Cabo Verde prevê terras raras a partir de 2030 e busca US$ 460 milhões

Empresa que se apresenta como de capital 100% nacional diz que avanço em terras raras exige diálogo com todos os players e leitura do “xadrez geopolítico”; primeira estimativa de recursos minerais deve sair em até três meses

Gabriel Garcia, da CNN Brasil
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A Cabo Verde Mineração prevê investimentos de cerca de US$ 460 milhões para desenvolver seu projeto de terras raras no Sul de Minas Gerais e estima iniciar a produção em escala comercial a partir de 2030.

As informações foram confirmadas pelo CEO da companhia, Túlio Rivadávia, em entrevista ao Mapa da Mina, programa semanal de mineração da CNN. A Cabo Verde se apresenta como de capital 100% nacional.

A companhia atua em áreas próximas ao complexo alcalino de Poços de Caldas, uma das regiões que mais atraem projetos de terras raras no país. O ativo ainda está em fase de pesquisa mineral, mas a empresa afirma que segue padrões internacionais de certificação e pretende publicar uma primeira estimativa de recursos nos próximos meses.

“Eu acredito que em escala industrial, que a gente vai ter a usina operando é 2030 pra frente, sendo otimista”, afirmou Rivadávia.

As terras raras são um grupo de elementos usados em cadeias consideradas estratégicas, como ímãs permanentes, carros elétricos, turbinas eólicas, equipamentos eletrônicos e sistemas de defesa. O mercado ganhou relevância nos últimos anos em meio à tentativa de Estados Unidos, União Europeia e outros países de reduzir a dependência da China, que concentra etapas centrais de processamento e refino.

Segundo Rivadávia, a Cabo Verde precisa saber navegar esse ambiente geopolítico e conversar com diferentes atores do mercado. O executivo afirmou que a empresa busca parceiros financeiros.

O CEO disse que a companhia não tem interesse imediato em abrir capital ou seguir o caminho de outros projetos de terras raras que recorrem à bolsa para financiar a exploração.

Segundo ele, antes de uma entrada mais robusta de capital, a empresa precisa declarar recursos em padrões aceitos internacionalmente, como JORC e NI 43-101.

“Para que a gente certifique esses recursos nessas organizações, exige um custo muito alto, porque você tem que investir em quality person que vem de fora, você tem um double check de tudo o que é AQC”, afirmou.

A Cabo Verde pretende publicar nos próximos meses uma primeira estimativa de recurso mineral inferido para o alvo Caconde, uma das áreas mais avançadas do projeto de terras raras da empresa no Sul de Minas.

A certificação é considerada uma etapa central para projetos de mineração porque permite ao mercado avaliar volume, teor, potencial econômico e risco geológico de um ativo. No caso das terras raras, essa etapa ganha ainda mais peso porque a viabilidade depende não apenas do teor total, mas da composição da cesta de elementos, da recuperação metalúrgica e da rota de processamento.

A Cabo Verde tem se posicionado como uma das apostas brasileiras na corrida por minerais críticos.

A empresa afirma desenvolver um projeto em argilas iônicas, tipo de depósito que pode ter rota de processamento diferente da mineração tradicional em rocha dura. A tese é que esse modelo pode facilitar a extração de elementos de maior valor, embora a viabilidade econômica ainda dependa de testes, escala, licenciamento e financiamento.

Rivadávia também defendeu o fortalecimento da CBRR (Comissão Brasileira de Recursos e Reservas), entidade brasileira voltada à padronização de declarações de recursos e reservas minerais.

“A gente precisa revitalizar a CBRR, que é a Comissão Brasileira de Recursos e Reservas. A gente tem um órgão no Brasil competente para isso, para os nossos projetos. Eu não entendo porque a gente tem que ficar esperando o padrão internacional”, afirmou.