Segundo fundo ligado a terras raras chega à B3 em menos de um mês

Novo produto da Global X será negociado como BDR de ETF e amplia oferta de ativos ligados aos minerais críticos no mercado brasileiro

Gabriel Garcia, da CNN Brasil
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Menos de um mês depois da estreia do primeiro ETF de terras raras da B3, o mercado brasileiro terá um novo produto ligado ao tema.

A Global X vai disponibilizar a partir de 17 de julho o EART39, BDR de ETF que dá exposição a empresas globais envolvidas na cadeia de terras raras e materiais críticos. Um BDR de ETF é um recibo negociado na B3 que permite ao investidor brasileiro acessar, em reais, cotas de um fundo de índice listado no exterior, sem precisar abrir conta fora do país.

O lançamento reforça o avanço de produtos financeiros ligados à corrida global por minerais considerados estratégicos para a transição energética, a indústria de defesa, a eletrificação e a nova economia digital. As terras raras são usadas em tecnologias como ímãs permanentes, veículos elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas militares.

Apesar de chegar à B3 como uma nova alternativa para investidores interessados no setor, o EART39 não é um ETF local nos mesmos moldes do RARA11, lançado pela Investo no fim de junho.

O ETF de referência é o Global X Rare Earth & Critical Materials ETF, negociado no exterior sob o ticker EART.

Segundo a Global X, o fundo busca acompanhar o desempenho do Solactive Rare Earth and Critical Materials Index e investe em companhias envolvidas na produção de componentes de terras raras, metais e outros materiais considerados essenciais para tecnologias como veículos elétricos, armazenamento de energia, robótica e radares.

A carteira não se limita às terras raras. O universo do fundo inclui empresas ligadas à exploração, mineração, produção ou beneficiamento de elementos de terras raras, zinco, platina, paládio, níquel, manganês, lítio, grafeno, grafite, cobre, cobalto e fibra de carbono.

A chegada do EART39 ocorre após a estreia do RARA11, da Investo, descrito pela gestora como um ETF listado na B3 que replica no Brasil o REMX, fundo da VanEck negociado em Nova York e voltado a empresas globais de produção, refino e reciclagem de terras raras e metais estratégicos.

ETF é um fundo negociado em bolsa que permite ao investidor comprar, em uma única cota, exposição a uma cesta de ativos ou empresas ligadas a determinado índice, setor ou tema.

Na prática, os dois produtos reforçam a tentativa de aproximar o investidor brasileiro de uma tese que ganhou força nos últimos anos: a disputa por minerais críticos. Esses insumos passaram a ocupar posição central nas estratégias industriais de grandes potências.

Além do EART39, a Global X também vai lançar o CHPX39, BDR de ETF voltado ao ecossistema de semicondutores, inteligência artificial e computação quântica.

A combinação dos dois lançamentos mostra como duas agendas antes tratadas de forma separada passaram a caminhar juntas, de um lado, a demanda por minerais críticos usados na base física da transição energética e da indústria tecnológica; de outro, a corrida por semicondutores e infraestrutura computacional, impulsionada pelo avanço da inteligência artificial.