13 dias após tragédia no Himalaia, agente ainda busca colegas sob escombros

Gui Xinwei, que trabalha na fronteira entre Nepal e China, afirma que não quer parar, impulsionado pela esperança de encontrar sobreviventes

Da Reuters
Compartilhar matéria

Devastado, mas não derrotado, um agente de fronteira na região do Tibete, no sudoeste da China, mantém-se firme e segue em frente com serena determinação, após um deslizamento de terra ter vitimado seus colegas e apagado o local que ele antes protegia.

O deslizamento, desencadeado pelo colapso de uma geleira de grande altitude no Nepal, atingiu o Porto de Gyirong em 26 de agosto, deixando 43 mortos e 519 desaparecidos no lado chinês da fronteira até o sábado (5). Já no Nepal, o número de mortos passa de 1.300.

Quando o deslizamento atingiu a área, Gui Xinwei, vice-chefe da estação de inspeção de fronteira de Gyirong, estava de folga.

Ele retornou às pressas durante a noite e mal conseguiu reconhecer o porto ao ver as imagens de vigilância da devastação.

Como parte da resposta de emergência, várias equipes de força-tarefa foram formadas. A equipe de Gui foi designada para operações de busca e resgate.

As condições das estradas tornavam impossível chegar ao epicentro do desastre no Porto de Gyirong; por isso, Gui e seus colegas permaneceram de prontidão, aguardando instruções do comando avançado.

Eles tentaram passar por trilhas nas montanhas, mas as vias estavam muito danificadas.

Em 30 de agosto, Gui e três outros agentes chegaram à área mais atingida de helicóptero.

No momento em que pisou naquele solo, o veterano guarda de fronteira, com mais de 20 anos de serviço, viu sua compostura desmoronar num instante.

"Pensei comigo mesmo: este é o nosso porto. Mas já não é o porto que eu conhecia da minha vida e do meu trabalho. Quando eu estava aqui, o local fervilhava com veículos e pessoas; era um lugar de harmonia e risos. Agora, não há nada além de rochas, areia e o rugido do rio. Naquele momento, senti que aquilo não tinha mais nenhuma ligação com a vida que eu levava", disse Gui.

Em meio às ruínas, o peso de duas décadas de memórias começou a se fazer sentir.

"Naquele instante, senti como se não tivesse realizado nada em mais de 20 anos de trabalho. Tudo o que restava em minha mente eram lembranças vívidas dos meus colegas e das pessoas do porto. Aqueles momentos voltavam à minha cabeça, repetidamente", disse ele.

Com a voz embargada, Gui prosseguiu explicando por que continua seguindo em frente.

"Não quero parar. De verdade. No momento em que paro, começo a pensar nos meus colegas e em todos os pequenos momentos que compartilhamos aqui. É por isso que não quero parar. Quando vi as fotos de 'antes e depois' daquela árvore, senti como se estivesse olhando para dois mundos diferentes", disse ele.

Embora devastados pela perda, Gui e seus colegas permaneceram em seus postos.

Ele contou que estão auxiliando as equipes de resgate na identificação de pertences e na condução das operações subsequentes.

"Cada item que retiro dos escombros — seja roupa, joia ou cosmético, não importa o tamanho, até mesmo um cabo de carregador ou uma capa de celular... não sei se pertencia aos meus colegas, mas sei que deve pertencer a alguém", disse Gui.

Em meio aos escombros, a esperança que impulsionava Gui não se esvaía, mesmo com o passar dos dias.

"Seja em três, quatro ou cinco dias: se eu conseguir romper este ponto, remover os destroços e ouvir apenas uma voz pedindo ajuda, pedindo para ser salva... é só isso que eu busco", disse Gui.

E, no entanto, enquanto procurava por vozes sob os escombros, ele sabia que a verdadeira voz que precisava ouvir era a que vinha de dentro de si mesmo, incentivando-o a continuar.

"O país não pode ficar sem fronteira, e a fronteira não pode ficar sem guarda. Enquanto eu tiver espírito e força, não há lugar que eu não possa reconstruir", disse Gui.