Petrobras reduz venda de combustível em 20%, dizem fontes
Em nota ao CNN Money, estatal nega tanto redução do fornecimento de combustíveis quanto comunicação às distribuidoras sobre assunto

A Petrobras reduziu em até 20% o volume de combustíveis que distribuidoras poderão comprar em abril, em relação ao que foi comprado em igual período do ano passado.
A medida, que pegou os agentes de surpresa, empurra o país para uma encruzilhada: ou o setor privado acelera importações com preços cada vez maiores, ou cresce o risco de desabastecimento.
Em nota ao CNN Money, a estatal nega tanto a redução no fornecimento de combustíveis quanto comunicação às distribuidoras sobre o assunto.
"A companhia ratifica que está entregando o volume total contratado pelas distribuidoras. Não houve qualquer alteração nas entregas de produto por parte das refinarias da Petrobras. Elas estão ocorrendo conforme planejado e alinhadas aos compromissos comerciais vigentes. Todos os contratos assumidos pela companhia para março e abril serão cumpridos de forma integral", diz a Petrobras.
A Petrobras afirma que "está operando suas refinarias em capacidade máxima e otimizando todas as suas operações logísticas, a fim de ampliar a oferta de derivados e antecipar entregas às distribuidoras, cumprindo integralmente seu papel no abastecimento do país".
Mensalmente, a Petrobras anuncia a “cota mês” que cada cliente pode comprar das refinarias. O limite é necessário porque o Brasil não é autossuficiente em diesel e gasolina. Como a demanda é maior que a oferta, a Petrobras estabelece um teto para o volume que pode ser comprado pelas distribuidoras privadas.
Esse teto, porém, será ainda mais baixo em abril.
Sem produto nacional suficiente, é preciso procurar no exterior. O problema é que o cenário global é hostil e os preços dispararam diante da restrição de oferta gerada pela guerra. Em 19 de março, o diesel entregue nos portos brasileiros chegou a custar R$ 2,70 acima do valor praticado pela Petrobras nas refinarias; na gasolina, a defasagem atinge R$ 1,50.
Além do menor volume, a Petrobras também impôs uma mudança operacional que asfixia o planejamento das empresas. No decorrer de março, a cota mensal passou a ser liberada em frações diárias de 1/30.
O problema é que a demanda não é uniforme ao longo do mês. E, com essa imposição, as empresas não puderam ajustar as compras de acordo com o interesse de seus clientes.
Essa restrição nas vendas por parte da Petrobras traz outro desafio logístico - e, claro, de custos. O combustível vendido pela estatal chega às distribuidoras por meio de dutos.
Mas o produto importado chega de navio - e aí, o transporte a partir dos postos depende exclusivamente de caminhões, o que gera um pesadelo logístico.
Com isso, as empresas perdem a escala: em vez de programar grandes retiradas conforme a demanda, são obrigadas a manter um fluxo constante de veículos, elevando drasticamente os custos de frete e armazenagem.
A convicção de que haverá reajuste nas bombas nas próximas semanas é absoluta entre os grandes players.
O movimento começou pelos revendedores independentes e de menor porte que, pressionados pelo preço importado, reduziram suas compras externas e acabam sobrecarregando a demanda sobre as grandes distribuidoras.
Atualmente, o Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome. No caso da gasolina, a fatia vinda de fora é de aproximadamente 10%. Com essa restrição da oferta pela Petrobras, o risco é que essa fatia cresça.
Se houver produto disponível no exterior e tempo hábil para o desembarque nos portos, o preço certamente subirá para o consumidor final para cobrir o rombo da importação.
Caso a logística falhe ou o apetite financeiro das empresas não suporte o prejuízo, o Brasil poderá enfrentar episódios pontuais de falta de produto justamente em momento crucial para a safra, quando o consumo de diesel atinge o pico.


