Irã diz que ataque atingiu instalação de produção de urânio concentrado
País classificou os ataques, supostamente realizados pelos EUA e Israel, como violação da proteção de instalações nucleares pacíficas

A Organização de Energia Atômica do Irã condenou um suposto ataque conjunto entre os EUA e Israel a uma instalação de produção urânio concentrado no centro do país, classificando-o como uma violação da proteção de instalações nucleares pacíficas.
A usina, também conhecida como Instalação Shahid Rezayee Nejad, é um componente crítico do ciclo de combustível nuclear iraniano e está localizada em Ardakan, província de Yazd.
A organização afirmou nesta segunda-feira (6), em uma publicação na rede social X, que o ataque foi “uma clara violação da imunidade de instalações nucleares pacíficas” e um ataque direto à “cadeia de suprimentos de combustível nuclear do Irã”, bem como ao desenvolvimento da medicina nuclear.
“A tecnologia nuclear do Irã está a serviço da paz e da saúde da humanidade”, diz o comunicado, acrescentando que o caminho nuclear do país “nunca será interrompido pelo lançamento de bombas pesadas”.
A organização não informou quando o ataque ocorreu nem se danificou a instalação, que processa minério de urânio.
A CNN entrou em contato com os Estados Unidos e Israel para obter comentários.
O Irã também relatou, no final de março, que ataques conjuntos entre EUA e Israel atingiram a mesma instalação de produção de concentrado de urânio. A Agência Internacional de Energia Atômica confirmou os danos à usina, mas não encontrou aumento nos níveis de radiação fora das instalações.
"Grave acidente radiológico"
A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) afirmou nesta segunda-feira (6) que a atividade militar em curso perto da usina nuclear de Bushehr, no Irã, pode causar um "grave acidente radiológico" com potenciais consequências que ultrapassam as fronteiras do país.
No domingo (5), um projétil atingiu uma área próxima à usina – frequentemente chamada de BNPP – marcando a quarta vez que o local foi alvo de ataques desde o início da guerra, segundo a agência de notícias estatal iraniana Tasnim.
O diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, afirmou que “a continuidade da atividade militar perto da Usina Nuclear de Bangsamoro (BNPP) – uma usina em operação com grandes quantidades de combustível nuclear – pode causar um grave acidente radiológico com consequências nocivas para as pessoas e o meio ambiente no Irã e em outros países”, publicou a AIEA na rede social X.
Com base em análises independentes, a AIEA confirmou que ataques aéreos ocorreram recentemente nas proximidades da usina, incluindo um a apenas 75 metros do perímetro do local. A agência afirmou que a própria usina não sofreu danos.



