DHL: Mercado de cargas da América Latina é pressionado por alta demanda

Relatórios da DHL Global Forwarding mostram que o crescimento da demanda, sem o avanço da capacidade logística, já trazem efeitos em "alta temporada precoce" no mercado de cargas da América Latina

Patrick Palhares, da CNN Brasil
Compartilhar matéria

O mercado de cargas da América Latina enfrenta uma demanda crescente em ritmo mais acelerado do que a expansão da capacidade logística, provocando uma espécie de alta temporada precoce. A avaliação é dos relatórios Ocean Freight Market Update e Air Freight State of the Industry, da DHL Global Forwarding.

Os documentos registram avanços significativos na demanda e nas tarifas dos transportes aquaviário e aéreo na comparação com o mesmo período de 2025.

Segundo o relatório, o aumento das tarifas marítimas e as restrições de espaço nos navios, somados às contínuas disrupções nas cadeias globais de suprimentos, estão mudando as condições do transporte aquaviário de cargas em toda a América Latina. Ao mesmo tempo, o transporte aéreo tem mantido um papel fundamental para envios de alto valor agregado e de produtos com temperatura controlada.

"A América Latina atravessa um dos cenários mais dinâmicos dos últimos anos para o transporte internacional de cargas, com uma demanda que cresce em ritmo superior à capacidade disponível", avalia Erik Meade, CEO da DHL Global Forwarding para a América Latina.

Transporte aquaviário

O levantamento dedicado ao modal aquaviário aponta que as rotas entre Ásia e América Latina são as mais pressionadas, chegando a registrar taxa de ocupação das embarcações de 98%.

Em relação aos preços, o Índice de Frete de Contêineres de Xangai, considerado um dos principais indicadores das tarifas globais de frete marítimo, está 84% acima do registrado no mesmo período do ano passado. Já as tarifas para a Costa Oeste da América Latina acumulam alta de 126%, acima da média das rotas globais.

Entre os principais problemas apontados pelo levantamento estão os congestionamentos portuários, a falta de equipe qualificada em Xangai e Ningbo e uma gestão mais disciplinada da capacidade pelas armadoras.

Transporte aéreo

As rotas aéreas também registram demanda aquecida entre Ásia e América Latina, com crescimento de 20% nos volumes transportados em relação a maio de 2025, ao mesmo tempo em que apresentam alta de 27% na média tarifária.

O estudo dedicado ao transporte aéreo aponta que a estabilidade da capacidade de transporte acentua os gargalos nas rotas provenientes da América do Norte e da Europa. O documento destaca os voos com destino a São Paulo, Santiago e Buenos Aires.

Ainda assim, a DHL avalia que a expansão da oferta de carga aérea amplia a conectividade entre América Latina e Europa.

Meade entende os dados como um sinal de resiliência, traduzido pela ampliação das alternativas disponíveis na cadeia logística regional.

"Empresas que diversificam suas fontes de suprimento, adotam estratégias logísticas mais flexíveis e antecipam o planejamento de suas operações estão mais bem posicionadas para manter seus níveis de serviço diante da volatilidade do mercado", afirma.

Planejamento e estratégias logísticas

A companhia ressalta que o mercado de cargas na América Latina atravessa um dos períodos de maior restrição de capacidade dos últimos anos.

O crescimento da demanda sem a correspondente ampliação da capacidade logística, aliado à tendência de alta das tarifas, torna a organização das operações ainda mais estratégicas para as empresas.

A DHL Global Forwarding indica que o planejamento antecipado e a diversificação das estratégias logísticas se tornam cada vez mais importantes para fortalecer a resiliência das cadeias de suprimentos.