Viridis aproxima projeto Colossus de financiamento e decisão final

Projeto de terras raras em Minas Gerais teve recurso medido ampliado e mira decisão final ainda em 2026

Gabriel Garcia, da CNN Brasil, Brasília
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A australiana Viridis Mining and Minerals afirmou ter alcançado um marco técnico considerado essencial para financiar o projeto Colossus, de terras raras, em Minas Gerais, após atualizar a estimativa de recursos minerais e elevar a confiança geológica de parte do depósito.

Segundo comunicado divulgado nesta quinta-feira (9), o projeto passou a contar com recurso mineral total de 473 milhões de toneladas, com teor de 2.505 ppm de TREO, sigla para óxidos totais de terras raras, e 592 ppm de MREO, que reúne os óxidos magnéticos de terras raras mais relevantes para a cadeia de ímãs, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.

O principal avanço, porém, está na categoria de maior confiança geológica. A Viridis informou ter definido um recurso mineral medido de 31 milhões de toneladas, com 2.858 ppm de TREO e 758 ppm de MREO. A companhia afirma que esse volume dá sustentação técnica aos primeiros anos do plano de lavra e ajuda a abrir caminho para a contratação de dívida para o projeto.

Na prática, a Viridis afirma que Colossus tem 473 milhões de toneladas em recurso mineral total, mas nem todo esse volume tem o mesmo grau de confiança geológica. O bloco considerado mais robusto, formado pelos recursos medidos e indicados, soma 305 milhões de toneladas.

Dentro desse grupo, 31 milhões de toneladas estão na categoria medida, a mais alta em termos de confiança, e é justamente essa parcela que deve sustentar os primeiros anos do plano de lavra e apoiar a busca por financiamento. O restante está na categoria inferida, que tem menor grau de confiança e ainda depende de mais estudos para avançar na classificação.

“Esta atualização de recursos representa outro marco importante no desenvolvimento do Projeto Colossus”, afirmou o diretor-gerente da Viridis, Rafael Moreno. Segundo ele, a sondagem adensada “entregou exatamente” o que a empresa buscava: aumentar a confiança geológica e definir um recurso medido capaz de sustentar os anos de maior valor da produção planejada.

A empresa afirma que a atualização atende a um requisito técnico-chave para o financiamento da dívida do projeto. A expectativa da Viridis é que parte do cronograma inicial de produção seja convertida em reservas provadas dentro do DFS (Estudo de Viabilidade Definitivo), etapa necessária antes da FID (decisão final de investimento), prevista pela companhia para o segundo semestre de 2026.

“É importante ressaltar que este não é apenas um marco geológico, é um marco de financiamento”, disse Moreno. “Definir mais de cinco anos de recursos medidos para o plano inicial de mina satisfaz um requisito técnico-chave para o financiamento de dívida do projeto.”

A Viridis também destacou que o recurso mineral atualmente definido cobre apenas cerca de 12% da área total de Colossus, o que, segundo a empresa, mantém potencial para novas expansões.

O comunicado reforça a estratégia da Viridis de posicionar Colossus como um dos principais projetos globais de terras raras em argila de adsorção iônica, tipo de depósito que ganhou relevância por permitir, em alguns casos, rotas de processamento menos intensivas do que projetos de rocha dura.

A relevância dos MREO está ligada ao uso de terras raras magnéticas em ímãs permanentes, empregados em motores elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e tecnologias de defesa. Esses elementos tendem a carregar maior valor econômico do que terras raras mais abundantes, como lantânio e cério.

A Viridis afirma que neodímio, praseodímio, disprósio e térbio representam cerca de 24% do TREO no recurso medido e indicado. Para a empresa, essa composição sustenta um valor de cesta mais elevado e melhora a atratividade econômica de longo prazo do projeto.

Outro ponto destacado pela companhia foi a definição de uma zona de alto teor, com 97 milhões de toneladas acima de 4.000 ppm de TREO e 1.000 ppm de MREO. Segundo a Viridis, esse material deve ajudar a sustentar os primeiros anos de produção, período considerado relevante para geração de caixa e retorno do capital investido.

“Com 97 milhões de toneladas já definidas com teores superiores a 4.000 ppm de TREO e 1.000 ppm de MREO, estamos excepcionalmente bem posicionados para entregar um perfil inicial de produção de alto teor”, afirmou Moreno.