tem expertise de entender que a tecnologia avança e compreender como isso funciona”, disse Rossi.

Já em relação à regulação, assim como os insumos fundamentais para o funcionamentos dos data centers, o vice-presidente Financeiro da CBIC, que assumirá a presidência da entidade em julho, afirmou que os pontos já foram discutidas com o presidente Lula.

“Levamos a ele a necessidade de regulação da água, da energia e do próprio corpo de bombeiros. Estamos falando não só de empresas, mas também de condições fundamentais para a qualidade de vida da população”.

Ainda sobre a adequação dos interesses públicos e privados, o tempo é outro fator que corre contra, pois há uma pressão pela urgência da demanda e velocidade dos avanços tecnológicos.

Segundo Luis Cuevas, diretor de Secure Power e Negócios de Data Centers da Schneider Electric no Brasil, a cada um dólar investido na instalação, oito dólares são investidos em equipamentos, os quais precisam ser renovados a cada cinco anos.

Para Cuevas, "o que não acontecer aqui, acontecerá em outro país”.