Menos de 40% do setor de infraestrutura vê cenário favorável a investimento
Barômetro da Abdib e EY aponta aumento da cautela para os próximos seis meses, apesar do recorde de R$ 280,4 bilhões investidos em 2025

A parcela de gestores, investidores e especialistas que considera favorável o cenário para novos investimentos em infraestrutura no Brasil nos próximos seis meses caiu de 54,2% para 37,8%. Os dados são da 15ª edição do Barômetro da Infraestrutura, elaborado pela Abdib em parceria com a EY-Parthenon.
A piora da percepção ocorre após um ano recorde de investimentos. Em 2025, os aportes em infraestrutura chegaram a R$ 280,4 bilhões, maior valor da série histórica iniciada em 2010, com cerca de 80% do total realizado pelo setor privado.
Mesmo nesse patamar, o presidente executivo da Abdib, Venilton Tadini, explica que “ainda há um hiato de investimento em infraestrutura". De acordo com o executivo, seriam necessários R$ 225 bilhões adicionais por ano, durante uma década, para reduzir o déficit.
Pontos de atenção
O levantamento relaciona o aumento da cautela a uma combinação de fatores externos e domésticos que podem afetar custos, financiamento e execução dos projetos.
Entre eles estão o conflito no Oriente Médio, o avanço do protecionismo comercial, inflação e juros elevados, além das eleições, da Reforma Tributária, da política fiscal, dos marcos regulatórios e da segurança jurídica.
No cenário internacional, 43,9% dos entrevistados avaliam que o conflito no Oriente Médio tem impacto médio sobre a logística e o preço do petróleo, enquanto 20,3% apontam impacto alto. Já no ambiente doméstico, as eleições também entram no cálculo dos investidores. Em um cenário de continuidade do governo atual, 31% consideram que haveria impacto negativo sobre os investimentos.
Outro fator apontado pelos entrevistados é a Reforma Tributária: 62% das empresas já estudam seus efeitos sobre os contratos, e 13,4% pretendem iniciar essa análise ainda em 2026.
Prioridades e oportunidades de investimento
A agenda fiscal e tributária aparece como a principal prioridade para o próximo mandato federal, mencionada por 44,4% dos participantes.
Já no recorte específico da infraestrutura, a ampliação dos programas federais de concessões e PPPs lidera, com 26,2%, seguida por maior segurança jurídica nos contratos, com 24,6%.
Além disso, mesmo com a piora das perspectivas no curto prazo, saneamento continua liderando as intenções de investimento para os próximos três anos, citado por 50,4% dos participantes.
Rodovias aparecem em seguida, com 45,7%. O principal avanço foi o de ferrovias, que passaram de 32,8% para 40,9% e assumiram a terceira posição, à frente de energia elétrica, que recuou de 38,5% para 35,7%.
O Barômetro recebeu 233 respostas de gestores, investidores e especialistas entre 8 e 23 de junho de 2026.
*Sob supervisão de Robson Rodrigues


