Privatização da Sanepar não é o melhor modelo atualmente, diz presidente
Executivo da companhia paranaense afirma que empresa apresenta bons resultados e capacidade de investimento sem necessidade de venda do controle
A privatização da companhia de saneamento do Paraná não é uma alternativa neste momento, segundo o presidente da Sanepar Wilson Bley. “Não acho que esse seja o melhor modelo atualmente”, afirmou
Ele afirmou que a empresa apresenta bons resultados operacionais nos últimos anos, mantém capacidade de investimento e não enfrenta os mesmos desafios observados em outras companhias estaduais que optaram pela desestatização.
Em entrevista ao programa Conexão Infra, Bley avaliou que uma eventual venda do controle da empresa não geraria recursos suficientes para justificar a mudança de modelo.
“Vender ações simplesmente para colocar um pouco mais de recurso - que talvez nem seja tão expressivo - pode não trazer resultado”, afirmou.
O executivo destacou que cada estado possui uma realidade diferente e que soluções adotadas em outras regiões não necessariamente produzem os mesmos efeitos no Paraná. “A cada doença, um remédio. Eu acho que o remédio aplicado em outros lugares não seja o de melhor eficiência e eficácia no Paraná”, disse.
A declaração ocorre em meio ao avanço de processos de privatização no setor de saneamento, como aconteceu em São Paulo e em Minas Gerais, mais recentemente.
Para Bley, a situação da Sanepar é distinta. Segundo ele, a companhia tem conseguido realizar os investimentos necessários para expandir os serviços e apresentar resultados considerados positivos.
O Paraná atingiu 99% da população com acesso ao abastecimento de água em 2008 e pretende universalizar os serviços de esgotamento sanitário ainda em 2029 - o prazo máximo estabelecido pelo marco legal do setor é 2033.
Para isso, a empresa, que hoje leva a esgoto a 83% da população atendida, ainda precisa investir em mais 7% de prestação do serviço nos próximos três anos. Além disso, 100% do esgoto coletado pela empresa é tratado. Nas cidades brasileiros, 43,3% da população não têm acesso a coleta de esgoto.


