Especialistas apostam em Margem Equatorial como futuro polo do petróleo

Fontes do setor avaliam que licenças do Ibama são passo fundamental para avanço da exploração

Beatriz Oliveira, da CNN Brasil, em São Paulo
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A autorização do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para a Petrobras perfurar mais três poços exploratórios na Margem Equatorial abre uma nova etapa na avaliação do potencial petrolífero da região.

A medida ocorre após a descoberta de petróleo no poço Morpho, no litoral do Amapá, e permitirá avançar na delimitação da área e na análise de sua viabilidade comercial.

Essas explorações acontecem em meio a um momento de busca global por novas reservas de petróleo, diante de conflitos em regiões produtoras e da transição energética.

“O mundo inteiro está procurando novas reservas porque temos um conflito no Oriente Médio. A transição energética não vai implicar a substituição do petróleo, mas, sim, a adição de outras fontes de energia renováveis. O petróleo continua sendo necessário, e o Brasil precisa de petróleo”, avaliou ao CNN Money o presidente da Abespetro (Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo), Telmo Ghiorzi.

Um estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria) estima que a exploração da Margem Equatorial possa gerar 495 mil empregos e acrescentar R$ 175 bilhões ao PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro.

Além disso, a entidade também projeta um potencial de R$ 3,6 bilhões a R$ 5,4 bilhões em royalties anuais.

Esses números, porém, são projeções, ainda é necessário concluir a campanha exploratória para determinar o volume recuperável, a qualidade do petróleo e se a produção será economicamente viável.

“A liberação do Ibama representa a possibilidade de confirmar a descoberta feita em Morpho, delimitá-la e avaliar sua comercialidade”, apontou Marcio Felix, presidente da ABPIP (Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Petróleo e Gás) e ex-secretário de Petróleo, Gás e Biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia, ao CNN Money.

O Amapá aparece como um dos principais pontos de atenção, já que a descoberta de Morpho está localizada na costa do estado. Segundo estudos citados por Felix, a confirmação da viabilidade econômica poderia elevar o PIB estadual em pelos menos 60% e gerar cerca de 50 mil empregos.

E o impacto iria além da produção de petróleo, segundo Marcus D'Elia, sócio da Leggio Consultoria. Caso o Amapá seja escolhido como base offshore, seriam necessários investimentos em logística, transporte, manutenção e fornecedores, criando uma nova cadeia econômica no Estado.

“Se o volume previsto se confirmar, o Estado pode se tornar um novo polo da indústria de óleo e gás brasileira”, explicou.

Estimativas do setor apontam para um potencial de até 30 bilhões de barris na Margem Equatorial. O número, no entanto, é apenas uma estimativa e não representa reservas comprovadas.

Ao CNN Money, Telmo Ghiorzi avaliou que o caminho até uma eventual extração será longo.

“Depois da campanha exploratória, será necessário comprovar a comercialidade da descoberta e obter a aprovação da ANP [Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis]”, afirmou o presidente da Abespetro.

Nesse sentido, Eberaldo de Almeida Neto, ex-presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis), alerta para a demora que o processo tem tido em avançar.

Ao observar países como Guiana e Suriname que se aproveitam de reservas análogas à Margem Equatorial, o especialista aponta "um problema".

"Enquanto os vizinhos estão produzindo, a gente perdeu esse tempo todo. E a outra questão é que se a gente não abrir novas fronteiras no Brasil, a gente pode sair da posição de exportador de petróleo para importador de petróleo", pontuou.

Apesar das incertezas sobre o real tamanho das reservas, os especialistas ouvidos pelo CNN Money consideram a autorização do Ibama um sinal positivo para o avanço das atividades na região.

Para D’Elia, a decisão indica que o plano de contingência apresentado pela Petrobras foi considerado adequado para a continuidade da exploração.