Demanda global por cobre vai explodir e Brasil pode ganhar espaço

Eletrificação da economia e avanço de tecnologias vão fazer a demanda global por cobre disparar; Brasil tenta se preparar para ganhar espaço nesse mercado

Gabriel Garcia, da CNN Brasil, Brasília
Compartilhar matéria

A demanda global por minério de cobre, considerado pelo setor mineral como o “mais crítico” dos minerais, deve crescer de forma acelerada nos próximos anos. E o Brasil, dono de reservas relevantes do metal, pode ganhar espaço no mercado global.

O diagnóstico do setor é relativamente simples: o cobre é essencial para praticamente toda tecnologia ligada à eletrificação da economia.

O metal é utilizado em sistemas de transmissão e distribuição de energia, redes elétricas, veículos elétricos, turbinas eólicas, painéis solares, baterias, eletrônicos e infraestrutura digital.

Até mesmo o avanço da inteligência artificial deve aumentar a demanda pelo metal.

O treinamento e operação de modelos de IA ocorre em grandes data centers, que exigem enorme infraestrutura elétrica.

Nessas instalações, o cobre é utilizado em equipamentos de distribuição de energia, sistemas de resfriamento e infraestrutura de rede, graças à sua alta condutividade elétrica e térmica, durabilidade e custo relativamente baixo. Ou seja: praticamente toda tecnologia moderna precisa de cobre.

Esse crescimento acelerado da demanda já levanta alertas sobre a capacidade de oferta do metal no longo prazo.

A IEA (Agência Internacional de Energia) projeta que o mercado global de cobre pode enfrentar um déficit de oferta de até 30% até 2035, caso novos projetos de mineração não avancem no ritmo necessário.

Os preços já refletem essa pressão. O cobre atingiu níveis recordes recentemente, superando US$ 14.500 por tonelada em janeiro de 2026, depois de ultrapassar pela primeira vez a marca de US$ 12 mil por tonelada em dezembro de 2025.

Atualmente, o Brasil responde por cerca de 1% da produção mundial de cobre, com a produção concentrada em poucas minas espalhadas pelo território nacional.

Um estudo do Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) indica que o país deve receber cerca de US$ 8,6 bilhões em investimentos no setor de cobre até 2030.

Hoje, o principal polo produtor está no Pará, que abriga algumas das maiores minas do país, como Sossego e Salobo, na província mineral de Carajás.

Goiás aparece como segundo maior produtor nacional, com destaque para a mina de Chapada. Outro importante polo é a mina Serrote, em Alagoas, que entrou em operação em 2021.

Apesar de ainda ter uma participação relativamente pequena no mercado global, dominado por países como Chile, Peru e República Democrática do Congo, autoridades do setor mineral, tanto públicas quanto privadas, avaliam que o Brasil possui potencial relevante para ampliar sua produção.

*Potencial para novas descobertas*

Uma das apostas do setor, além da expansão das minas já existentes, está na possibilidade de novas descobertas.

O SGB (Serviço Geológico do Brasil) colocou o mapeamento e a prospecção de cobre entre as prioridades estratégicas da instituição, com foco especial na região de Carajás.

Carajás é hoje a principal província mineral do país, mas não é a única com potencial para novas descobertas.

Outras regiões consolidadas, como o Vale do Curaçá, na Bahia, e o Arco Magmático de Goiás, também apresentam potencial para novos depósitos.

Além disso, existem áreas ainda pouco exploradas, mas consideradas promissoras, como as províncias Rondônia–Juruena–Teles Pires e Tapajós.

“Essas áreas representam novas fronteiras para a mineração de cobre no Brasil e podem contribuir significativamente para o aumento da produção nacional”, afirma o governo no estudo Panorama Nacional do Cobre.

Entre os projetos que mais têm chamado atenção do setor está o Projeto Furnas, desenvolvido pela mineradora canadense Ero Copper em parceria com a Vale.

Segundo a empresa canadense, estudos preliminares indicam uma mina com vida útil inicial de 24 anos, com produção média anual equivalente a cerca de 108 mil toneladas de cobre equivalente nos primeiros 15 anos de operação.

Em fevereiro, a Ero divulgou o primeiro estudo econômico do projeto, localizado na província mineral de Carajás, no Pará.

O plano prevê produção anual de aproximadamente 70 mil toneladas de cobre, além de ouro e prata como subprodutos, que ajudam a reduzir os custos operacionais.

O investimento inicial estimado é de cerca de US$ 1,3 bilhão, e o empreendimento pode se tornar uma das principais novas minas de cobre do país.

*Vale aposta no cobre*

De olho nessa tendência global, a Vale, maior mineradora do Brasil, decidiu ampliar sua aposta no metal.

A companhia anunciou US$ 3,5 bilhões em investimentos até 2030 para expandir a produção de cobre na região de Carajás, no Pará.

A estratégia da empresa é praticamente dobrar a produção do metal até 2035, chegando a cerca de 700 mil toneladas por ano.

Em entrevista ao CNN Infra durante o PDAC (Prospectors & Developers Association of Canada), maior evento de mineração do mundo, o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou que a companhia vê o cobre como um dos pilares da estratégia futura.

“Existe hoje uma percepção e um reconhecimento de que pode faltar cobre. A oferta de cobre tem que crescer muito. A Vale quer assumir o papel de poder ofertar esse cobre”, afirmou.