Vale anuncia renúncia imediata de presidente do Conselho
Em comunicado, empresa agradeceu Daniel André Stieler pelo período na companhia; Vale tem Assembleia Geral Extraordinária convocada para 22 de julho
A Vale anunciou na noite desta segunda-feira (6) a renúncia imediata do presidente do Conselho de Administração da Companhia, Daniel André Stieler. O comunicado foi divulgado pela companhia em Fato Relevante divulgado ao mercado.
"A Vale S.A. informa que recebeu, nesta data, carta do Sr. Daniel André Stieler comunicando sua renúncia aos cargos de membro e de presidente do Conselho de Administração da Companhia, com efeitos imediatos", diz um trecho.
A renúncia ocorre em meio a uma disputa aberta sobre a governança da Vale.
A disputa ganhou força em junho, quando a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e uma das principais acionistas da Vale, pediu a convocação de uma assembleia para discutir a saída de Stieler. A Previ detém 7,01% do capital social da Vale.
A fundação propôs a indicação de José Maurício Pereira Coelho para ocupar uma vaga no conselho e declarou apoio ao nome de Manuel Lino Silva de Souza Oliveira, conhecido como Ollie, para a presidência do colegiado.
A Previ defendeu ainda que José Maurício Coelho tem trajetória em finanças e governança e já presidiu o Conselho de Administração da Vale entre 2019 e 2021. Sobre Ollie, a fundação afirmou que o apoio ao nome dele para a presidência se baseava no perfil técnico, independente, na experiência internacional e no fato de ele já exercer a função de LID (Lead Independent Director), ou líder dos conselheiros independentes.
A movimentação abriu uma disputa sensível dentro da mineradora. Antes da renúncia, o Conselho de Administração da Vale havia recomendado aos acionistas a rejeição da proposta da Previ para mudar o comando do colegiado. A discussão também expôs divergências sobre o grau de influência de acionistas relevantes na governança da companhia.
Stieler tinha sido indicado pela própria Previ e integrava o Conselho de Administração da Vale desde 2021. Ele assumiu a presidência do colegiado em 2023 e também coordenava o Comitê de Indicação e Governança, além de integrar o Comitê de Alocação de Capital e Projetos.
Agora, a AGE (Assembleia Geral Extraordinária) de 22 de julho deixa de ter como principal ponto a destituição do presidente do Conselho e passa a concentrar a atenção na recomposição do colegiado e na correlação de forças para a escolha do novo comando.
Troca no conselho
O embate vai além da substituição de um nome no Conselho de Administração. A disputa envolve o grau de influência da Previ sobre a Vale e a forma como a mineradora, hoje sem controlador definido, organiza sua governança interna.
A Vale passou por um processo de transformação societária iniciado em 2017, quando a companhia começou a se reorganizar para deixar para trás a estrutura com bloco de controle e avançar para o modelo de corporation.
A transição ganhou força com o fim do acordo de acionistas, em 2020, e foi considerada concluída pela própria empresa em 2021, após mudanças no Estatuto Social e a eleição de um Conselho de Administração com maioria de membros independentes. Hoje, a mineradora se define como uma companhia de controle acionário pulverizado e sem acordo de acionistas em vigor.
Embora a fatia da Previ não dê controle sobre a empresa, o tamanho da participação dá ao fundo de pensão poder relevante para articular votos e influenciar discussões estratégicas.
A definição do novo comando será o principal termômetro da correlação de forças dentro da Vale. Se Ollie ganhar força para assumir a presidência, a Previ sairá fortalecida politicamente. Se o Conselho construir uma solução alternativa, a leitura será de resistência a uma tentativa de maior influência do fundo sobre a governança da mineradora.


