Rastreabilidade do ouro: substitutivo enfrenta resistência do setor mineral

Texto que transfere rastreabilidade para Casa da Moeda desidrata proposta original do governo para combater garimpo ilegal, avaliam agentes do setor

Gabriel Garcia, da CNN Brasil, Brasília
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O substitutivo ao PL 3025/2023, que trata do controle da origem, compra, venda e transporte de ouro no país, passou a enfrentar resistência do setor mineral e da ANM (Agência Nacional de Mineração).

A proposta original, enviada pelo Poder Executivo, foi elaborada como resposta ao avanço do garimpo ilegal e tinha como objetivo reforçar a rastreabilidade do ouro e aumentar o controle sobre a cadeia do metal.

O substitutivo apresentado pelo relator, deputado Marx Beltrão (PP-AL), no entanto, altera pontos centrais do desenho inicial, segundo avaliação de agentes do setor.

Em nota, o Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) argumenta que o texto apresentado pelo relator “preocupa o setor e organismos reguladores”.

A principal mudança envolve o modelo de rastreabilidade.

O texto original previa papel central da ANM na estruturação e no acompanhamento do sistema eletrônico de controle do ouro. Já o substitutivo transfere a operação para a Casa da Moeda, que passaria a ser responsável pela marcação física e digital do metal, além de instituir taxa para financiar o serviço.

A mudança é vista com preocupação por técnicos e representantes do setor mineral, que avaliam que a transferência da função para a Casa da Moeda cria incertezas operacionais e regulatórias.

A própria ANM manifestou posição contrária ao substitutivo.

Em nota técnica, a agência afirma que a proposta altera de forma significativa o modelo original e aponta limitações operacionais da Casa da Moeda para assumir a função. O documento também indica que a marcação física, da forma proposta, pode ser menos eficiente do que mecanismos tecnológicos mais robustos para rastrear a origem do ouro.

“Desta forma, é difícil compreender como será feita a operação para marcação do ouro pela Casa da Moeda. Acrescenta-se, neste caso, que a Casa da Moeda não possui quadro técnico para este fim, teria que passar por uma reformulação estrutural e de pessoal”, diz a ANM

Ao final, a ANM recomenda a aprovação do texto original do PL 3025/2023 e a rejeição do substitutivo.

O substitutivo quase foi votado no plenário da Câmara no dia 8 de abril, mas a apreciação foi adiada após articulação de parlamentares e representantes do setor mineral. O relator sinalizou que poderá fazer ajustes no texto.

A expectativa é que a proposta volte à pauta nos próximos dias, embora entidades do setor defendam que o projeto seja retirado da agenda para permitir um debate mais amplo sobre o modelo de rastreabilidade e fiscalização do ouro no país.