Elea: Estreia do Brasil na Copa quadruplica volume de dados em data center

O embate entre Brasil e Marrocos fez com que o data center Elea, no Rio de Janeiro, registrasse um volume de tráfego de 865 Gbps — mais de quatro vezes acima do volume habitual, de cerca de 200 Gbps

Patrick Palhares, da CNN Brasil, em São Paulo
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No sábado (13), o Brasil estreou na Copa do Mundo de 2026 em um embate contra o Marrocos, partida que levou parte significativa dos brasileiros a televisores, computadores e smartphones para acompanhar em tempo real a Seleção. Essa alta repentina no número de telespectadores também significa um aumento no volume de tráfego de dados, o que levou o data center RJO1, da Elea, no Rio de Janeiro, a lidar com um volume 4,3 vezes maior do que o habitual.

A companhia informou que, durante o jogo, esse volume alcançou o patamar de 865 Gbps, muito acima dos cerca de 200 Gbps registrados em dias normais. "Para dar uma dimensão, é como se 30 mil fotos fossem transferidas em um único segundo", explica Thiago Pongelupe, diretor de Vendas Técnicas da Elea.

Os data centers, que ganharam ainda mais visibilidade com o avanço das aplicações de inteligência artificial, também são uma etapa intermediária entre as câmeras nos estádios e o telespectador, abrigando e processando dados que serão distribuídos para os serviços de transmissão.

Segundo o executivo, mais importante do que o número em si é o que ele demonstra: durante eventos como a Copa do Mundo, milhões de pessoas passam a acessar conteúdos e serviços digitais.

Pongelupe destaca ainda que, no passado, o desafio era distribuir um sinal de televisão, mas, hoje, o mesmo conteúdo precisa chegar a diferentes dispositivos e plataformas para uma audiência significativamente maior.

"O crescimento do streaming ampliou significativamente a importância dos data centers, que passaram a ser pontos centrais para processamento, armazenamento e distribuição desses conteúdos", diz o diretor de Vendas Técnicas.

Ele também destaca que as estruturas não são dedicadas exclusivamente às transmissões, mas também são responsáveis por lidar com dados de redes sociais, aplicativos de mensagens, plataformas financeiras, e-commerce e outros serviços digitais, que igualmente registram aumento de demanda durante grandes eventos.

Outro desafio apontado por Pongelupe é a necessidade de oferecer uma transmissão rápida e alinhada entre plataformas, apesar das diferenças e características de cada meio de streaming.

"O usuário espera uma experiência praticamente instantânea, independentemente de onde esteja ou do dispositivo que esteja utilizando. Isso exige uma infraestrutura cada vez mais distribuída, conectada e resiliente", diz o diretor de Vendas Técnicas.

Preparação para a Copa

Pongelupe destaca que grandes eventos, como a Copa do Mundo, são planejados com antecedência.

"Toda a cadeia realiza projeções de demanda, reforça equipes de monitoramento e revisa procedimentos operacionais", afirma.

Ele explica que, dentro de um data center, essa preparação envolve estratégias de redundância em energia, refrigeração, conectividade e carga de dados, além de rotas alternativas para o tráfego de dados, de forma que, caso um sistema falhe, outro assuma imediatamente.

Ainda assim, segundo Pongelupe, boa parte da infraestrutura utilizada nesses momentos já existe e opera diariamente, sustentando diferentes tipos de aplicações digitais. O que acontece é uma adaptação da operação para absorver o aumento temporário da demanda.

Questionado sobre um eventual aumento de custos provocado pelos momentos de alta demanda e pelos ajustes necessários, o executivo afirma que os investimentos para suportar picos de tráfego com segurança são permanentes. Ainda assim, existe um planejamento específico para grandes eventos, que exige reforços operacionais e capacidade adicional para absorver volumes excepcionais de tráfego.

"É parecido com o que acontece em aeroportos durante feriados ou grandes eventos: a estrutura principal já existe, mas a operação é adaptada para absorver um volume maior de usuários", afirma.

Aumento de desafios, mas sem risco de falha

Apesar dos desafios, o executivo destaca que as estruturas são projetadas justamente para operar sob condições de alta demanda, de modo que o aumento de tráfego, por si só, não representa um risco quando existe planejamento adequado.

"O que existe é a necessidade de dimensionar corretamente a capacidade, a conectividade e os recursos computacionais para absorver esses picos", afirma.

Pongelupe lembra ainda que, hoje, aplicações críticas são desenvolvidas para operar em ambientes redundantes e distribuídos justamente para evitar falhas.

"Por isso, os data centers trabalham com múltiplos sistemas de energia, conectividade e processamento, além de mecanismos de recuperação automática", explica.

Ele também destaca que eventos como a Copa são acompanhados em tempo real por equipes técnicas que monitoram continuamente o comportamento da infraestrutura e, quando necessário, realizam ajustes operacionais.