A vida do príncipe Harry e Meghan Markle fora da realeza

O dia de hoje marca o fim do tempo dos dois como membros reais e o começo de uma nova etapa

Max Foster, da CNN
31 de março de 2020 às 09:34
Príncipe Harry e Meghan Markle participam de compromisso oficial na Abadia de Westminster
Foto: Henry Nicholls - 09.mar.2020/ Reuters

Quando Harry e Meghan Markle, duque e a duquesa de Sussex, anunciaram que abdicariam de seus títulos reais para se tornarem “financeiramente independentes”, a notícia abalou o trono britânico e foi assunto de intensos debates no país e no mundo.

Por que eles estão fazendo isso? Como irão sobreviver? E o que o restante da família pensa sobre essa decisão?

Tantas coisas aconteceram nas semanas seguintes ao anúncio que essas perguntas perderam força. “O duque e a duquesa de Sussex preferem que nas próximas semanas e meses o foco seja em uma resposta global à COVID-19”, disse um porta-voz de Sussex. “Contudo, reconhecemos que há questões pendentes com relação ao futuro deles, além do prazo de transição da família.”

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Esse futuro inclui retirar o nome “Realeza de Sussex” do site oficial, conta no Instagram e organização sem fins lucrativos que o casal mantém. O dia 31 de março marca o fim do tempo dos dois como membros da realeza e o começo de uma nova vida. Veja abaixo o que esperar dessa transição.

Sem títulos oficiais

A rainha Elizabeth II determinou que Harry mantivesse os títulos reais, principalmente os militares honorários. O papel real híbrido que ele havia assumido no começo claramente não estava funcionando para mais ninguém, assim como a intenção de continuar usando os títulos para marketing pessoal. Como resultado, Harry e Meghan não usarão mais os títulos de Seu e Sua Alteza Real, e deixarão de representar a monarca.

A decisão não muda o lugar de Harry na linha de sucessão ao trono, e não significa que o casal não será mais visto nos círculos reais. No dia 9 de março, como parte de seus últimos deveres reais, o casal se uniu à condessa de Wessex na Abadia de Westminster para um compromisso referente ao Dia da Commonwealth.

Muita coisa foi dita sobre a falta de interação com o príncipe William e Kate, duquesa de Cambridge. Mas a maior mensagem que fica é que Harry e Meghan podem ter deixado “a empresa”, mas permanecem parte da família.

Eles têm o apoio do príncipe Charles

Nos bastidores, foram feitos alguns acordos. O príncipe de Gales concordou em continuar apoiando Harry e Meghan financeiramente através de sua propriedade privada, o Ducado da Cornualha, embora não da mesma forma que no Palácio de Buckingham.

Eles tiveram permissão para manter sua casa em Windsor, na Inglaterra - se pagarem aos cofres públicos as 2,4 milhões de libras (cerca de 3 milhões de dólares) que foram usadas para a renovação do lugar. Mas o casal já deixou claro que pretende passar mais tempo na América do Norte.

Inicialmente, parecia ser no Canadá, onde eles adquiriram uma casa na Ilha de Vancouver. Entretanto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta semana em sua conta oficial no Twitter que a família havia partido para os EUA e “o país não pagará pela segurança deles”.

Um porta-voz do casal respondeu a isso e afirmou que eles não planejam pedir recursos para segurança ao governo dos EUA, e foram firmados acordos privados nesse departamento.

Eles já estão trabalhando

Tudo isso deixa o casal com despesas consideráveis que podem não ser cobertas pelo apoio prestado pelo pai de Harry, mesmo quando combinado com a herança da mãe - certamente não com o estilo de vida ao qual os dois estão acostumados.

Harry aproveitou algumas oportunidades para falar com bancos de Wall Street, onde discutiu questões de saúde mental. Meghan fez uma dublagem em um filme da Disney sobre a proteção de elefantes em Botsuana. 

O casal está intimamente associado a essas duas questões e pode falar com credibilidade sobre elas. Eles também pensam em transformar isso em fluxos de renda lucrativos sem um comprometimento com a realeza.

O desafio que há pela frente é continuar encontrando acordos como esses, que pagam o suficiente, mas não os levam de volta à Inglaterra. Como o resto do mundo, o casal agora tem contas a pagar, mas eles também prometeram parar de negociar com a marca que os tornou tão comercialmente valiosos: a realeza.

Agora que a transição está concluída, o negócio é esperar uma reinvenção. “O duque e a duquesa de Sussex passarão os próximos meses com foco em suas famílias e continuarão fazendo o que podem, com segurança e privacidade, para apoiar e seguir com os compromissos de caridade pré-existentes enquanto desenvolvem sua futura organização sem fins lucrativos”, informou a equipe do casal em um comunicado na segunda-feira (30).