Governo estadual define preço mínimo de R$ 47,23 por ação da Copasa

Valor foi divulgado em fato relevante da companhia após retificação da oferta de privatização da estatal mineira

Jenifer Ribeiro e Robson Rodrigues, da CNN Brasil, Brasília e São Paulo
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O governo de Minas Gerais definiu em R$ 47,23 o preço mínimo por ação na oferta pública que vai viabilizar a privatização da Copasa (Companhia de Saneamento de Minas Gerais), segundo fato relevante divulgado pela companhia nesta quarta-feira (28).

A definição do piso ocorre em meio a questionamentos ao processo de venda da participação do estado na empresa e após a apresentação de propostas de grupos interessados, como Aegea e Equatorial Energia, abaixo do esperado.

Além da divulgação do preço mínimo, a companhia informou uma alteração na quantidade máxima de ações adicionais que poderão ser ofertadas. O volume caiu de 19.135.730 para 19.035.730 ações após a identificação de bloqueios judiciais envolvendo 46.737 papéis de titularidade do governo mineiro.

Pelo modelo desenhado pelo governo de Minas Gerais, a privatização será feita por meio de uma oferta pública secundária de ações. Na prática, o estado vende parte dos papéis que já possui na Bolsa, transferindo o controle acionário da companhia para a iniciativa privada, mas mantendo poder de veto em decisões estratégicas.

O objetivo do governo estadual é utilizar os recursos arrecadados com a operação para ajudar no pagamento da dívida de Minas Gerais com a União, estimada em cerca de R$ 180 bilhões.

Novo cronograma

O cronograma da oferta também foi atualizado. O período de reserva das ações ocorrerá entre os dias 5 e 9 de junho, etapa em que investidores manifestam interesse na compra dos papéis da companhia no processo de privatização. 

Já a definição do preço final por ação, no chamado bookbuilding, está prevista para 11 de junho. A divulgação do rateio e a confirmação da oferta devem ocorrer em 12 de junho, enquanto a liquidação financeira está prevista para 16 de junho.

Defasagem no preço

Mesmo após a definição do preço mínimo da ação, o modelo de privatização continua sendo alvo de críticas do Sindiagua-MG (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Purificação e Distribuição de Água e em Serviços de Esgotos do Estado de Minas Gerais). 

Segundo a entidade, considerando projeções feitas por bancos que participaram das análises do processo, o valor médio de compra das ações poderia chegar a R$ 65. Nesse cenário, a diferença entre o valor estimado pelo mercado e o preço mínimo definido representaria uma defasagem de aproximadamente R$ 3,12 bilhões.

O presidente do sindicato, Milton Costa, afirmou ainda para a reportagem que a atualização divulgada pelo governo alterou apenas o parâmetro de preço da oferta, sem mudanças nos critérios concorrenciais do processo, como foi demandado pelo TCE-MG (Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais). 

Para ele, as exigências e regras de participação continuaram as mesmas, o que mantém limitações à competitividade da disputa e consequentemente baixa o valor final da privatização.